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Egito decide manter brasileiro detido provisoriamente por assédio

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O Ministério Público do Egito anunciou em sua página do Facebook que “pede a detenção do brasileiro no caso de insinuações sexuais a uma egípcia”.

Uma unidade do Ministério monitorou a circulação de vídeo nas redes sociais que mostrava o abuso verbal do médico brasileiro Victor Sorrentino, no qual fazia insinuações sexuais em português a uma mulher egípcia, aproveitando-se do não entendimento do idioma para assediá-la.

Ela foi atacada em um bazar turístico enquanto mostrava papéis de papiro a Sorrentino e amigos. Alguns sites conseguiram traduzir estes abusos e publicá-los. O médico excluiu o vídeo de sua conta no Instagram e pediu desculpas alegando que foi uma “brincadeira” e remetendo o assunto ao “Sr. Conselheiro do Ministério Público” – que ordenou que o ocorrido fosse investigado com urgência.

O comunicado acrescentou: “As investigações revelaram a identidade e a localização atual do brasileiro, a identidade da mulher e o local do incidente, e que o referido havia deixado Luxor na manhã do dia 30 de maio com destino ao Cairo – e o número do voo que ele partiu a bordo – na tentativa de escapar da situação. Denúncias foram divulgadas nas redes sociais e as investigações concluíram que o incidente ocorreu no dia 24 de maio em uma das lojas de papiro na governadoria de Gizé. Elas também identificaram testemunhas entre uma delegação de turistas que estava com ele, e que este último filmou o incidente porque costumava publicar muitos clipes na internet, expondo a vítima a uma audiência extensa. Dessa forma, o Ministério Público incluiu o nome do brasileiro acusado nas listas de pessoas proibidas de viajar.”

Na nota, o órgão revelou que em depoimento, a vítima afirmou que recebeu o homem no dia do incidente na loja onde trabalha, e ele a fotografou enquanto ela explicava o conteúdo e método de fabricação dos papiros a Sorrentino e a outro rapaz que estava com ele. No dia seguinte, o acusado voltou à loja se desculpando e filmando o pedido para publicá-lo nas redes sociais.

Ela manteve o pedido para iniciar o processo criminal contra o brasileiro por causa aos danos quea exposição do clipe nas redes sociais lhe causaram.

Para confirmar a acusação, o Ministério Público comissionou um tradutor especializado, que confirmou que as declarações estrangeiras do homem no clipe eram “insinuações sexuais descaradas”.

As investigações levaram à acusação oficial de Victor Sorrentino. “O acusado foi detido a caminho do Aeroporto Internacional do Cairo e levado ao Ministério Público. Lá, ele foi interrogado sobre a exposição da vítima a insinuações sexuais verbais, transgredindo os princípios e valores familiares da sociedade egípcia, e violando a santidade da vida privada da vítima. Ele alegou que dirigiu as frases que contêm sugestão sexual à vítima e postou o clipe em sua conta de uma rede social como uma piada. Ele também declarou que se desculpou com a vítima após ter sido criticado por seguidores de sua conta. O Ministério Público ordenou a detenção do acusado até que as investigações sejam retomadas amanhã de manhã, e então uma decisão será tomada”.

Repercussão

O caso ganhou repercussão quando a iniciativa “Fala UP”, voltada para as questões feministas no Egito, deu detalhes do ocorrido. Uma hashtag que pode ser traduzida como #ResponsabilizemOAssediadorBrasileiro ficou entre os termos mais comentados no Twitter do país. 

Na busca pelo termo “Victor Sorrentino” na mesma rede social, encontram-se críticas em diferentes línguas ao médico brasileiro e o compartilhamento de outros vídeos onde ele apresenta comportamentos semelhantes.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse que já foi informado sobre o caso e que as autoridades brasileiras no Egito “estão prestando assistência consular cabível ao cidadão”.

*com informações de Flávia Martins, da CNN

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ONU: mais de 8,5 mil crianças foram usadas como soldados em 2020

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Mais de 8,5 mil crianças foram usadas como soldados no ano passado em vários conflitos pelo mundo, e quase 2,7 mil foram mortas, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nessa segunda-feira (21). 

O relatório anual do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança da ONU sobre crianças e conflitos armados abrange assassinatos, mutilações e abuso sexual de crianças, além da abdução ou recrutamento, negação de acesso a atendimento de saúde e ataques a escolas e hospitais.

O documento mostra que violações foram cometidas contra 19,37 mil crianças em 21 conflitos. A maioria das violações em 2020 foi cometida na Somália, República Democrática do Congo, no Afeganistão, na Síria e no Iêmen.

De acordo com o relatório, 8,52 mil crianças foram utilizadas como soldados no ano passado, enquanto 2,67 mil foram assassinadas e 5,74 mil ficaram feridas em diversos conflitos. 

O documento também inclui uma lista negra que tem a intenção de constranger as partes em conflitos, com a esperança de puni-las para implementar medidas de proteção a crianças. A lista tem sido objeto de polêmica, com diplomatas afirmando que a Arábia Saudita e Israel fizeram pressão nos últimos anos para ficar de fora dela. 

Israel nunca figurou na lista, enquanto a coalizão militar liderada pelos sauditas foi removida da lista em 2020, anos após ter sido apontada e constrangida por causar mortes e ferir crianças no Iêmen.

Em uma iniciativa para atenuar as controvérsias em torno do relatório, a lista publicada em 2017 por Guterres foi dividida em duas categorias. Uma delas lista as partes que colocaram em vigor medidas para proteger crianças e a outra inclui partes que não tomaram nenhuma atitude. 

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