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Porto Seguro

Os sons da cidade: de variados e silenciados

Músicos na tirada da Esmola de São Benedito, década de 1980.

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Músicos na tirada da Esmola de São Benedito, década de 1980.
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Não é difícil perceber que Porto Seguro é uma cidade musical. Dos agitados palcos de axé das barracas de praia às frenéticas batalhas de hap no Baianão, uma diversidade de sons delineia, com diferentes vibrações e intensidades, a própria dinâmica da vida porto-segurense. São sons de diversão, de trabalho, de devoção, de natureza, de descanso e de contemplação. Sons batucados, cantados, falados e até mesmo silenciados. Em uma tentativa simples de definição: são sonoras expressões de histórias, de saberes, de desejos, de fazeres, de sonhos e de quereres.

Alguns personagens locais incorporaram a imagem dos sons da cidade. Quem não se lembra de Jairinho quando se fala no Jegue Elétrico? Quem não se recorda de Ari Sobral quando se rememora as antigas e agitadas noites arraianas? Quem não imagina Chapoca quando a Filarmônica 2 de Julho passa pelas ruas tocando seus dobrados? Quem não ouve Carlinhos quando se grita “Lá vem elas”? Quem não se lembra de Litinho Vieira quando se resgata a época do Porto Prego? Nestes casos, os sons se personificam, sem sombra de dúvida. Todavia, muitos sons da cidade foram silenciados, não simplesmente pelo desaparecimento de personagens, mas pelo sufocamento do povo, da cultura local.

Antigamente, a cidade tinha sons que marcavam o compasso da fé, a ritualidade das obrigações, as conexões com o sobrenatural. Esses sons tinham, às vezes, uma força introspectiva cortante, como o arrombo da voz forte, rouca e firme de Jorge Luiz cantando “Alma de Cristo” após a comunhão eucarística nas missas solenes dos antigos dias santos da Pena ou da Ajuda. Ou traziam uma marca devocional quase carnavalesca, como as tiradas de esmolas dos santos organizadas pelas irmandades e o cucumbi dos escravos realizado na cidade alta, com “chulas obrigadas à pandeiro, violas, sanfonas e palmas em honra a São Benedito”, como noticiou o Correio de Porto Seguro, de 25 de julho de 1913. Mas, também, pode ter a singela magia e o doce encantamento das entoadas cantadas para fechar o corpo, para chamar os guias ou para embalar o rito cerimonial curativo, como fazia a rezadeira e parteira Mariinha Lage, cantando:

As forças de Deus é grande
Com ela ninguém não pode
As forças de é grande
Só Deus e Nossa Senhora
Caboclo toma sentido
Caboclo tu olha lá
A língua que fala muito
É o teu corpo que vai pagar!

Com notas de alegria e irreverência, a cidade também sempre possuiu sons de muitos divertimentos. Antes dos trios elétricos chegarem nessa terra, inicialmente pelas mãos engenhosas e ouvidos sensíveis do finado Souzinha, os sons ganhavam as ruas nos ajuntamentos populares, nos festejos tradicionais e nas celebrações públicas do calendário cívico e religioso. Nos tempos de outrora, os versos rimados e engraçados do músico e poeta José de Oliveira animavam as festas de Vale Verde, trazendo para o ritmo saracoteado produzido pelos tambores, pandeiros e rabecas letras que mesclavam a vida cotidiana dos caboclos do vilarejo com a vida sacralizada dos santos e dos políticos.  Na festa momesca na cidade baixa de Porto Seguro, blocos de mascarados e cordões carnavalescos dominavam a cena, com o colorido de seus estandartes, de suas fantasias e de seus adereços, acrescido da agitação sonora de cavaquinhos, cuícas, bumbos, maracás e pandeiros. De uma hora para outra, podia-se ser surpreendido pelo apito do Pajé Chiquinho de Tirburtino, comandante do Cordão dos Índios ou Cordão dos Caboclos, que, com fôlego e firmeza, puxava a cantoria:

Eu avistei a torre da igreja
Eu avistei a torre da igreja
Pois é a ela que devemos chegar
Deus nos salve, Deus nos salve a nossa aldeia
Ô Deus nos salve a nossa aldeia, arriá!

Nem todos os sons que se ouvia na cidade expressavam divertimento. Às vezes, eles surgiam para atenuar a dura e sufocante rotina do trabalho. Eles traduziam as angústias, retratavam as superações, revelavam as experiências e estimulavam a esperança. No tempo das carroças, era fácil confundir os sentimentos ao ouvir o som estrepitoso e penetrante do assobio de Cainana, cantarolando a vida entre as idas e voltas dos transportes de pedra, de terra, de madeira, de tudo. No tempo da mariscagem, quando a alimentação diária das famílias da cidade dependia do movimento das marés, podia-se ouvir as moças e velhas senhoras solfejar a esperança de uma boa moqueca, cantando:

Na maré que Deus secá
Quando as pedras ficá de fora
É bom pra pegá ouriço.

Ou, no tempo das lavandeiras, quando o caminho do rio da Vila era dominado por fortes e guerreiras mulheres com trouxas de roupas na cabeça, que, com maestria e simplicidade, equilibravam o corpo e a vida na busca do sustento familiar, lavando os panos brancos das famílias ricas da cidade, podia-se ouvir outros cantos de trabalho. Como dizia dona Edite, negra senhora octogenária e antiga lavandeira, com as entoadas se alegrava o trabalho, sem esquecer as amarguras da vida:

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Legenda: Cordão dos Índios, década de 1970

Lavandeira tu tá doida
Foi minha sinhá que mandou
Lavar a roupa
Foi minha sinhá que mandou
Lavar a roupa
Lava, lava, lavandeira
Lava a roupa da minha sinhá
Já lavei, já enxuguei, já botei para secar
Lava, lava, lavandeira
Lavar vá!

Desses cantos de outrora, pouca coisa ainda hoje se ouve pelas ruas da cidade. Os ecos só ressoam fortemente nas memórias saudosistas dos antigos moradores. Não tem mais os Ternos, os Bailes, os Cordões. Não tem mais Mané de Cristo, nem Jonga, nem Biriu. A chegada rápida, violenta e volumosa dos adventícios, silenciou muitos sons da cidade. E os poderes públicos se silenciaram diante da necessidade ainda latente de uma política de memória em Porto Seguro. Como maior símbolo de resistência aos tempos da modernagem, Trancoso ainda mantém com vitalidade, na festa do Santo Mártir, no dia 20 de janeiro, o singular som do samba de couro, fazendo manter viva a memória de João de Antídio a puxar a cantoria:

São Sebastião, ô, chegou o dia
São Sebastião, ô, chegou o dia
Viemos festejar com toda alegria
Viemos festejar com toda alegria!

Francisco Cancela Além do Descobrimento O professor e pesquisador Francisco Cancela assina a coluna Além do Descobrimento, todas as sextas-feiras, onde compartilha com os leitores do DiBahia as curiosidades sobre a história e o patrimônio cultural da cidade, revelando que Porto Seguro é muito mais que o Descobrimento.

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Porto Seguro

4º edição do Dia Mundial da Limpeza

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O Brasil é um dos 180 países que realizará a 4º edição da maior ação cívica mundial –
“World Cleanup Day”

No sábado, 18 de setembro, a campanha World Cleanup day – Dia Mundial da Limpeza, promove mobilização para limpezas ambientais, digitais, mentais e solidárias. As ações serão realizadas em casa e ainda realizará drive-thru para coleta de resíduos em várias cidades do Brasil.

Devido à pandemia da covid-19, a ação terá um formato diferente, a limpeza de praias com mutirões não será realizada, entretanto, será realizado pequenos grupos fechados nas praias.

Confira as praias que serão realizadas a ação e os pontos de encontro:

Em Porto Seguro, as ações de limpeza acontecerão na orla norte, a saber: Praia do Centro, ponto de encontro na Praça das Pitangueiras; Praia Boca da Barra, ponto de encontro no Campo de Futebol de Areia na Orla Norte; Praia de Itacimirim, ponto de encontro, Barraca Manito Praia; Praia de Mundaí, ponto de encontro, Barraca Colher de Pau; Praia de Taperapuan, Ponto de encontro, Cabana Malibú, Cabana Área beach, Barraca Kaiambá, Barraca do Gaúcho; Praia Ponta Grande, Ponto de encontro, Local onde era a antiga barraca do Restaurante Farol da Praia, atual ponto de ambulantes e a Praia do Mutá, Ponto de encontro, Barraca Macuco e Gino Restaurante, Grupo La Torre e também na orla sul, em Arraial, saindo da Praia dos Pescadores às 7:30 até o Bar de Praia Sting, sendo que a triagem será realizada na Praia da Pousada Canto da Alvorada. Haverá também uma apresentação dos drs. Alegria Dajuda e suas turmas às 10h. da manhã no Palco do Sting Bar.

Cada voluntário poderá participar também da campanha da separação dos resíduos,
dentro de sua própria casa, fazendo em seguida o descarte ecologicamente correto nos
Ecopontos e Drive-Thru.

O Instituto Socioambiental Plogging Porto Seguro recebeu este ano o apoio da Secretaria
do Meio Ambiente de maneira muito participativa, cujo apoio se estende a todo
município, participando também a de Serviços Urbanos, Secretaria de Educação e outras
Secretarias.

Ainda, no Dia Mundial da Limpeza, (18), com o apoio da municipalidade será instalado
um Drive-Thru AMBIENTAL no Campo de Futebol de Areia, na Praia Boca da Barra, tendo com objetivo realizar triagem do lixo recolhido das praias.

Para ter acesso a toda programação do evento, acesse o LimpaBrasil.

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