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OSB apresenta 1º concerto gravado no palco desde o início da pandemia

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A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) apresenta ao público a partir de hoje (26), às 20h, seu primeiro concerto no palco da Sala Cecília Meireles, desde o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19. A apresentação foi gravada no último dia 20, ainda sem a presença de público, e será exibida nas redes sociais da orquestra.

“A gente está voltando aos palcos, porque a orquestra, desde o início da pandemia, estava produzindo seus conteúdos artísticos 100% remotamente, com os músicos em isolamento social, de suas casas. Mas, agora, com esse primeiro concerto, a gente voltou a reunir os músicos no palco”, disse à Agência Brasil o diretor executivo da Fundação OSB, Gregório Tavares.

Ele contou que o encontro dos artistas, depois de tanto tempo isolados, foi emocionante. “A gente ficou à flor da pele. O primeiro ensaio desse programa foi realmente um fluxo de emoções muito grande, os colegas se encontrando, tendo a oportunidade de fazer música juntos, mesmo que a gente ainda esteja sem a presença do público, porque sabemos que há uma troca muito grande. Mas o fato de os músicos estarem reunidos na sala de ensaio, de a gente poder sentir o palco, poder ouvir o som do outro, essa troca faz muita diferença para os músicos da orquestra”, afirmou Tavares.

Retomada

Como a OSB fará uma retomada gradual nos primeiros programas que serão feitos nos meses de maio e junho deste ano, a opção foi pela formação de câmara reduzida, com a presença de até cinco músicos. Gregório Tavares informou que a partir de junho, a ideia é dar um salto para um número maior de músicos no palco. “Mas, nesses primeiros programas, são quintetos. Cinco músicos reunidos no palco”. Gradativamente, o tamanho da orquestra será ampliado. “Porque a gente sabe que a pandemia ainda está aí, está bastante ativa, e as coisas precisam ser feitas com muito cuidado, para preservar os músicos, a equipe”.

No total, a OSB tem 65 músicos. Até o final do ano, a expectativa é que sejam feitas entre 35 e 40 apresentações. O diretor informou que a previsão inicial, para conseguir receber o público presencialmente, é a partir de agosto ou setembro. Tudo, porém, vai depender de definições das autoridades públicas, lembrou. “Não existe uma certeza, mas existe um planejamento para que, em agosto ou setembro, a gente volte a receber o público, mesmo que reduzido”.

Programa

Nesse primeiro concerto hoje, os músicos apresentarão obras de Luiz Alvarez Pinto e Wolfgang Amadeus Mozart, abrindo a Série Clássica Brasileira. O grupo, formado por Clovis Pereira Filho (violino), Daniel Passuni (violino), Samuel Passos (viola), André Rodrigues (viola) e Emilia Valova (violoncelo) interpreta o Quinteto para Cordas nº4 K.516, que Mozart escreveu em 1787.

Como todos os quintetos de cordas do compositor austríaco, é uma obra escrita para o que é conhecido como “quinteto com viola”, uma vez que a instrumentação consiste num quarteto de cordas mais uma viola adicional. Ou seja, dois violinos, duas violas e um violoncelo. Essa é considerada uma das maiores obras de Mozart e, também, uma das mais tristes, pois tem caráter sombrio e melancólico, típico das composições mozarcianas em Sol Menor, informou a Fundação OSB.

Em seguida, será apresentada a obra Te Deum Laudamus (6 Peças Barrocas), do compositor brasileiro do século 18, o pernambucano Luiz Alvarez Pinto. Ela será interpretada pelo quinteto formado por Clovis Pereira Filho (violino), Daniel Passuni (violino), Samuel Passos (viola), Emilia Valova (violoncelo) e Rodrigo Fávaro (contrabaixo). A primeira execução moderna dessa obra ocorreu em 1968, no IV Festival de Música de Curitiba, sob a direção do Pe. Jaime Diniz.

OSB

A Orquestra Sinfônica Brasileira foi fundada em 1940 e é considerada um dos conjuntos sinfônicos mais importantes do país. Em seus 80 anos de trajetória ininterrupta, a OSB realizou mais de 5 mil concertos. Foi a primeira orquestra a realizar turnês pelo Brasil e o exterior, apresentações ao ar livre e projetos de formação de plateia. Em abril de 2021, a orquestra foi registrada como patrimônio cultural imaterial da cidade do Rio de Janeiro.

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Sociedade

O Nosso Muro de Berlim

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Após o final da segunda guerra mundial, como é de conhecimento popular, a Alemanha foi dividida, tendo o ocidente governado pelos Aliados, que eram capitalistas, e o oriente governado pela União Soviética, que era socialista. O muro erguido em Berlim marcava uma divisão essencialmente política: cada lado era regido por um sistema econômico diferente. No entanto, as divergências e polarização eram, de maneira geral, entre as autoridades, já que a população de ambos os países quase em sua totalidade desejava o capitalismo, além de possuir forte desejo de encontrar pessoas que haviam ficado do outro lado do muro. No Brasil hoje ocorre algo diferente. Nenhuma autoridade construiu muros entre nós, mas por iniciativa própria estamos incomunicáveis e nos vemos como inimigos.

Fato é que sempre houve divisão, divergências e atritos causados por política, e essas diferenças frequentemente se tornavam em ódio ou desprezo. Mas nunca no século XXI houve um momento onde esses sentimentos se tornaram tão universais e intensos. A internet e as redes sociais, que deveriam nos expor a uma quantidade maior de informação e, especialmente, a opiniões divergentes, na verdade nos acostumou a sempre estarmos reforçando nossos próprios pensamentos e tendo cada vez menos contato com pessoas com ideais diferentes dos nossos. Por estarmos sempre reforçando nossa própria opinião através do algoritmo das redes, vamos nos extremizando, nos tornando cada vez mais convictos e intransigentes das ideias que já defendíamos, fazendo com que qualquer opinião divergente da nossa pareça um absurdo.

Um fator triste, porém irônico e interessante, é que tanto as pessoas que se indentificam com o que se convenciona chamar de direita, quanto aqueles que estão à esquerda afirmam que o lado que eles se opõem é estúpido e maligno, como se não houvesse a possibilidade de uma pessoa bondosa e inteligente discordar de tal posicionamento. Isso nos custa caro, pois acabamos por, devido a meros posicionamentos políticos, nos afastarmos de pessoas genuinamente boas e frequentemente inteligentes, como se essas qualidades fossem definidas apenas pela ideologia que a pessoa segue.

No entanto, pesquisas na área da psicologia mostram que a diferença fundamental entre os indivíduos é a importância que dão a determinados valores. Pessoas “de direita” tendem a valorizar mais a justiça e a moralidade, enquanto as “de esquerda” dão maior importância ao bem-estar. Para exemplificar: para o típico “esquerdista”, é melhor um governo onde há corrupção, mas o bem-estar da população está mais elevado, que um onde não há corrupção, mas o bem-estar da população está mais baixo. Já o “direitista” genérico, acredita o contrário. Essas pesquisas mostram que é um falso testemunho quando um lado acusa o outro de não ter princípios, quando na verdade, apenas se altera a relevância que cada um dá a eles. É importante ressaltar que essas informações não foram deliberadamente expostas aqui sem qualquer base, e que a quem interessar, o livro A Mente Moralista e o artigo When Moral Opposes justice, sendo o livro de Jonathan Haidt e o artigo uma co-autoria entre ele e Jesse Graham, ambos psicólogos sociais.

A diferença tampouco parece ser uma questão de inteligência, pois, embora, como pesquisas do professor Marcus Kemmelmeier mostram, a diferença de QI não é tão discrepante, e, caso comparemos dois grupos, sempre haverá uma diferença na média de QI. O que de fato acontece é que, por nos ser dada a opção de nos fecharmos numa bolha ideológica, nos parece agora estranho e absurdo ideias das nossas, fazendo com que a política crie um abismo entre as pessoas. Infelizmente, não há atalho para resolvermos esse problema, e já estamos sofrendo as consequências. E esta é uma questão que se retroalimenta: quanto mais um indivíduo se fecha de opiniões divergentes, mais ele desenvolve ódio e desprezo por essas ideias, e mais vontade sente de se fechar.

Algo que nos permite criar esperança é que a pouquíssimas pessoas essa situação, e com o desconforto essa situação pode mudar, mas só se compreendermos que as pessoas que discordam de nós não são necessariamente más ou burras e ainda mais importante: também querem o melhor pro país. Não devemos deixar de conversar sobre política, muito menos concordar em tudo, mas entendermos que é aceitável e normal que discordem de nós, e devemos, sim, discutir com quem pensa diferente de nós. Porém, é difícil convencer uma pessoa quando se está, na verdade, brigando com ela, quando, de fato, seu objetivo não é convencê-la, mas esmagá-la. Todos estamos cansados desse mar de tensão, desconfiança e conflito que se instaurou, e por isso, devemos nos esforçar para mudá-los, olhando também nossos “inimigos” com olhos humanos, pois, sem a compaixão, não há como quebrarmos esse muro de ódio e desprezo.

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