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De que borda da terra plana pular?!

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Junho começa com 469 mil mortos, variante indiana, Copa América e mais do mesmo neste país sui generis que é o Brasil. Nesta semana, o cabaré pegou fogo e a treta dominou conversas, grupos de whatsapp e até páginas de celebridades em cima do muro.

Tudo começou com uma pergunta carregada de sotaque baiano: “Qual a diferença entre um protozoário e um vírus, doutora?”. A arguição, tal qual um temido teste relâmpago numa sala de aula, veio do Senador Otto Alencar (PSD-BA) no depoimento da oncologista e imunologista Nise Yamaguchi na CPI da Covid, seguida de uma sequência de outras perguntas sem respostas, muitas gaguejadas e papéis folheados aflitamente. Foi constrangedor. Teve questão de ordem da senadora Leila Barros (PSB-DF) para que deixassem Nise concluir suas frases e senadores bolsonaristas subindo nas tamancas para defender a aliada tão próxima do ocupante da Presidência, que chega a dizer que se “falam direto”.

Nos dias posteriores, a repercussão continuou na CPI e fora dela. E eu cá com meus botões, rememoro. Os senadores homens de oposição estavam acima do tom? Talvez… Isso se deve ao fato da depoente ser mulher? Provavelmente… Mas eles agiram da mesma forma com depoentes do sexo masculino e até o situacionista senador Jorginho Mello (PL-SC) perdeu a paciência com as respostas enroladas e prolixas da conselheira presidencial.

O depoimento, que o Governo esperava ansiosamente para referendar suas ideias enviezadas, foi um tiro no pé. A respeitada médica saiu-se muito mal e não foi pela postura de senadores “machistas”, foi por falta de embasamento e por não ter se preparado para um dia inteiro de questionamentos dos parlamentares. Nise reafirmou a eficácia do tratamento precoce com o kit covid baseada, segundo ela, em centenas de estudos que apresentou à CPI. Porém, quando lhe pediram para citar um com qualidade irrepreensível, falou da Henry Ford Foudation e foi rebatida imediatamente pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), lembrando que o estudo foi encerrado sem resultados.

Foi um constrangimento atrás do outro, que ficou pior no dia seguinte com o depoimento de outra médica, Luana Araújo. Comparar os dois momentos é uma humilhação, foi uma surra digna de Mike Tyson. A infectologista, que teve cancelada a nomeação para o cargo de Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, foi um trator de conhecimento, competência e acertividade, atropelando a mentalidade tosca e simplória dos defensores de imunidade de rebanho sem vacina e do tratamento com o trio Ivermectina-Azitromicina-Hidroxicloroquina. Expressando-se magníficamente, esta mulher que me representa e me orgulha, usou as palavras como um choque de realidade para esse povo do “iluminismo às avessas” que nos trouxe à “vanguarda da estupidez mundial” e a uma “hecatombe” de mortes. Frases e expressões assim soaram como socos nocauteando adversários que impediram a ascensão desta profissional a uma posição onde poderia salvar milhares de vidas no país.

Doutora Luana foi brilhante ao usar argumentos científicos para responder a todas as questões levantadas por senadores pró e contra governo. Com toda classe, jogou na cara desses negacionistas a gravidade da Pandemia e das novas variantes, além da necessidade de isolamento social, máscara, higiene das mãos e vacina como únicas possibilidades para combater o Coronavírus, já que “nós não temos nenhuma ferramenta farmacológica que possa ser utilizada de forma inicial que impeça a progressão da doença”. Desenhando: não existe remédio para Covid!

E é preciso desenhar, mesmo, porque em plena metade de 2021, um ano e seis meses depois do cataclisma sanitário que se abateu sobre o Planeta, ainda temos gente se achando cientista e insistindo em teorias que ficaram lá atrás. Como disse, indignada, a DOUTORA Luana sobre o uso do kit covid: “É uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente. Porque ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que borda da Terra plana a gente vai pular, não tem lógica!”.

E como lógica não é o forte do Presidente e seus asseclas, eles devem estar até hoje tentando entender Luana e vendo se estão na borda certa de sua Terra plana para pular.

Jornalista que sempre trabalhou em emissoras de TV, faz reflexões sobre História, Política, Meio Ambiente, Artes em geral. Tudo que der um estalo na mente!

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Maria Schaun

    7 de Junho, 2021 at 10:48

    O artigo é muito bom!

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Almir Zarfeg é homenageado duplamente pela Academia Teixeirense de Letras

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Durante a sessão solene da Academia Teixeirense de Letras (ATL), realizada na última sexta-feira (24), às 19h, na Câmara Municipal de Teixeira de Freitas, Almir Zarfeg foi homenageado de maneira dupla: como autor do livro de poemas “Água Preta” e com o título de Presidente de Honra da instituição literária.

O tributo aos 30 anos da 1ª edição de “Água Preta”, livro de estreia de Zarfeg na literatura em 1991, foi conduzido pela acadêmica e professora universitária Arolda Maria Figuerêdo. Ela discorreu sobre as cinco edições que marcaram a história da obra e, também, dedicou uma bela reflexão à poesia zarfeguiana.

“’Água Preta’ é sem dúvida um livro marco, muito importante na vida de Almir Zarfeg. Primeiro, pela penetração e trânsito no mundo das letras. Segundo, por iniciar sua carreira com uma efusiva expressão poética distribuída em cento e um poemas”, argumentou a acadêmica.

Almir Zarfeg e a professora e acadêmica Arolda Maria Figuerêdo

Ela concluiu: “Haja fôlego para acompanhar toda a trajetória desta poesia que sobressai pela oportunidade de se conhecer a projeção desse poeta em franco e próspero crescimento na arte literária. E sua rica contribuição para os anais da Literatura Brasileira”.

Em seguida, em nome da Diretoria Acadêmica, a professora Arolda Maria entregou uma Moção de Aplauso ao poeta e jornalista Almir Zarfeg.

Durante a solenidade, Zarfeg ainda foi homenageado pelo presidente da ATL, Athylla Borborema, com o título de “Presidente de Honra” da instituição literocultural. “Um presidente de honra não se candidata a cargos, mas estará sempre à disposição para colaborar com a diretoria e com os demais membros. Auxiliando e orientando. Enfim, é alguém muito especial. Este alguém, sem dúvida, é o confrade Almir Zarfeg”, pontuou Athylla.

Em seu discurso, Zarfeg afirmou que estava se sentindo muito honrado “pelo reconhecimento por tudo que eu represento para a ATL, por tudo que esta instituição significa para mim. Enfim, há muita reciprocidade envolvida”.

Almir Zarfeg ladeado pelos membros da diretoria da ATL

Como se sabe, Zarfeg é membro efetivo fundador da Cadeira 01, que tem como patrono o saudoso Sady Teixeira Lisboa. Em 2016, o poeta liderou o movimento que culminou com a fundação e instalação da Academia Teixeirense de Letras. Nos quatro anos seguintes, ele presidiu a confraria e entregou conquistas relevantes como o “Prêmio Castro Alves de Literatura” (já na 5ª edição), a antologia “ATL em Verso e Prosa!” (volume 5) e firmou parcerias com a Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPT) e com a Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA).

A fala de Arolda Maria Figuerêdo será utilizada como posfácio na 5ª edição de “Água Preta”, que sairá ainda em 2021 pela Lura Editorial.

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