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Sociedade

Raciocínio Motivado: Porque Você Não Consegue Vencer Uma Discussão

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Todos nós já passamos pela situação de estarmos discutindo com um amigo ou colega e apesar de apresentar evidências contundentes e um raciocínio verdadeiramente consistente falhar em mudar sua opinião, ou fomos esse amigo. O que dá a entender que a razão nem sempre é suficiente para o convencimento, mas porque isso acontece? 

No livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, Dale Carnegie argumenta que na maioria das vezes, é impossível vencer uma discussão, tendo em vista que o objetivo de uma discussão é convencer alguém. Isso se deve porque cada um dos lados não está de fato buscando a resposta verdadeira, e sim tentando justificar e provar a opinião que ambos já tinham antes da discussão ocorrer. Então quando discutimos com alguém e apresentamos um ponto que contradiz uma crença, a tendência de nosso adversário é negar esta evidência, por mais clara que seja, ou adaptar a nova informação para que seja compatível com o que ela já acreditava.

Um exemplo prático em que esse tipo de raciocínio foi testado foi em um experimento de Leon Festinger, o psicólogo que cunhou o conceito de dissonância cognitiva, o fenômeno que acontece quando as crenças de um indivíduo se contradizem. Em 1954, Festinger acompanhou um culto chamado The Brotherhood of The Seven Rays (A Irmandade Dos Setes Raios) que afirmava que uma inundação destruiria o mundo no dia 21 de dezembro (profetas do apocalipse adoram essa data, não se sabe porque) daquele ano. Ele e alguns colegas da Universidade do Minnesota entrevistaram membros do grupo antes e depois da data do suposto apocalipse. Nossa intuição nos leva a crer que após confirmado o erro das previsões, os cultistas abandonariam essas crenças. No entanto, o oposto ocorreu. Após a data, os membros do culto afirmaram que tinham recebido uma mensagem dos céus dizendo que a humanidade teria uma nova chance.

O que acontece é que os cultistas não estavam buscando a verdade, e sim tentando justificar suas crenças como verdadeiras. Não estavam raciocinando para chegar a uma conclusão, e sim raciocinando para justificar uma conclusão pré-definida. O leitor certamente lembra de eventos parecidos em sua vida pessoal, como quando há um pênalti polêmico e sempre tendemos a defender a conclusão favorável a nosso time, o juiz sempre “rouba” para o adversário. 

A pesquisadora na área da psicologia social Ziva Kunda faz a distinção entre o raciocínio estimulado por metas de precisão, como os cálculos matemáticos, do raciocínio estimulado por metas de direção. O segundo tipo é o que chamamos de raciocínio motivado. Em um estudo publicado em 2006 realizado durante a campanha pela reeleição de George W. Bush em 2004 revelou que as áreas do cérebro utilizadas no raciocínio claro e frio são diferentes das áreas utilizadas no raciocínio motivado.

Por fim, não conseguimos vencer discussões porque o objetivo em uma raramente é a busca pela verdade, e sim a confirmação de uma crença, e quanto mais enraizada a crença, mais difícil o convencimento. Então como podemos mudar a opinião de alguém?

É uma ilusão acreditarmos que a mudança de opinião de um indivíduo está unicamente em nossas mãos, se ele não estiver disposto a questionar suas crenças, ele não o fará e manterá sua opinião. No entanto, caso ele esteja disposto a conhecer o outro lado, podemos recomendar material (textos, livros, vídeos etc.) que dispõem evidências do que queremos convencer, mas é um caminho que não podemos trilhar pelos outros, e por isso, requer disposição de quem ouve. Mas é importante lembrar que também podemos estar cometendo raciocínio motivado e por isso, por que não conhecer também o lado daqueles que queremos convencer?

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Artigo por Felipe Schuster, Estudante de Psicologia e Relações Internacionais, Coordenador Local do Students For Liberty Brasil e Coordenador Estadual do Livres

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Porto Seguro

Atriz da Globo Marcella Maia diz ser vítima de transfobia em Porto Seguro

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A atriz Marcella Maia, de 30 anos, denunciou, nesta quinta-feira (23), ter sido vítima de transfobia em Porto Seguro, Bahia. A artista mostrou os hematomas na região do pescoço, ombro e seio aos seguidores nas redes sociais. “Preconceito existe. Se cuidem. Sem chão, sem forças. Tô viva”, disse a atriz. “Meu corpo não merece isso”, continuou, acrescentando a hashtag “transfobia”.

A atriz compartilhou as imagens com o mais de 282 mil seguidores que possui no Instagram
Imagens: reprodução

Em nota da assessoria de Marcela, o caso aconteceu na madrugada de quarta-feira (22) na vila de Caraíva. Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na delegacia de Porto Seguro.

“A atriz está segura no momento e todas as medidas legais já estão sendo providenciadas”, disse o comunicado, que ainda agradeceu pela preocupação dos seguidores. 

Marcella viverá a personagem Morte na próxima novela das 19h da Rede Globo, “Quanto Mais Vida Melhor”. Em entrevista à Patrícia Kogut em 2020, a atriz revelou que ocultava o fato de ser uma mulher transexual. 

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