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Uso consciente de recursos Públicos

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Um dos conceitos bases mais importantes da administração, que é ensinado logo nos primeiros semestres aos alunos do curso de administração de empresas, é “fazer mais com menos” ou como alguns teóricos afirmam “mais output com menos input”. Isso significa de modo geral, produzir mais com menos recursos, otimizando assim a produção e seus resultados. Esse objetivo pode ser atingido de diversas formas como: insumos e matérias primas de melhor qualidade, capacitação dos profissionais/colaboradores, aprimoramento dos processos e principalmente melhor utilização dos recursos financeiros. Mas do que nunca, devido as consequências econômicas geradas pela pandemia de covid19, as empresas em geral estão se reestruturando para se manterem competitivas no mercado, garantindo a mesma qualidade (as vezes até aumentando-a) nos seus serviços e produtos, tudo isso utilizando seus recursos de maneira mais consciente. Até mesmo muitas pessoas estão na gestão de suas casas e finanças pessoais fazendo uso desse conceito, afim de equilibrar as contas e garantindo seus padrões de vida.

                Porem quando adentramos na iniciativa pública, tais conceitos dificilmente são aplicados, podemos facilmente perceber que para governos, sejam eles municipais, estaduais ou do âmbito federal, que a “torneira” dos recursos financeiros sempre estão abertas, de maneira até indiscriminada. Raramente lemos notícias de obras públicas que foram concluídas com o mesmo valor na qual foram orçadas, o mais comum são notícias como a construção do estádio Fonte Nova em Salvador no ano de 2010, orçada em 689 milhões porem com custo aos cofre públicos no final de 1,5 bilhão de reais. Obvio que nesse caso e em vários outros estão os fatores corrupção e desvio de verbas, que nessa conjuntura está sendo investigado pelas autoridades competentes, tema esse, que em breve iremos abordar na minha coluna semanal do Dibahia. Mas o objetivo desse artigo de hoje é ilustrar de maneira clara, que pequenas ações na gestão pública com foco no uso sustentável dos recursos financeiros e do seu melhor aproveitamento, podem impactar diretamente na vida de milhares de pessoas de maneira positiva.

                Em um contexto municipal quero focar no início do ano letivo da câmara dos vereadores de Porto Seguro, quando dois vereadores; Vinicius Parracho e Anderson Ricelli, abriram mão de dois benefícios legalmente oferecidos aos ocupantes dessa cargo legislativo municipal, que são eles; um plano de celular e uma cota de 50 litros de gasolina ambos mensais. Na sessão da câmara realizada no dia 11 de fevereiro, o vereador Dilmo Santiago, parabenizou quem havia dispensado essas vantagens, porem também parabenizou quem não havia feito, afirmou que esses valores eram direitos dos vereadores para ajudar a custear suas despesas na atuação de seu exercício, visitando todos os povoados da cidade, até os mais remotos. A também vereadora Lia Arigatô, usou suas redes sociais para justificar a sua não renuncia desses itens, afirmou que nos quase 20 anos atuando na defesa e cuidado de animais abandonados, utilizou e ainda utiliza recursos próprios para financiar essa causa e que utilizaria esses benefícios para amenizar seus custos no projeto.

                Não busco através desse artigo engrandecer quem abdicou desses benefícios e muito menos demonizar os que não aderiram, mas sim exemplificar de maneira simples o uso consciente de recursos públicos. O referido plano de celular possui o custo de 137,00 reais por vereador, e a cota mensal de 50 litros de gasolina de 300,00 reais, levando em consideração o valor de 6,00 reais por litros, que é a média atual que está sendo praticada na região de nossa cidade. Temos então um custo de 437,00 mensais apenas nesses dois auxílios, o que acarreta a 20.976,00 reais utilizados em 4 anos de mandato de um único vereador. Se todos os 17 vereadores que constituem a câmara municipal de Porto Seguro, também abdicassem do plano de celular e da cota de gasolina, teríamos uma economia de 356.592,00 reais aos cofres públicos municipais. Agora vamos constatar o que seria possível ser feito com toda essa verba:

  • Reforma de uma grande praça completa, com implantação de parquinho infantil, paisagismo, iluminação e academia publica ao ar livre.
  • Reforma de pelo menos 3 quadras poliesportivas, incluindo alambrado, pintura, traves e iluminação.
  • Implantação de 5 academia públicas ao ar livre com 10 equipamentos diversos em aço inox, em praças diferentes praças da cidade.
  • Construção de 900 metros lineares de parapeito de ferro galvanizado a fogo, na extensão do cais da passarela do álcool.
  • Reforma de uma pequena unidade de escola ou creche.
  • Reforma de uma UBS (Unidade Básica de Saúde)
  • Pagamento de 324 salários de servidores básicos da prefeitura.

Esses são somente algumas ações que poderiam ser feitas, com a economia de apenas dois simples benefícios aos 17 vereadores da cidade. É preciso urgentemente repensar a forma de se utilizar os recursos públicos, afim de utilizar eles de forma que beneficie a maior número o possível de contribuintes e cidadãos. O pensamento expressado pelo Dilmo Santiago, não está incorreto, é de direito dele utilizar tais benefícios, porém mais do que nunca se faz necessário mudar a mentalidade em prol da melhoria da vida da população. Segundo o TCM o salário de um vereador portosegurense é de 12.800,00 bruto, valor esse bem acima da média de proventos recebidos pelos habitantes dessa cidade e valor esse sendo perfeitamente razoável para a prestação das atividade inerentes ao cargo de vereador, levando em consideração também que o exercício desse cargo legislativo, e sua demanda de carga horaria relativamente baixa, possibilita o vereador a atuar em outras frentes de trabalho, seja; como empresário, autônomo, empregado CLT ou empregado no setor público, desde que não haja incompatibilidade de horário, priorizando é claro as necessidades do cargo de vereador.

Fica nítido que não serão cerca de 437,00 reais mensais que farão tamanha diferença na vida financeira de um vereador, o mais importante é valorizarmos cada centavo provindo do suado pagamento de impostos e revertermos essa verba em ações diretas ao bem estar da população. Esse case dos benefícios dos vereadores de Porto Seguro, são apenas a pontinha do “iceberg” do enorme universo de possibilidades que os agentes públicos possuem em tratar esses recursos de maneira mais racional, consciente e sustentável. Acredito muito que uma das características mais importantes de um servidor público exemplar, é o entendimento que ele está trabalhando para atender o os interesses de todos e não apenas os seus ou os de alguns. Infelizmente o ponto de vista explicado pela Lia Arigatô, vai contra esse bom entendimento do bom servidor público, pois ela afirmar que irá utilizar um benefício provindo de seu cargo como vereadora, para ajudar a custear seu projeto, é um claro indicio que ela está mais focada e engajada na causa dos animais abandonados do que nas tantas causas que envolvem o município.  

Vejam que não existe problema nenhum no trabalho filantrópico realizado pela vereadora, eu mesmo por exemplo sou um profundo admirador dessas atividades prestadas por ela, atuando até mesmo na falta de ações do setor público local, porem na minha opinião existem outros meios de se conseguir verbas para o sustento desse projeto, que não sejam provindos de benefícios ligados ao seu cargo no legislativo, que é referente a defesa de toda a cidade e não somente de uma causa exclusiva, eticamente  falando esse benefício não está cumprindo sua função para a qual foi criada. A imagem ilustrativa desse artigo, pode parecer um por exagerada ou apelativa e de certa forma ela foi escolhida para chocar e chamar atenção dos leitores, conduto é exatamente isso que ocorre quando não se trata o dinheiro público com o devido cuidado, respeitando o contribuinte, obedecendo sua função e atento principalmente no atendimento do maior número possível de pessoas, visando o bem estar delas e melhorando suas vidas.

Empresário do ramo da construção civil - Presidente da Uni Líderes, união de líderes empresariais de Porto Seguro - Graduado em Administração de Empresas - Morador de Porto Seguro a 25 anos - Colunista sobre empreendedorismo, economia e política

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Eduardo Bolsonaro diz que contraiu Covid

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Integrante da comitiva presidencial em NY, Eduardo Bolsonaro diz que contraiu Covid.

Deputado e filho do presidente Jair Bolsonaro fez anúncio em rede social. Há três dias, ministro Marcelo Queiroga (Saúde) constatou que também tem a doença e ficou em quarentena nos EUA.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, disse nesta sexta-feira (24) numa rede social que está com Covid.

Ele estava na comitiva do governo que foi no início da semana a Nova York, onde o presidente Jair Bolsonaro participou da Assembleia Geral das Nações Unidas. Há três dias, outro integrante da comitiva teve resultado positivo em teste de Covid: o ministro da Saúde Marcelo Queiroga. De acordo com apuração da TV Globo, antes de Queiroga, um diplomata da comitiva foi diagnosticado com Covid. O governo não confirma a informação nem revela o nome do servidor.

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