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Sociedade

A raiz da escravidão

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Quando, quem e onde o primeiro ser humano foi escravizado? Quem teve a idéia de subjugar e submeter o seu semelhante pela primeira vez? Sempre me fiz essas perguntas e, em função delas, naveguei por histórias distintas e fascinantes. Por vontade própria, por vezes me vi presa numa espiral de emoções desencadeadas pelo sofrimento de muitos, pela coragem de outros, pela superação de tantos, pelos exemplo de vários e por todos os sentimentos que essas histórias transmitem. Impossível não ser atingido de uma forma ou de outra pelo sangue que escorre desse passado.

No meu tímido entendimento a escravidão é algo antinatural. Não vemos isso na natureza, seja no reino animal ou vegetal. O máximo que percebemos são disputas, seja por luz, água e nutrientes no ambiente vegetal, seja por liderança, direito à cópula e ao alimento no meio animal, mas nunca para escravizar o outro.

No Paleolítico (100 mil a 10 mil a.C.), os registros arqueológicos deixam entrever que os homens das cavernas eram nômades, coletores, hábeis caçadores, viviam em grupos relativamente pequenos, mas nenhuma evidência de escravizar uns aos outros. Há indícios de conflitos com grupos rivais, de sequestros de crianças para serem incorporadas à tribo e de rapto de mulheres para o acasalamento.

Porém, quando entramos no Neolítico (5 mil a 1 mil a.C.), começamos a ver a escravidão por todos os lados e das mais variadas formas. Na região da antiga Suméria e atual Iraque, encontramos o Código Hamurabi (século XVIII a.C.), o primeiro conjunto de leis para controlar e organizar a sociedade. Entre as muitas questões que o Código trata, ele divide a sociedade em três classes:

  1. Os Awilum – homens livres – proprietários de terras independentes.
  2. Os Muskênum –  camada intermediária, funcionários públicos que tinham certas regalias no uso da terra.
  3. Os Wardum – os escravos que podiam ser comprados e vendidos até que conseguissem comprar a sua própria liberdade.

Ao analisar apenas a cláusula da divisão social percebemos como a escravidão era uma instituição estabelecida e organizada pela lei local. Ela se apresenta como um fato, algo natural para aquela sociedade.

Ao me aprofundar na história dos Sumérios, deparei-me com Zecharia Sitchin, escritor, historiador, especialista em línguas, tradutor, consultor da Nasa e teólogo, que me apresentou o fascinante e controverso mundo dos Sumérios. Zecharia foi um dos muitos tradutores das mais de 60 mil tabuletas de argila encontradas em 1945 no Iraque, antiga cidade de Ur, berço de Abraão, nosso velho conhecido da Bíblia.

Bom, os textos depois de traduzidos, grande parte deles viraram livros e nos contam as mais variadas histórias. E uma das que me fez prender o fôlego ao ler foi o da criação do homem. É…, eu e você.

No livro “O 12⁰ Planeta” de Zecharia, as tabuletas relatam como um grupo de extraterrestes (Anunakis) teriam desembarcado no Planeta em busca de minerais em 445 mil a.C. O trabalho de mineração era muito árduo e anos depois começaram os motins.  Em 300 mil a.C. eles então decidiram criar geneticamente um hibrido, combinando o DNA deles com a dos hominídeos que aqui viviam, para que fizessem o trabalho pesado para eles. E na página 319 do livro “O 12⁰ Planeta” encontramos a tradução de um trecho das tabuletas:

“Produzirei um mero primitivo. Homem será seu nome. Criarei um trabalhador primitivo. Ele será responsável pelo trabalho dos Deuses, para que Eles possam ter a sua tranquilidade.”

Ao contrário do que aprendemos desde cedo no catecismo e nas orientações religiosas, de acordo com os textos Sumérios fomos criados para trabalhar e para exercermos as mais diversas funções. As tabuletas discorrem sobre uma infinidades de coisas, muitas delas desconcertantes, como a descrição do nosso sistema solar, com o número exato de planetas, suas órbitas, dimensões e composições químicas. Vemos ainda as leis, a organização social, coisas cotidianas e as incríveis histórias dos Deuses. Sei que tudo isso soa surreal, e é, pois as tabuletas são datadas de 3500 a.C. e transcrevem dados que eles não deveriam saber, mas são estranhamente exatos.  Devemos lembrar que foi na Suméria que tudo começou, e é ali que temos os primeiros registros históricos do mundo. Ao ler as traduções das tabuletas, é quase como se lêssemos uma versão diferente, mais detalhada e incrementada, da Bíblia. Pelo fato dos textos Sumérios serem mais antigos que a Bíblia, fico com a sensação do nosso texto sagrado ser uma cópia.

Mas voltando ao tema da questão, nessa passagem o texto Sumério diz que fomos criados pelos Deuses, para sermos “meros primitivos trabalhadores”. Não fomos criados para herdarmos o paraíso e vivermos felizes para sempre como nos fizeram acreditar. E ao lermos Gênese, capitulo 1, versículo 26, encontramos:

Façamos o homem à nossa imagem, e à nossa semelhança.” – disse Eloim.

Veja que o nosso Deus Único da Bíblia diz para que seja feito o homem à “NOSSA” imagem e semelhança e não a “SUA” imagem e semelhança como deveria ser, já que “Ele” se anuncia como o único.  O Deus da nossa Bíblia usa o verbo e o pronome no plural, ao passo que o correto seria: “Farei o homem à minha imagem, e à minha semelhança.” Fica a sensação de haver “Outros Deuses”. Essa é uma das primeiras contradições da Bíblia e, de uma certa forma, embasa o texto Sumério. Bom, mas isso é tema para outro diálogo. Agora procuro as raízes que nos fizeram escravos, e se tomarmos os textos Sumérios como verídicos, bingo, achamos as origens da escravidão.

A riqueza de detalhes dos textos desenterrado na antiga cidade de Abraão relatam que os Deuses teriam nos deixado em determinado momento. Em troca de nosso trabalho Eles teriam nos ensinado todos os ofícios e os meios de nos organizarmos em sociedade.

Para encerrar a história, imagino que, depois que “Eles” nos deixaram, nós já havíamos aprendido, e entendíamos a escravidão como algo necessário e normal, e assim demos continuidade ao processo. Somente depois de muitos e muitos séculos no exercício dessa atividade tão cruel nos demos conta que era muito mais salutar e lucrativo ter colaboradores pagos que escravos dependentes. Triste, mas acredito que foi mais ou menos assim. Bom, é um tema que dá margem para novas investigações. Quem se a habilita????

Alda Therkovsky É Mulher, Empresária, Escritora, Poetisa, Sonhadora e Visionária. Autora dos livros: O Mistério das Pirâmides, O Memorial da Bruxa, A Conquista do Éden, Margarida no Jardim, A Alface Valente e Deus é Ateu.

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Sociedade

O Nosso Muro de Berlim

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Após o final da segunda guerra mundial, como é de conhecimento popular, a Alemanha foi dividida, tendo o ocidente governado pelos Aliados, que eram capitalistas, e o oriente governado pela União Soviética, que era socialista. O muro erguido em Berlim marcava uma divisão essencialmente política: cada lado era regido por um sistema econômico diferente. No entanto, as divergências e polarização eram, de maneira geral, entre as autoridades, já que a população de ambos os países quase em sua totalidade desejava o capitalismo, além de possuir forte desejo de encontrar pessoas que haviam ficado do outro lado do muro. No Brasil hoje ocorre algo diferente. Nenhuma autoridade construiu muros entre nós, mas por iniciativa própria estamos incomunicáveis e nos vemos como inimigos.

Fato é que sempre houve divisão, divergências e atritos causados por política, e essas diferenças frequentemente se tornavam em ódio ou desprezo. Mas nunca no século XXI houve um momento onde esses sentimentos se tornaram tão universais e intensos. A internet e as redes sociais, que deveriam nos expor a uma quantidade maior de informação e, especialmente, a opiniões divergentes, na verdade nos acostumou a sempre estarmos reforçando nossos próprios pensamentos e tendo cada vez menos contato com pessoas com ideais diferentes dos nossos. Por estarmos sempre reforçando nossa própria opinião através do algoritmo das redes, vamos nos extremizando, nos tornando cada vez mais convictos e intransigentes das ideias que já defendíamos, fazendo com que qualquer opinião divergente da nossa pareça um absurdo.

Um fator triste, porém irônico e interessante, é que tanto as pessoas que se indentificam com o que se convenciona chamar de direita, quanto aqueles que estão à esquerda afirmam que o lado que eles se opõem é estúpido e maligno, como se não houvesse a possibilidade de uma pessoa bondosa e inteligente discordar de tal posicionamento. Isso nos custa caro, pois acabamos por, devido a meros posicionamentos políticos, nos afastarmos de pessoas genuinamente boas e frequentemente inteligentes, como se essas qualidades fossem definidas apenas pela ideologia que a pessoa segue.

No entanto, pesquisas na área da psicologia mostram que a diferença fundamental entre os indivíduos é a importância que dão a determinados valores. Pessoas “de direita” tendem a valorizar mais a justiça e a moralidade, enquanto as “de esquerda” dão maior importância ao bem-estar. Para exemplificar: para o típico “esquerdista”, é melhor um governo onde há corrupção, mas o bem-estar da população está mais elevado, que um onde não há corrupção, mas o bem-estar da população está mais baixo. Já o “direitista” genérico, acredita o contrário. Essas pesquisas mostram que é um falso testemunho quando um lado acusa o outro de não ter princípios, quando na verdade, apenas se altera a relevância que cada um dá a eles. É importante ressaltar que essas informações não foram deliberadamente expostas aqui sem qualquer base, e que a quem interessar, o livro A Mente Moralista e o artigo When Moral Opposes justice, sendo o livro de Jonathan Haidt e o artigo uma co-autoria entre ele e Jesse Graham, ambos psicólogos sociais.

A diferença tampouco parece ser uma questão de inteligência, pois, embora, como pesquisas do professor Marcus Kemmelmeier mostram, a diferença de QI não é tão discrepante, e, caso comparemos dois grupos, sempre haverá uma diferença na média de QI. O que de fato acontece é que, por nos ser dada a opção de nos fecharmos numa bolha ideológica, nos parece agora estranho e absurdo ideias das nossas, fazendo com que a política crie um abismo entre as pessoas. Infelizmente, não há atalho para resolvermos esse problema, e já estamos sofrendo as consequências. E esta é uma questão que se retroalimenta: quanto mais um indivíduo se fecha de opiniões divergentes, mais ele desenvolve ódio e desprezo por essas ideias, e mais vontade sente de se fechar.

Algo que nos permite criar esperança é que a pouquíssimas pessoas essa situação, e com o desconforto essa situação pode mudar, mas só se compreendermos que as pessoas que discordam de nós não são necessariamente más ou burras e ainda mais importante: também querem o melhor pro país. Não devemos deixar de conversar sobre política, muito menos concordar em tudo, mas entendermos que é aceitável e normal que discordem de nós, e devemos, sim, discutir com quem pensa diferente de nós. Porém, é difícil convencer uma pessoa quando se está, na verdade, brigando com ela, quando, de fato, seu objetivo não é convencê-la, mas esmagá-la. Todos estamos cansados desse mar de tensão, desconfiança e conflito que se instaurou, e por isso, devemos nos esforçar para mudá-los, olhando também nossos “inimigos” com olhos humanos, pois, sem a compaixão, não há como quebrarmos esse muro de ódio e desprezo.

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