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Economia

Carro por assinatura pode valer a pena

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Sistema mescla elementos de financiamento e de aluguel para livrar motorista da burocracia de se ter um automóvel.

Ao menos que você seja um entusiasta automotivo, a propriedade de um automóvel tornou-se praticamente um fardo. Desde a compra de um 0 km até sua chegada à garagem, são diversos procedimentos burocráticos de licenciamento, emplacamento e impostos. Isso sem contar as cotações de seguro, gastos com estacionamento e a responsabilidade de levar o veículo sempre à concessionária autorizada para as manutenções com o intuito de manter a garantia.

Por isso, o serviço de assinatura de veículos no Brasil vem se popularizando nos últimos anos, com empresas especializadas oferecendo um carro mediante pagamentos mensais e nada mais. A fórmula já está atraindo empresas mais tradicionais do ramo de mobilidade, como locadoras e as próprias montadoras, sendo que marcas como Renault, Volkswagen, Fiat e Jeep já oferecem seus próprios sistemas de assinatura (veja aqui opções e preços).

Quais as vantagens?

Um dos principais atrativos do carro por assinatura é não ter que lidar com elementos como licenciamento, IPVA, emplacamento e seguro, inclusos no contrato. Isso é algo que o aluguel de veículos já oferece. Porém, o sistema de assinatura, na maioria dos casos, vai te oferecer um carro 0 km ou muito próximo disso. Dependendo da empresa, você ainda pode escolher os opcionais e a cor do veículo.

Ao contrário de um financiamento, não há entrada ou juros nas parcelas, apenas o pagamento da mensalidade acertada por contrato. No caso dos carros por assinatura, a maior parte das empresas é responsável pelo seguro do veículo, valor que já está embutido no pagamento mensal, e também pela manutenção em concessionária. Dependendo do contrato, ainda é possível ficar com um segundo carro enquanto o seu está parado na oficina.

Dependendo da empresa, você ainda pode escolher os opcionais e a cor do veículo

Ao que você precisa ficar atento

Mesmo que as vantagens dos serviços de carros por assinatura sejam muito atraentes, o cliente precisa ficar de olho em alguns elementos do contrato.

Na maioria das empresas há uma  série de opções de tempo de assinatura, que pode ir de 6 a 36 meses, e quantos quilômetros pode-se rodar por mês, entre 1.000 km e 2.500 km, dependendo da empresa. Quanto maior o prazo e menor a franquia de quilometragem, mais barata é a mensalidade.

No entanto, é preciso ficar atento às informações do contrato. Por exemplo, se você ultrapassar a quilometragem máxima da franquia ao término do contrato, quanto será cobrado a mais? O seguro provido pela empresa cobre o quê especificamente? Claramente, multas ficam por conta do usuário, mas outros itens também poderão ser pagos por você, como avarias pequenas, rodas danificadas e pequenos riscos. 

Quem gosta de personalizar o carro com películas, sistemas de som e rodas diferentes também precisa esclarecer se isso é permitido por contrato. Geralmente não é.

Os contratos de carro por assinatura também oferecem a oportunidade de se adquirir o veículo ao fim de sua vigência. É preciso fazer as contas nessa hora. Vale pegar o valor oferecido para você e observar o valor médio de um veículo em iguais condições no mercado de usados, somando-se, ainda, o quanto você pagou durante a assinatura. Se não for comprar, pode-se simplesmente renovar o contrato e pegar um carro novo.

Também vale conferir os termos da manutenção de itens de desgaste natural, como pneus e freios, pois algumas empresas podem ou não ser responsáveis por isso.

Quando vale a pena?

Antes de bater o martelo e escolher o sistema de assinatura em vez de outras modalidades, como aluguel e financiamento, o cliente precisa ponderar qual será o uso que fará com o veículo. Pessoas com rotinas mais fixas e que dependem do carro para o deslocamento diário de casa para o trabalho, e vice-versa, podem ter na assinatura uma alternativa mais em conta e com menor dor de cabeça. A dica é não perder de vista a quilometragem, para não estourar a franquia do contrato.

Agora, se a sua utilização do veículo é mais esporádica, você pode acabar pagando por um carro que ficará parado. No extremo oposto, quem roda muito mensalmente precisa colocar na ponta do lápis qual será o gasto extra passando da franquia. No primeiro caso, um aluguel pontual de um carro pode ser mais indicado. 

Já para quem vê o automóvel como um passivo de alta liquidez e pode arcar com os custos extras e o trabalho a mais de se ter a propriedade, ainda pode-se optar pelos sistemas de financiamento convencional ou pagamento à vista.

Por último, se você gosta de deixar o carro com a sua cara e vai investir na customização, a assinatura também não é recomendada.

Por CNN BRASIL

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Economia

Por que o dólar ‘emperrou’ nos R$ 5 e o que o impede de cair mais?

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Especial CNN – Depois de cair 14% em três meses, taxa de câmbio está presa há duas semanas na cotação entre R$ 5 e R$ 5,10, e hesita em passar para a faixa dos R$ 4

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo

Desde quando voltou a bater impressionantes R$ 5,88, no início de março, o dólar engatou numa ladeira que o derrubou em poucos meses até os R$ 5,03 de seu fechamento nesta quinta-feira (17). A queda desde o pico foi de 14%.

É o menor valor e também o mais próximo do piso dos R$ 5 desde a última vez em que a moeda norte-americana viu a cara dos R$ 4, em 10 de junho do ano passado, quando fechou valendo R$ 4,94 para depois subir e nunca mais voltar.  

Já faz, no entanto, duas semanas que a cotação do dólar cruzou para menos dos R$ 5,10 pela primeira vez em 2021, e aí parou. No pregão da quarta-feira, ela até chegou a ficar por um instante nos R$ 4,98, mas foi de novo trazida para cima dos R$ 5 depois que o banco central dos Estados Unidos abalou os mercados ao dizer que pode subir seus juros antes do previsto. 

Há duas semanas na cotação entre R$ 5 e R$ 5,10

É como se o dólar estivesse preso numa armadilha psicológica entre o R$ 5 e o R$ 5,10 que o impede de finalmente cruzar a linha e começar a testar novos territórios na casa dos R$ 4, abrindo o caminho para que possa voltar aos patamares em que era negociado antes da pandemia. No início de 2020, o dólar era cotado na faixa de R$ 4. 

É uma barreira bastante similar à que parece estar prendendo o Ibovespa, o principal índice acionário da bolsa brasileira, que, depois de bater uma série de recordes sucessivos e chegar aos 130 mil pontos pela primeira vez de sua história, pareceu desistir e fica agora flutuando em pequenas oscilações para baixo disso. 

O dólar é conhecido por ser o indicador mais traiçoeiro que existe: como varia a cada segundo e por qualquer coisa, os economista já sabem que fazer projeções para ele é garantia de erro. Ainda assim, acompanhar sua tendência é ter um importante termômetro de como está a economia doméstica em relação ao restante do mundo. 

130 mil pontos pela primeira vez de sua história, pareceu desistir e fica agora flutuando em pequenas oscilações para baixo disso. 

Economia mais fortes e juros mais atrativos

Significativa melhora tanto nas perspectivas para o PIB do Brasil quanto para o seu resultado fiscal, com uma dívida que não deve mais ficar tão pesada quanto se chegou a imaginar após os gastos vultosos da pandemia, são os principais fatores que ajudaram a virar a chave do dólar nos últimos meses e empurrá-lo ladeira abaixo até o chão dos R$ 5.

Os aumentos fortes já feitos pelo Banco Central na taxa básica de juros do país desde março também entram na conta, já que juros mais altos ajudam a atrair investidores para os títulos domésticos.

Com essa mudança de cenário, já há os primeiros que falam em um dólar que pode se firmar em breve em algum novo lugar abaixo dos R$ 4 – a corretora Genial Investimentos, por exemplo, diz em relatório recente que a moeda pode seguir caindo até os R$ 4,60 até o final deste ano, caso não haja nenhuma grande nova reviravolta no Brasil ou no mundo. 

“A menos que o Fed [Federal Reserve, banco central americano] decida começar a reduzir as compras de ativos financeiros no mercado antes do esperado, o que parece pouco provável, a valorização do real deverá persistir, podendo atingir um nível próximo a R$ 4,60 no final de 2021”, escreveram os analistas da corretora.

Para outros, porém, o mais provável é que o dólar continue estacionado nesta barreira dos R$ 5, podendo eventualmente passar temporadas de alguns dias abaixo disso, mas sempre voltando para a parte de cima depois. 

“Os problemas estruturais fiscais do país ainda estão aí; os auxílios emergenciais, que ajudaram a segurar o PIB, causaram um rombo muito grande nas contas”, diz Fernando Bergallo, diretor da operadora de câmbio FB Capital. “Esse dólar só rompe a barreira dos R$ 5 e vem para R$ 4,70 ou R$ 4,80 com as reformas andando.”

valorização do real deverá persistir, podendo atingir um nível próximo a R$ 4,60 no final de 2021

Na dependência dos EUA

“Estamos hoje melhor do que estávamos pouco tempo atrás para passar pelos riscos externos”, disse  a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico. 

“Mas não consigo enxergar o dólar consistentemente abaixo dos R$ 5, ficando em R$ 4,70 ou R$ 4,50, por exemplo. Ele deve continuar flutuando ao redor desses R$ 5 ou R$ 5,10, porque, quando começar a discussão a respeito do ‘tapering’ [redução dos estímulos] nos Estados Unidos, será um cenário desfavorável para os países emergentes.”

O “tapering”, ou “estreitamento” em inglês, é o nome dos economistas para a retirada gradual dos estímulos extraordinários que o banco central norte-americano, o Fed, passou a injetar no ano passado, no auge da pandemia. São bilhões de dólares vertidos todos os meses sobre a economia em compra de títulos do mercado financeiro, o que garante que o dinheiro e o apetite dos investidores continuem girando.  

Como, porém, tanto a economia quando a inflação dos EUA já estão andando muito mais forte do que o imaginado, a expectativa é que esse megapacote de incentivos do Fed comece a ser enxugado em algum momento do segundo semestre. E um dos resultados inevitáveis disso é a redução desse apetite do dinheiro global por ativos de risco, fazendo com que países emergentes percam capitais enquanto o dólar volta a se fortalecer em relação a suas moedas. 

A projeção da Armor Capital é de um dólar a R$ 5,30 ao final de 2021. No Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central com projeções feitas por mais de 100 bancos e consultorias, a expectativa média está em R$ 5,18, o que significa ainda um aumento em relação aos patamares de hoje. Ainda assim, já é uma forte revisão em relação a semanas anteriores, quando esse número estava em R$ 5,30.

Especial CNN Brasil

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