Conecte-se conosco

Brasil

O polêmico número 24

Publicado

em

Voiced by Amazon Polly

No último dia 30 de julho, a pedido de um grupo LGBT, a justiça do estado do Rio de Janeiro, exigiu que a CBF justificasse o porquê de nenhum dos jogadores convocados para a disputa da copa américa, utilizarem o número 24 nas costas de suas camisas. Sob pena de multa diária em caso de não cumprimento dessa determinação judicial, a confederação brasileira de futebol, respondeu dentro do tempo concedido. Que a escolha dos números pelos jogadores se faz de acordo ao seu posicionamento dentro de campo (zagueiro, meio campo, atacante) e por mera liberalidade. Que no caso, o jogador da sequência numérica dos 24 convocados, Douglas Luiz, escolheu de livre e espontânea vontade o número 25, mas que poderia ter sido qualquer outro como 24,26,27 ou 28.

                A grande verdade é que o número da camisa de um jogador sinceramente não importa e sim seu comportamento dentro e fora de campo. Existem várias ações que podemos medir o nível de respeito pelas diferenças sociais, raciais, opções sexuais, religiosas e etc, que um indivíduo possui pelo outro. Mas será que uma dessas ações é utilizar um número ligado a uma brincadeira juvenil pateta? Número que por causa do jogo do bicho, que é uma contravenção federal, tem o 24 referenciado ao animal veado. Sei que esse é um termo pejorativo e os ofendidos possuem todo direito de reclamar, mas o que quero expor aqui é que perde-se muito tempo com situações tão irrelevantes e pequenas, frente a problemas tão grandes e que mereciam uma atenção especial.

                Exemplo é o Brasil estar a anos no topo de assassinatos, agressões físicas e verbais a pessoas homo afetivas. Isso é claro, em um ranking apenas com países do mundo livre, que são lugares que as pessoas possuem liberdade de expressar sua opção sexual. Ao contrário de alguns países, na maioria mulçumanos, que criminalizam tais atitudes com prisão e até a morte. Fora outros problemas como, as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho que em alguns caos pode levar a prostituição, discriminação, falta de representatividade política, abandono da vida escolar, falta de apoio familiar e muitos outros. Mas o grande problema é a seleção brasileira não usar o número 24… Essa parece ser a necessidade de parte dos grupos LGBT, de apenas “lacrar” fingindo que defende uma causa para ganhar visibilidade e holofote. Que questões que realmente mudariam a vida das pessoas, ficam para segundo, terceiro plano ou nunca são executados.

                Já a questão judicial, chama a atenção pela velocidade que agiu nessa caso que não interferiu e não irá interferir em absolutamente nada na vida das pessoas a não ser da manchetes para uma mídia lacradora e “click bait”. Enquanto isso nosso sistema prisional agoniza com a superlotação de quase 700 mil presos, enquanto a capacidade de nossas prisões é de em cerca 440mil. Sendo que desse total de presos mais de 30% não foram julgados, o que leva muitos indivíduos a ficarem presos por anos, aguardando seus julgamentos. Em muitos casos o tempo de espera é maior que a própria pena ou até mesmo pessoas pressas injustamente, ficam à mercê da justiça brasileira para poderem ter o direito de defesa. Não sou referência na área de direito, sei que meu exemplo foi na área criminal e a situação com a seleção brasileira na área civil. O meu ensejo é expor de modo geral, como a justiça do Brasil caminha a seu bel prazer, acelerando ou diminuindo o ritmo conforme o desejo de quem os guia e não conforme a necessidade de quem precisa de seus serviços, o povo.

                Mas mesmo assim, na minha opinião a grande responsável por essa tempestade em copo d’agua, é de novo a mídia. Que não vive sem uma notícia de cunho politizado, para dar embasamento a suas narrativas pitorescas. O fato que tudo isso aconteceu 2 dias após o dia internacional do orgulho LGBT, que corretamente defende direitos iguais e respeito a essa comunidade. Por esse motivo os jornais não perderam tempo ao divulgar esse acontecimento, mesmo com todo sua bizarrice, pois era para demonstrar apoio ao movimento LGBT. Mesmo que tal atitude diretamente não ajude em nada nessa causa e seja mais pirotecnia política. O grande problema é que para se fazer isso, se coloca em cheque a integridade ética e social de toda a confederação brasileira de futebol, de toda comissão técnica e de todos os jogadores, julgando-os como homofóbicos.  

                E tudo isso, por causa de um número 24 em uma camisa. Que se fosse realmente esse o problema, porque não temos esse questionamento realizado a nível dos times brasileiros? Um rápido levantamento dos 20 clubes da série A do campeonato brasileiro, indica que apenas 5 clubes (Redbull-brangantino, Santos, Corinthians, Grêmio e América-MG) possuem algum jogador usa a camisa 24. Com base nessas informações, seria justo então afirmar que 75% dos clubes, o que incluem, dirigentes, funcionários, comissões técnicas e jogadores, sejam preconceituosos, contra direitos dos homoafetivos, homofóbicos e talvez até potenciais agressores? Acho que tal conclusão seria no mínimo leviana, o que faz dessa polêmica com essa numeração das camisas, ser extremamente desnecessária e infeliz. O que realmente é preciso e que poucos defendem, é uma educação de qualidade para todos, o que levaria as pessoas respeitarem o próximo independente de suas diferenças seja lá, quais sejam elas.               

Empresário do ramo da construção civil - Presidente da Uni Líderes, união de líderes empresariais de Porto Seguro - Graduado em Administração de Empresas - Morador de Porto Seguro a 25 anos - Colunista sobre empreendedorismo, economia e política

Continue lendo
Propaganda
2 Comments

2 Comentários

  1. Leonardo Bomfim

    27 de Julho, 2021 at 00:54

    Excelente texto!!

    • Kevin Eleto

      27 de Julho, 2021 at 18:38

      Muito obrigado, o reconhecimento do leitor é o nosso combustível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Brasil

Eduardo Bolsonaro diz que contraiu Covid

Publicado

em

Por

Voiced by Amazon Polly

Integrante da comitiva presidencial em NY, Eduardo Bolsonaro diz que contraiu Covid.

Deputado e filho do presidente Jair Bolsonaro fez anúncio em rede social. Há três dias, ministro Marcelo Queiroga (Saúde) constatou que também tem a doença e ficou em quarentena nos EUA.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, disse nesta sexta-feira (24) numa rede social que está com Covid.

Ele estava na comitiva do governo que foi no início da semana a Nova York, onde o presidente Jair Bolsonaro participou da Assembleia Geral das Nações Unidas. Há três dias, outro integrante da comitiva teve resultado positivo em teste de Covid: o ministro da Saúde Marcelo Queiroga. De acordo com apuração da TV Globo, antes de Queiroga, um diplomata da comitiva foi diagnosticado com Covid. O governo não confirma a informação nem revela o nome do servidor.

Continue lendo

Copyright © 2021 DiBahia CNPJ: 41.275.067/0001-16