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O Governo Bolsonaro é Conservador?

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Desde antes mesmo de 2018, temos visto vários ativistas se intitulando a “direita conservadora”, assim como vários políticos, em sua maioria apoiadores de Bolsonaro, que também declara ser um conservador. Acontece que provavelmente se Bolsonaro ou um de seus seguidores ficassem frente a frente com Russel Kirk ou Michael Oakshott, haveriam pouquíssimas concordâncias. Para entendermos porque Jair Bolsonaro não é um conservador, primeiro precisamos entender o que é o conservadorismo, e para isso, devemos entender a sua história.

É consenso entre vários historiadores que Edmund Burke foi o fundador do conservadorismo moderno. Apesar de ter escrito por toda a sua vida, foram as reflexões dos seus últimos 7 anos que ficaram mais famosas. No final de sua vida, Edmund Burke se dedicou à crítica do radical Iluminismo francês e à revolução francesa, que ele acreditava ter sido influenciada pelos ideais iluministas. Burke advogou pela prudência, pelo ceticismo político, e afirmava que devemos conservar aquilo que manteve a sociedade de pé. Por isso, Burke afirmava que era fundamental conservarmos as boas tradições e instituições. Ao contrário do que se acredita do conservadorismo, ele não tem o propósito de resgatar “glórias passadas” ou de conservar tudo na sociedade, apenas as coisas que funcionam, e as que não funcionam, devem ser reformadas, não eliminadas de maneira brusca através de revoluções, pois o resultado de insurgências deste tipo são imprevisíveis, e frequentemente levam ao surgimento de regimes piores que os anteriores.

Outro fator importante do conservadorismo é que ele não é uma ideologia, sendo diferente em todo lugar onde é aplicado. Tampouco é uma filosofia meramente política, o conservador é conservador em todos os aspectos em sua vida, devendo prezar pela responsabilidade, pela prudência, pela desconfiança, cautela e reconhecer a sabedoria por trás de tradições. Talvez seja possível definir o conservadorismo como um método, em que consiste em ao se deparar com uma questão, tentar formar uma opinião de maneira prudente, responsável, cautelosa e, caso esta questão tenha sido apresentada anteriormente, verificar como foi tratada e se a abordagem escolhida trouxe os resultados pretendidos. Porém uma definição mais precisa é a do cientista político e escritor conservador brasileiro Bruno Garschagen: “O conservadorismo é mentalidade, disposição, ação política prudente, fundamentada em princípios, íntegra, cética, destemida, ordeira, construtora, pragmática, honesta, anti-revolucionária, anti-utópica, popular, restauradora, reformadora das coisas negativas e preservadora das coisas positivas que sobreviveram aos testes do tempo”.

Como demonstrado por Sir Roger Scruton em Como Ser Um Conservador, conservadores devem ser compromissados com a verdade e jamais devem negar a realidade, como Bolsonaro fez com o coronavirus desde o início da pandemia. A Bolsonaro falta (e muito!) prudência. As atitudes dele em relação ao congresso, ao stf, a outros países e presidentes e com as vacinas não são nem de longe adequada. Atacar a mulher de um presidente, ameaçar usar “pólvora” contra o governo americano e rejeitar vacinas são exemplos claros de irresponsabilidade e de imaturidade. O atual presidente também, ao contrário dos conservadores, não demonstra prezar pela estabilidade, desferindo ataques sucessivos às instituições, ao congresso, ao STF e à imprensa. O discurso de Bolsonaro em sua campanha teve o tom mais condenado possível por verdadeiros conservadores: teve tom revolucionário, dizendo que ia acabar com o establishment, que ia mudar “tudo que estava ali”, se portou como um super-herói que do dia para a noite iria mudar um país e em suas próprias palavras, veio para destruir, não construir.

Qualquer conservador reconhece que as estatais são um prejuízo ao país, são um projeto que falhou. No entanto, indo na contramão das lições que a história nos deu, Bolsonaro aumentou o número de estatais e não privatizou sequer as estatais que não precisam de autorização do congresso e depende unicamente de sua caneta. Além disso, os conservadores são também opostos ao autoritarismo e às mudanças bruscas. Na contramão disso, Bolsonaro elogia e comemora o golpe de 1964, que pôs abaixo as instituições do Brasil e exterminou a liberdade de expressão no país por 20 anos. O discurso de Bolsonaro é composto por frases prontas, soluções simples para problemas complexos, apelos nacionalistas, exaltações à ditadura militar, e ataques a diversos alvos que poderiam ser evitados. Na melhor das hipóteses, podemos considerá-lo um reacionário populista.

Reacionários, diferente dos conservadores, são aqueles que querem girar a roda da história ao contrário, retomar costumes, modo de vida e governo de épocas anteriores, e possuem um culto ao passado. Já o populismo são práticas políticas que buscam a simpatia da população mais leiga, com forte apelo ao “povo” (característica essa compartilhada inclusive com Lula). Por mais que Bolsonaro, seus filhos e políticos aliados se proclamem conservadores, é muito provável que eles sequer saibam o que isso significa.

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CNPq – Lattes fora do ar pode gerar uma tragédia para a ciência

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A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) fez uma alerta sobre o apagão da plataforma Lattes, que está fora do ar desde a última sexta-feira (23). A presidente Flávia Calé defende que um cenário de apagão pode gerar prejuízos não apenas do ponto de vista documental, mas também na vida profissional dos pesquisadores do Brasil.

Vale lembrar que esse formato de currículo existe desde 1999 e é usado como pré-requisito para provas de concursos públicos, seleções de mestrado e doutorado e até mesmo buscas de empregos.

“A plataforma Lattes é, de certa forma, um mapa da produção cientifica nacional dos nossos pesquisadores e dos cientistas brasileiros. É um sistema de informação estratégico do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. A possibilidade de perder esses dados é uma tragédia muito grande e não há como mensurar o que significa uma perda como essa”, comenta Flávia.

Segundo O CNPq, as informações não foram perdidas

Nesta quarta-feira (28), a ferramenta chegou ao quinto dia seguido fora do ar. O problema segue sem solução, mesmo tendo sido identificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, ainda no sábado (24).

Em informe publicado nas redes sociais nesta terça, o CNPq alegou que o problema que provocou a indisponibilidade foi diagnosticado em parceria com empresas contratadas e que o erro está sendo reparado.

 O Conselho destacou também que conta com novos equipamentos de Tecnologia da Informação (TI) e que a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. O CNPq garantiu ainda que, independentemente desse processo de mudanças, existem cópias de segurança dos conteúdos que estão apoiando o restabelecimento das atividades da plataforma. O CNPq assegurou ainda que o pagamento de bolsas não será afetado pelo contratempo.

Flávia Calé explica que, nos últimos dias, antes do apagão na plataforma, houve alguns relatos isolados de pessoas que receberam mensagens de alerta para troca de senhas. Os episódios levaram a Associação Nacional de Pós-graduandos desconfiar de uma tentativa de violação de dados.

“Isso é um tema que a gente precisa esclarecer e que vai merecer muito a nossa atenção. Eu acho que não é uma questão ainda que a gente consegue ter resposta imediata”, pondera a historiadora.

“É aquela discussão do que não dá para mensurar, do que a gente ainda não tem clareza do que está acontecendo. Mas é uma preocupação muito grande: a possibilidade de haver alguma violação de informações desses pesquisadores e desses dados do mapa estratégico da ciência que é o Lattes.” defende a presidente da ANPG.

*Sob supervisão de Adriana Freitas, da CNN

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