Conecte-se conosco

Mundo

Apuração dos votos no Equador tem virada, e 2º turno segue indefinido; entenda o que pode acontecer

Publicado

em

Andrés Arauz, economista de 35 anos, obteve o maior número de votos e está garantido no próximo turno. A briga pelo segundo lugar segue voto a voto entre ex-banqueiro e advogado ambientalista.

Votos das eleições presidenciais no Equador são digitalizados em Quito, em foto de 8 de fevereiro — Foto: Rodrigo Buendía/AFP
Votos das eleições presidenciais no Equador são digitalizados em Quito, em foto de 8 de fevereiro — Foto: Rodrigo Buendía/AFP

Equador ainda não sabe quem vai enfrentar o economista Andrés Arauz no segundo turno das eleições presidenciais, em abril. O candidato apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa teve o maior número de votos e está garantido na próxima votação, mas a disputa pelo segundo lugar continua indefinida nesta quinta-feira (11).

De acordo com as autoridades eleitorais, o ex-banqueiro Guillermo Lasso assumiu a segunda colocação na noite de quarta ao ultrapassar o líder indígena e ambientalista Yaku Pérez. A diferença entre os dois candidatos é inferior a um ponto percentual. Falta contar pouco mais de 1% dos votos.

A razão para a demora na contagem, segundo o jornal “El Comercio”, é que o Conselho Nacional Eleitoral está revisando as “atas com novidades”. Trata-se de boletins eleitorais com problemas de verificação, como falta de assinatura dos chefes de seção.

Com a virada, apoiadores de Pérez prometem manifestações para acusar as autoridades de “fraude eleitoral”. Do outro lado, Lasso prometeu, caso seja confirmado no segundo turno, levar adiante as demandas dos candidatos derrotados — o ex-banqueiro representa o setor liberal-conservador da política equatoriana, mas obteve votação abaixo da esperada.

Entenda abaixo cenário das eleições equatorianas e da lenta contagem dos votos:

O que está definido até agora?

Andrés Arauz, candidato à presidência do Equador, participa de entrevista coletiva em Quito na terça-feira (9) — Foto: Rodrigo Buendía/AFP
Andrés Arauz, candidato à presidência do Equador, participa de entrevista coletiva em Quito na terça-feira (9) — Foto: Rodrigo Buendía/AFP

A única definição até o momento é que Andrés Arauz, da coalizão União Pela Esperança, estará no segundo turno. Independentemente da contagem e da revisão das atas, o economista de 35 anos obteve mais de 30% dos votos e não pode ser alcançado ainda neste 1º turno pelos demais candidatos.

Arauz tem o apoio do ex-presidente Rafael Correa, figura que divide opiniões no Equador. Correa foi condenado à prisão por corrupção, mas vive na Bélgica e, portanto, não cumpre pena.

De um lado, parte do eleitorado acredita que o pacote de estímulos prometidos pelo “correísta” pode levantar a economia equatoriana após a pandemia do coronavírus — que afetou fortemente o Equador — e a crise política de 2019. De outro, há uma desconfiança em cima de Arauz pelo apoio que recebe de um ex-presidente condenado por corrupção.

Quem concorre pela vaga no segundo turno?

Imagens das eleições no Equador; Yaku Pérez, Guillermo Lasso e Andrés Arauz em campanha — Foto: Reuters
Imagens das eleições no Equador; Yaku Pérez, Guillermo Lasso e Andrés Arauz em campanha — Foto: Reuters

Na tarde desta quinta, com pouco mais de 19% dos votos cada, o ex-banqueiro Guillermo Lasso e o advogado ambientalista e indigenista Yaku Pérez estavam em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Ambos disputam voto a voto e estão em posições bem distintas no espectro político:

  • Guillermo Lasso, Criando Oportunidades (CREO) — Derrotado no segundo turno por Lenín Moreno em 2017, Lasso é um tradicional candidato da direita do Equador, com discurso de austeridade no campo econômico.
  • Yaku Pérez, Pachakutik — Pérez ganhou força com os protestos contra o governo de Lenín Moreno, em 2019. O candidato promete apertar as regras de exploração mineral em terras indígenas e adota uma agenda de estímulos para reaquecer a economia.

Por que a demora?

Autoridades eleitorais participam de recontagem dos votos das eleições presidenciais do Equador, em 8 de fevereiro — Foto: Rodrigo Buendia/AFP
Autoridades eleitorais participam de recontagem dos votos das eleições presidenciais do Equador, em 8 de fevereiro — Foto: Rodrigo Buendia/AFP

Surpreendendo as pesquisas, que apontavam um segundo turno entre Arauz e Lasso com uma vantagem até folgada contra os demais candidatos, Yaku Pérez obteve uma votação muito próxima à do ex-banqueiro. Pela apuração, pode ser que a distância do segundo para o terceiro colocado fique inferior a um ponto percentual.

Com isso, as autoridades eleitorais do Equador estão contando as atas eleitorais com defeitos: as chamadas “atas com novidades”. São verificados todos os boletins de urna que poderiam ser descartados caso uma contagem mais minuciosa não fosse necessária. Por exemplo, se a margem entre os candidatos estivesse grande o suficiente para declarar o primeiro e o segundo colocado.

De acordo com o jornal “El Comercio”, há 433 atas ainda em revisão. Isso corresponde a cerca de 1% dos votos, ou algo em torno de 18 mil votos. As duas províncias com mais boletins de urna nessa situação são Guayas — a mais populosa do país — e Morona Santiago, no oeste.

Quais as reações no país?

Guillermo Lasso, candidato a presidente do Equador, dá entrevista coletiva em 8 de fevereiro — Foto: Jose Sanchez Lindao/AFP
Guillermo Lasso, candidato a presidente do Equador, dá entrevista coletiva em 8 de fevereiro — Foto: Jose Sanchez Lindao/AFP

virada de Lasso sobre Pérez na briga pelo segundo turno repercutiu entre os candidatos, que se reorganizam para a próxima etapa das eleições equatorianas.

Lasso — que, mesmo se confirmada a passagem para o segundo turno, terá menos votos do que o esperado — prometeu avaliar propostas de outros candidatos derrotado na fase seguinte. “Não tenho nenhum problema em incluir no nosso programa de governo, como obrigação com todo o povo equatoriano, as propostas de setores cidadãos que votaram em outros candidatos”, disse, sem especificar que políticas seriam essas.

Candidato Yaku Pérez lidera manifestação em Quito nesta quinta (11) contra resultado das eleições do Equador — Foto: Rodrigo Buendia/AFP
Candidato Yaku Pérez lidera manifestação em Quito nesta quinta (11) contra resultado das eleições do Equador — Foto: Rodrigo Buendia/AFP

Do outro lado, Pérez acusa as autoridades de fraude e disse que “a democracia está ferida”. O candidato argumentou na quarta-feira que o conselho eleitoral não quis mostrar na contagem as atas que estariam, na visão dele, fraudadas. Ele anunciou que vai pedir investigação e recontagem dos votos à Controladoria Geral do Estado.

Por fora, o candidato Xavier Hervas, que chegou em quarto lugar com votação bem maior do que a esperada, disse que apoiará um modelo “não correísta” para o Equador. Na centro-esquerda, ele pode ser o fiel da balança no segundo turno e oficializar o apoio tanto a Perez quanto a Lasso como oposição ao correísmo de Arauz.

O que está em jogo nestas eleições?

Eleitores fazem fila em Guayaquil, no Equador, em 7 de fevereiro de 2021 — Foto: Maria Fernanda Landin/Reuters
Eleitores fazem fila em Guayaquil, no Equador, em 7 de fevereiro de 2021 — Foto: Maria Fernanda Landin/Reuters

O Equador precisa se recuperar de dois anos especialmente traumáticos para o país:

  • 2019 — O anúncio do fim de subsídios aos combustíveis foi estopim para uma crise política generalizada que gerou protestos em todo o Equador, sob lideranças indígenas. A repressão foi forte, e houve mortes e toques de recolher.
  • 2020 — A pandemia do coronavírus levou Guayaquil, maior cidade do país, a um caos hospitalar e funerário em abril, com corpos deixados abandonados nas ruas. Moradores flagraram urubus voando sobre as casas no auge da crise.

Diante da crise, o atual presidente, Lenín Moreno, não quis sequer se candidatar à reeleição. O mandatário ficou isolado politicamente e recebeu críticas de praticamente todos os lados no Equador pela má condução do país em ambas as crises. Ele deixa o cargo em 24 de maio.

Continue lendo
Propaganda
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mundo

Caos e revolta na chegada de haitianos a aeroporto deportados dos EUA

Publicado

em

Por

Voiced by Amazon Polly

Imagens de vídeo registradas no aeroporto mostram pessoas lutando para pegar seus pertences pessoais depois que as bagagens foram jogadas de dentro do avião oriundo dos EUA. Há relatos de que alguns migrantes não foram informados de que seriam enviados de volta ao Haiti.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, houve dois incidentes relacionados aos voos que levaram os haitianos de volta.

A emissora de televisão NBC News apurou que os pilotos de um dos voos foram agredidos na chegada ao Haiti e que três oficiais da imigração dos EUA também ficaram feridos.

Pessoas buscam seus pertences em aeroporto haitiano
Legenda da foto,Pertences dos deportados foram jogados da aeronave que os trouxe dos EUA

Em um incidente separado no estado americano do Texas, um grupo de haitianos teria lutado contra guardas de fronteira do governo dos EUA e tentado escapar após perceber que seriam deportados. Eles estavam sendo transportados em um ônibus da cidade de Brownsville para Del Rio.

“Quando os migrantes descobriram que seriam enviados de volta ao Haiti, tomaram o ônibus e fugiram”, disse Brandon Judd, presidente do Conselho Nacional de Patrulha de Fronteira.

A deportação de migrantes foi criticada pela Partners In Health, ONG que atua no país.

“Durante um período desafiador e perigoso para o Haiti, é inconcebível e cruel mandar homens, mulheres e crianças de volta para o que muitos deles nem mesmo chamam mais de ‘casa’.”

Muitos haitianos deixaram o país após um terremoto devastador em 2010, e um grande número dos que estavam no campo vivia no Brasil ou em outros países da América do Sul e viajou para o norte depois de não conseguirem encontrar empregos ou situação legal.

Continue lendo

Copyright © 2021 DiBahia CNPJ: 41.275.067/0001-16