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Povos indígenas e a arte da cerâmica

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O conceito de arte difundido nos espaços “formais” de produção e transmissão do conhecimento no Brasil, é constituído por uma visão centrada fundamentalmente em preceitos etnocêntricos. De fato, a deficiente educação artística brasileira que recebemos durante todo nosso processo de formação apenas reforça a ideia de que a Europa é a única fonte e a origem da produção artística.

A história da arte nunca se debruçou – pelo menos até meados do século passado – em estudos de expressões artísticas estranhas a definição de arte oriunda do continente de Colombo. Ao contrário disso, apenas reforçou a ideia da não existência dessas outras formas de arte.

No Brasil, o que aprendemos com a história da arte nas escolas está estritamente ligado a produções literárias, cênicas e visuais dos períodos históricos europeus (ou da influência desses períodos na produção dos artistas brasileiros).

 No entanto, é correto e necessário afirmar que essa definição de arte eurocêntrica não é a única, e que a Europa não é a origem de toda produção artística, como nos fazem crer na escola. Sempre gosto de ratificar que antes dos invasores europeus chegarem em Abya Yala, os povos indígenas viviam em sociedades milenares bem estruturadas e constituídas de padrões socioculturais, políticos e econômicos complexos e distintos.

Se esses povos eram (e ainda são) diferenciados nos costumes e nos modos de vida, tinham também suas próprias formas de produção artísticas. Enquanto a frota de Cabral se preparava para navegar em procura de novas terras e o renascimento se espalhava cada vez mais na Europa, as nações tradicionais de pindorama produziam suas pinturas, suas músicas, seus adornos, suas esculturas… Dentre essas tantas produções está a cerâmica.

A cerâmica é uma arte milenar praticada por povos indígenas de diversos troncos culturais-linguísticos do Brasil. Lilian Bayma de Amorim nos mostra que “diferentemente da concepção de arte ocidental, a arte dos povos sem escrita, segundo o conceito de alfabetização, seria confeccionada a partir da necessidade do grupo e de indivíduos, e não para deleite do artista” (2010, p. 23). Para além do sentido artístico (que também existia nesse contexto), a produção de cerâmica era utilizada para outros fins sócias, como o armazenamento de comidas e bebidas, a preparação de remédios e substâncias xamânicas, o armazenamento de venenos e outros materiais.

Muitas vezes os povos produziam cerâmicas com formas e pinturas que permitiam facilmente a identificação de sua origem étnica.  Algumas nações indígenas também faziam esculturas de cerâmicas que representavam seus deuses e espíritos protetores, ou pintavam-nos nos potes confeccionados dando também o sentido de culto ao sagrado.

Uma das mais famosas cerâmicas indígenas da américa é a do povo Marojoara, que habitou a ilha de Marajó, localizada no Rio Amazonas. Acredita-se que esse povo começou a constituir sua cultura de produção de cerâmica 1200 anos antes da invasão portuguesa. “A coleção de cerâmica marajoara que está sob a responsabilidade do Museu Goeldi é composta de objetos de cerâmica manufaturados por grupos indígenas que habitaram a região amazônica desde aproximadamente 500 AD.” (AMORIM, 2010, p. 30).

Muitos povos e comunidades tradicionais produzem essa rica expressão artística até os dias atuais, graças ao bom estado de preservação de algumas peças e do trabalhador da arqueóloga indígenas, temos a oportunidade de contemplar também as cerâmicas produzidas antes mesmo da invasão portuguesa.

Para minha amiga Laís Tupinambá

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Governo do Estado lança cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?

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O Governo do Estado disponibiliza, no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?”. A cartilha apresenta informações e instruções para pessoas LGBTQIA+ que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência LGBTfóbicas.

Segundo o coordenador LGBT da SJDHDS, Kaio Macedo, a ideia da cartilha surgiu durante o Maio da Diversidade. “Percebemos que essa parcela da população desconhece os seus direitos e não tem acesso à justiça. A cartilha traz os avanços que conquistamos, a nossa rede de proteção e promoção dos direitos, que atende as pessoas que sofreram violência LGBTfóbica, além de orientações pós violência”, explica Kaio.

Na cartilha, os cidadãos e cidadãs têm acesso a informações sobre os tipos de violências e violações de direitos sofridas pela população LGBTQIA+, assim como contatos e formas de denúncias de cada órgão da rede de proteção, a exemplo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT), Conselho LGBT da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado (OGE), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Defensoria Pública (DPE).

“Vejo essa cartilha como uma arma importantíssima na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+ e no combate à LGBTfobia, que está tão presente, infelizmente, em nosso país. Com essa cartilha, podemos criar uma rede de amparo onde as informações serão difundidas para que mais pessoas saibam como denunciar”, comemora o produtor cultural Roberto Júnior.

A LGBTfobia é um conceito que abrange diversas formas de violência contra pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras, seja verbal, física ou psicológica. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou o preconceito contra homossexuais e transexuais, equiparando crimes de LGBTfobia ao de racismo. Ou seja, atos de violências contra pessoas LGBTQIA+ devem ser enquadrados de acordo com a Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

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