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Economia

Ataque de hackers à JBS: grupo russo apontado como responsável pelo FBI

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Um grupo cibercriminoso russo está por trás de um ataque do tipo ransomware que tem como alvo a JBS, maior empresa de processamento de carne do mundo, disse o FBI.

Em um ataque do tipo ransomware, um vírus passa a controlar o computador da vítima como um sequestro e criminosos cobram um valor em dinheiro pelo resgate.

As redes de computadores da JBS foram hackeadas, fazendo com que algumas operações na Austrália, Canadá e Estados Unidos fossem temporariamente fechadas, afetando milhares de trabalhadores.

O FBI, agência de segurança dos Estados Unidos, disse que está trabalhando para levar o grupo REvil à Justiça pelo ataque de hacker à JBS.

“Atribuímos o ataque da JBS ao REvil e Sodinokibi e estamos trabalhando diligentemente para levar os atores da ameaça à justiça”, disse o comunicado do FBI.

“Continuamos a concentrar nossos esforços em impor riscos e consequências e responsabilizar os cibercriminosos responsáveis.”

A Casa Branca disse na quarta-feira (02/06) que o presidente dos EUA, Joe Biden, levantará a questão dos ataques cibernéticos quando se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, em duas semanas.

“Estados responsáveis ​​não abrigam criminosos de ransomware”, disse a secretária de imprensa dos EUA, Jen Psaki.

A JBS disse que estava programada para retomar as operações de frigoríficos na quinta-feira (03/06) nos EUA, onde estão localizadas suas cinco maiores fábricas processadoras de carne bovina.

A empresa, que identificou o ataque de ransomware no domingo, não revelou se pagou aos hackers.

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JBS: De player brasileiro a multinacional

  • A JBS é o maior fornecedor mundial de carnes com mais de 150 fábricas em 15 países
  • Foi fundada no Brasil em 1953 como uma empresa de abate pelo fazendeiro José Batista Sobrinho
  • A empresa agora tem mais de 150 mil funcionários em todo o mundo
  • Seus clientes incluem supermercados e lojas de fast food como a McDonald’s
  • Nos EUA, a JBS processa quase um quarto da carne bovina e um quinto da suína consumida no país
  • Em 2017, a empresa esteve no centro de um escândalo financeiro e político, quando o empresário do grupo Joesley Batista gravou uma conversa que teve com o então presidente brasileiro Michel Temer
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Ataque ransomware

O ataque do tipo ransomware geralmente envolve hackers obtendo acesso a uma rede de computadores e criptografando arquivos ou bloqueando os usuários de seus sistemas até que o resgate seja pago.

Nos últimos anos, o uso de ransomware para extorsão tornou-se um problema de segurança nacional de grande preocupação.

Em maio, a entrega de combustível no sudeste dos EUA ficou paralisada por vários dias após um ataque de ransomware ter como alvo informações do oleoduto da empresa Colonial.

Os investigadores dizem que o ataque estava ligado a outro grupo, DarkSide, com laços com a Rússia. E a Colonial Pipeline confirmou que pagou um resgate de US$ 4,4 milhões (mais de R$ 20 milhões) ao grupo cibercriminoso responsável.

O governo dos Estados Unidos recomendou no passado que as empresas não paguem aos criminosos por ataques de ransomware.

Poucos dias após o ataque ao Colonial Pipeline, um grupo diferente de cibercriminosos atacou o sistema nacional de saúde da Irlanda com ransomware.

Fábrica da JBS na Austrália
Legenda da foto,As redes de computadores da JBS foram hackeadas, fazendo com que algumas operações na Austrália, Canadá e Estados Unidos fossem temporariamente suspensas

O que se sabe sobre o REvil?

O REvil é uma rede criminosa de hackers de ransomware que ganhou destaque em 2019.

Acredita-se que a maioria de seus membros residam na Rússia ou em países que antes faziam parte da União Soviética.

Ele foi associado ao GandCrab, um grupo de hackers extinto que usou ataques do tipo ransomware de forma semelhante no passado.

O REvil é conhecido como uma empresa do tipo ransomware-as-a-service (RAAS) pela forma como opera. Isso envolve desenvolvedores de ransomware que recrutam afiliados ou parceiros para espalhar seu malware malicioso.

Se os ataques forem bem-sucedidos para o grupo, os desenvolvedores pegam uma porcentagem da receita obtida e fornecem a outra parte aos afiliados.

O grupo ameaça publicar documentos roubados em sites (o que é conhecido como “Happy Blog”) se as vítimas não cumprirem suas exigências.

Um dos ataques mais conhecidos do grupo foi contra um fornecedor da Apple chamado Quanta Computer Inc no início deste ano. Em uma nota publicada na dark web, o grupo disse que divulgaria documentos internos confidenciais, a menos que recebesse US$ 50 milhões (mais de R$ 250 milhões) em resgate.

O REvil também estava ligado a um ataque coordenado a cerca de 20 governos locais no Texas em 2019.

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Economia

Por que o dólar ‘emperrou’ nos R$ 5 e o que o impede de cair mais?

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Especial CNN – Depois de cair 14% em três meses, taxa de câmbio está presa há duas semanas na cotação entre R$ 5 e R$ 5,10, e hesita em passar para a faixa dos R$ 4

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo

Desde quando voltou a bater impressionantes R$ 5,88, no início de março, o dólar engatou numa ladeira que o derrubou em poucos meses até os R$ 5,03 de seu fechamento nesta quinta-feira (17). A queda desde o pico foi de 14%.

É o menor valor e também o mais próximo do piso dos R$ 5 desde a última vez em que a moeda norte-americana viu a cara dos R$ 4, em 10 de junho do ano passado, quando fechou valendo R$ 4,94 para depois subir e nunca mais voltar.  

Já faz, no entanto, duas semanas que a cotação do dólar cruzou para menos dos R$ 5,10 pela primeira vez em 2021, e aí parou. No pregão da quarta-feira, ela até chegou a ficar por um instante nos R$ 4,98, mas foi de novo trazida para cima dos R$ 5 depois que o banco central dos Estados Unidos abalou os mercados ao dizer que pode subir seus juros antes do previsto. 

Há duas semanas na cotação entre R$ 5 e R$ 5,10

É como se o dólar estivesse preso numa armadilha psicológica entre o R$ 5 e o R$ 5,10 que o impede de finalmente cruzar a linha e começar a testar novos territórios na casa dos R$ 4, abrindo o caminho para que possa voltar aos patamares em que era negociado antes da pandemia. No início de 2020, o dólar era cotado na faixa de R$ 4. 

É uma barreira bastante similar à que parece estar prendendo o Ibovespa, o principal índice acionário da bolsa brasileira, que, depois de bater uma série de recordes sucessivos e chegar aos 130 mil pontos pela primeira vez de sua história, pareceu desistir e fica agora flutuando em pequenas oscilações para baixo disso. 

O dólar é conhecido por ser o indicador mais traiçoeiro que existe: como varia a cada segundo e por qualquer coisa, os economista já sabem que fazer projeções para ele é garantia de erro. Ainda assim, acompanhar sua tendência é ter um importante termômetro de como está a economia doméstica em relação ao restante do mundo. 

130 mil pontos pela primeira vez de sua história, pareceu desistir e fica agora flutuando em pequenas oscilações para baixo disso. 

Economia mais fortes e juros mais atrativos

Significativa melhora tanto nas perspectivas para o PIB do Brasil quanto para o seu resultado fiscal, com uma dívida que não deve mais ficar tão pesada quanto se chegou a imaginar após os gastos vultosos da pandemia, são os principais fatores que ajudaram a virar a chave do dólar nos últimos meses e empurrá-lo ladeira abaixo até o chão dos R$ 5.

Os aumentos fortes já feitos pelo Banco Central na taxa básica de juros do país desde março também entram na conta, já que juros mais altos ajudam a atrair investidores para os títulos domésticos.

Com essa mudança de cenário, já há os primeiros que falam em um dólar que pode se firmar em breve em algum novo lugar abaixo dos R$ 4 – a corretora Genial Investimentos, por exemplo, diz em relatório recente que a moeda pode seguir caindo até os R$ 4,60 até o final deste ano, caso não haja nenhuma grande nova reviravolta no Brasil ou no mundo. 

“A menos que o Fed [Federal Reserve, banco central americano] decida começar a reduzir as compras de ativos financeiros no mercado antes do esperado, o que parece pouco provável, a valorização do real deverá persistir, podendo atingir um nível próximo a R$ 4,60 no final de 2021”, escreveram os analistas da corretora.

Para outros, porém, o mais provável é que o dólar continue estacionado nesta barreira dos R$ 5, podendo eventualmente passar temporadas de alguns dias abaixo disso, mas sempre voltando para a parte de cima depois. 

“Os problemas estruturais fiscais do país ainda estão aí; os auxílios emergenciais, que ajudaram a segurar o PIB, causaram um rombo muito grande nas contas”, diz Fernando Bergallo, diretor da operadora de câmbio FB Capital. “Esse dólar só rompe a barreira dos R$ 5 e vem para R$ 4,70 ou R$ 4,80 com as reformas andando.”

valorização do real deverá persistir, podendo atingir um nível próximo a R$ 4,60 no final de 2021

Na dependência dos EUA

“Estamos hoje melhor do que estávamos pouco tempo atrás para passar pelos riscos externos”, disse  a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico. 

“Mas não consigo enxergar o dólar consistentemente abaixo dos R$ 5, ficando em R$ 4,70 ou R$ 4,50, por exemplo. Ele deve continuar flutuando ao redor desses R$ 5 ou R$ 5,10, porque, quando começar a discussão a respeito do ‘tapering’ [redução dos estímulos] nos Estados Unidos, será um cenário desfavorável para os países emergentes.”

O “tapering”, ou “estreitamento” em inglês, é o nome dos economistas para a retirada gradual dos estímulos extraordinários que o banco central norte-americano, o Fed, passou a injetar no ano passado, no auge da pandemia. São bilhões de dólares vertidos todos os meses sobre a economia em compra de títulos do mercado financeiro, o que garante que o dinheiro e o apetite dos investidores continuem girando.  

Como, porém, tanto a economia quando a inflação dos EUA já estão andando muito mais forte do que o imaginado, a expectativa é que esse megapacote de incentivos do Fed comece a ser enxugado em algum momento do segundo semestre. E um dos resultados inevitáveis disso é a redução desse apetite do dinheiro global por ativos de risco, fazendo com que países emergentes percam capitais enquanto o dólar volta a se fortalecer em relação a suas moedas. 

A projeção da Armor Capital é de um dólar a R$ 5,30 ao final de 2021. No Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central com projeções feitas por mais de 100 bancos e consultorias, a expectativa média está em R$ 5,18, o que significa ainda um aumento em relação aos patamares de hoje. Ainda assim, já é uma forte revisão em relação a semanas anteriores, quando esse número estava em R$ 5,30.

Especial CNN Brasil

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