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O Brasil não é para principiantes

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Uma certa feita, o grande gênio da música brasileira, Tom Jobim soltou a frase que define o Brasil, de seu descobrimento até hoje: “O Brasil não é para principiantes”.

Eu imagino a seguinte cena: Jobim, lendo um jornal importante, vendo algum telejornal ou, quem sabe até, ouvindo rádio… Ao ver o teor do noticiário nacional, olha para o lado, e solta tal frase (que, por licença poética, vou adaptar para “O Brasil não é para amadores”). É uma frase simples e que, na boa, define cada vírgula da história brasileira.

O Brasil começou de um erro, contam os livros didáticos, algum estagiário leu as cartas marítimas de forma equivocada e passou a informação errada para Cabral. Gritaram “terra a vista” achando ter chegado às Índias e encontraram outras índias: as bronzeadas, de belas curvas que andavam nuas pela praia. Um país que começa num erro de navegação não tem como dar certo.

Avançando pelo tempo, temos de tudo nesse país, genocídio indígena em nome de Jesus, bandeirantes sanguinários traçando fronteiras, trezentos anos de pura exploração colonial, até que, fugindo de um certo baixinho megalomaníaco, a família real (e seus de puxa-sacos de estimação) se muda para a Colônia. A partir daí, começamos a virar um país, em tese, sério. Agora tínhamos uma sede de governo e um rei europeu. Viramos europeus!

Correndo mais um pouco, vemos a família real partir, de volta para Portugal, com todo o dinheiro do Banco do Brasil, deixando o príncipe Mc. Pedrinho da Burguesia como “quase rei” do Brasil, no mesmo ano, temos uma independência proclamada pelo príncipe mimado, que se achava do povão, num surto de diarreia, que, de cócoras, no riacho do Ipiranga, entre uma força e outra, dizia: “Independência ou morte”.

O tempo passa, Pedro I que prometeu ficar, vai embora e deixa Pedro II, que se torna imperador com 15 anos, pra comemorar, convoca um baile funk. Ele ficou marcado como monarca festeiro do Brasil, toda semana tinha um rock da burguesia, e sua majestade era chegada num corote com skol beats. A filha dele, Isabel, se torna amante dos negros (graças a uma pressãozinha inglesa), e aproveitando-se de uma viagem de papai pelo mundo, libera geral, solta a senzala toda e ainda vive para ver um tuberculoso dar um golpe na monarquia.

A “democracia” brasileira começa com duas ditaduras militares, trinta anos de alternância de poder das elites do agronegócio, um golpe político, motivado pelo assassinato do vice do derrotado Getúlio, que estava pegando a mulher alheia. Mais quinze anos de ditadura populista com viés fascista, uma redemocratização capenga, reeleição do ditador Getúlio (ora, ora…), mudança da capital para o meio do nada, um louco que governava por bilhetinhos e que renunciou achando que o povo ia pedir para ele voltar (risos), um poste assume a presidência e, o ápice, o parlamento dá um golpe de estado, não tem culhão para manter o golpe, e passa o governo para os militares, resultado: 21 anos de regime militar, mas, de ditadura a gente entende, afinal, “um povo que não sabe escovar os dentes não merece votar”.

Já na era contemporânea, temos a redemocratização que, se inicia, com a eleição indireta de um cadáver. Como defunto não governa, assume o vice que atola o país em inflação, seu sucessor confisca o dinheiro de geral e é impichado por causa de um carro velho. Seu vice assume, planeja uma moeda forte que seu sucessor coloca em circulação. Vemos um presidente representante do proletariado facilitar a vida de banqueiros e alavancar seus lucros como “nunca antes na história desse país”. O dito presidente mergulha em corrupção, fica sem teto e se vê obrigado a morar num tríplex e no sítio de um amigo, coitado. A miséria era tão grande que nem sinal de telefone tinha no sítio, foi necessário o filho dele instalar uma torre de celular no quintal para o coitado se comunicar.

Depois disso, ganhamos uma lei para obrigar o povo a chamar a presidente de “presidenta” porque ela achava mais feminino. Feminina mesmo foi a pedalada que a derrubou, assume o senhor das mesóclises e, por fim, o deputado do baixo clero, viciado em pão de sal com leite condensado (eca) chega à presidência, mas desse falo nas próximas semanas porque o que não falta é assunto, taokei?

E pra quê fiz esse resumo histórico? Para te mostrar que, em nossa pátria amada, temos episódios que, sinceramente, acho que só acontecem aqui. Além disso, serviu para endossar que Tom Jobim tinha razão. Ou você acha que é fácil explicar para uma pessoa civilizada que, no Brasil, você precisa avisar, através de placa, que é proibido urinar no chão.

A partir de hoje, semanalmente, vou me propor a tentar explicar o Brasil para brasileiros através dessa humilde coluna, venha comigo, abra sua mente e prepare-se, afinal, o Brasil não é para amadores.

Professor de Humanidades da rede pública, graduado em História, Geografia e Sociologia, especialista em Ciência Política e Antropologia, coordenador acadêmico e, agora, colunista DiBahia. Missões: Explicar o Brasil para os brasileiros e expor a hipocrisia das ELITES RELIGIOSAS de nossa região.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. estefane

    24 de Março, 2021 at 12:46

    Adorei👏❤

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Guns N’ Roses: banda vai se apresentar no Rock In Rio 2022

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Segundo o jornalista José Norberto Flesch, a banda norte-americana Guns N’ Roses será uma das atrações da próxima edição do Rock In Rio, que vai acontecer em setembro de 2022 (dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11). A informação foi divulgada em vídeo compartilhado pelo jornalista em seu canal do Youtube, na noite desta terça-feira (14 de setembro).

Por enquanto, as bandas de rock and roll e heavy metal confirmadas no festival são Iron Maiden, Sepultura, Dream Theater e Megadeth.

Leia mais em: Whiplash.net

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