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Sociedade

Mulher-Maravilha sob ataque

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Gal Gadot, a estrela da Mulher Maravilha, recebeu críticas on-line por causa de seu tweet sobre a escalada da violência em Israel e Gaza. A atriz israelense e ex-Miss Israel postou: “Israel merece viver como uma nação livre e segura”, acrescentando: “Nossos vizinhos merecem o mesmo.” Os comentários atraíram milhares de respostas – agora desativadas – levando ao seu nome como uma tendência no Twitter. Em sua juventude, Gadot completou dois anos de serviço militar obrigatório.

“Rezo pelas vítimas e suas famílias. Rezo para que essa hostilidade inimaginável termine, oro para que nossos líderes encontrem a solução para que possamos viver lado a lado em paz. Rezo por dias melhores.” Enquanto algumas pessoas importantes, incluindo o político americano Ted Cruz elogiaram Gadot por seus comentários, muitos outros reagiram com raiva.

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Sociedade

Como Enfrentar e Como Não Enfrentar a Desinformação

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Nos últimos tempos, especialmente de 2016 para cá, com as campanhas à presidência de Trump e Hillary, tem-se falado muito em notícias falsas — ou “fake news”— e seus potenciais danos à sociedade. É verdade que a mentira é um fato humano, onipresente na história desde o desenvolvimento da linguagem, mas, com as redes sociais, a difusão em massa de informações duvidosas e mentiras descaradas, o que por diversas vezes põe em risco a saúde e segurança daqueles que são enganados.

Quando falamos da difusão em massa das notícias falsas, no entanto, tendemos a nos esquecer que este é um problema que precede e muito as redes sociais. Talvez seja possível dizer que a União Soviética seja o primeiro exemplo disso. Para manter o povo fiel a si e fortalecer seu regime, Stalin decidiu reescrever a história, afinal, ele não podia permitir que Trotsky se tornasse um mártir. No entanto, Stalin mantinha um regime socialista, o que inevitavelmente traz problemas de escassez de recursos, frequentemente alimentos. Quando a fome na Ucrânia chegou a altos patamares, ele mais uma vez precisou ditar a “verdade”, e através de notícias falsas (e assassinato de denunciantes), escondeu toda a situação da população, criando praticamente uma realidade paralela.

Notoriamente, Hitler também chegou ao poder através de notícias falsas, fingindo e promovendo através de propaganda que havia uma conspiração para iniciar uma guerra entre judeus e alemães. Um fato importante de se perceber é: a difusão em massa de informações falsas é antiga e os estados foram pioneiros nessa prática. É inegável no entanto que com as redes sociais, essa prática se estendeu aos cidadãos comuns, mas, embora estejam sendo difundidas notícias falsas sobre todos os assuntos, a maioria possui motivação política. Os efeitos são caóticos: reputações são assassinadas, crenças equivocadas são instaladas e em 2020 a situação piorou, já que com a pandemia do novo coronavírus, a saúde das pessoas foi politizada, e consequentemente, a área da saúde tornou-se alvo de desinformação com fins políticos.

São incalculáveis os danos causados por essa desinformação, já que foram divulgadas mentiras sobre medicamentos, máscaras e vacinas. Grande parte da população, principalmente mais venha, foi induzida por informações transmitidas de maneira mal-intencionada a não cuidar da própria saúde nem se prevenir contra o novo coronavírus. É inegável o prejuízo causado pela difusão intencional de notícias e informações falsas, e deve ser um consenso que providências devem ser tomadas em relação a isso, o problema é a forma que se deseja combater isso. Hoje há diversos projetos tramitando no congresso nacional e em assembleias legislativas que visam punir aqueles que intencionalmente divulgam notícias falsas. Essas propostas quase sempre envolvem punir aqueles que divulgam intencionalmente as chamadas “Fake News”, para dessa forma, impedir o alcance das mesmas, no entanto, geralmente é ignorado uma premissa básica da política: todo poder dado será abusado.

Ao colocar nas mãos do estado o poder de punir aqueles que mentem, dá-se também ao estado de definir o que é verdade e o que não é, e isso pode facilmente tornar-se um bumerangue. Há um forte risco de um artifício como esse ser usado para calar vozes dissidentes. Como citado acima, Stalin combateu as Fake News, mas, é claro que para o estado soviético, mentira era tudo aquilo que ameaçava o regime, e Stalin tornou-se então dono da verdade e proliferou a mentira em uma taxa de contaminação superior à do coronavirus. Ao tentar fazer prevalecer a verdade através da coerção, podemos acabar num mar de mentiras.

Além disso, mentiras são de fato imorais, mas, salvo em casos onde a mentira em questão é uma fraude e há roubo implícito (como quebra de contrato e propaganda enganosa), não devem ser interpeladas judicialmente. Quase todo ser humano já mentiu, e uma lei que levaria todos a prisão não é uma lei aplicável. Pode ser que surjam defensores de que se prendam aqueles que espalham mentiras “mais graves”. No entanto, qual seria o critério objetivo parar distinguir uma mentira grave de uma leve? Fato é que na realidade isso não é prático, mas precisamos ainda encontrar a solução para um problema desse tamanho.

Nós, Brasileiros, temos de uma maneira geral uma péssima visão paternalista do estado. Acreditamos que quando há um problema, este deve ser resolvido com uma política pública, nunca por ações conjuntas e organizadas de indivíduos voluntariamente. Mas a verdade é que cabe a nós tentar conscientizar, auxiliar as pessoas a aprenderem a efetivamente checar e identificar uma notícia falsa. Mas acredito também que este é um problema que não perdurará muito. Quando paramos para analisar quem é enganado por essas informações duvidosas, vemos que de maneira geral são pessoas mais velhas, acima de 30 anos, mas os jovens de uma maneira geral são mais “resistentes” a esse tipo de engano, por terem crescido já junto a esta tecnologia recente. E por ser uma tecnologia recente, levará tempo para a adaptação geral, mas ela irá ocorrer.

Por fim, precisamos entender que mais de uma vez na história, políticas públicas destinadas a produzirem certo resultado acabaram por criar um cenário completamente oposto ao desejado, e não só com a questão da desinformação, mas em toda situação que queremos alterar, precisamos pensar as soluções com muito cuidado. Por fim, a solução e a responsabilidade reside em nós, e se desejamos mudar esse cenário devemos fazer cada um a sua parte e conscientizar as pessoas à nossa volta. Apesar da lentidão deste processo, é a única maneira legítima e, no longo prazo, eficiente, de fazer a desinformação perder força e a verdade prevalecer.

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