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Por que os chineses não estão dispostos a ter mais filhos

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MATÉRIA ESPECIAL – Após décadas de um estrito controle familiar, população da China pouco cresce. Aos poucos, governo abandonou limite de filhos e agora permite até três por família. Mas o esperado aumento da natalidade não vem.

Na imagem em destaque desta matéria um outdoor do governo chinês de 1978 faz propaganda da política do filho único.

Você está se perguntando por que as famílias jovens no país mais populoso do mundo estão cansadas de ter filhos? A resposta é simples: qual casal tem vontade e força para cuidar de quatro idosos e três filhos ao mesmo tempo, além de enfrentar as pressões da carreira profissional?

Aqueles que poderiam ter filhos agora são, eles mesmos, quase exclusivamente filhos únicos. No final dos anos 1970, a China introduziu controles rígidos de natalidade, conhecidos como “política do filho único”. E exatamente esses filhos únicos é que estão agora em uma posição intermediária extremamente desconfortável na pirâmide demográfica: não só têm que cuidar dos pais e sogros em idade avançada, como também criar seus próprios filhos.

Também na China a pirâmide populacional está de cabeça para baixo. Já há anos que as autoridades tentam enfrentar o processo de envelhecimento com pequenos passos. Foi só em 2016 que Pequim relaxou sua rígida política de filho único, depois de quase 40 anos. Desde então, as famílias puderam ter dois filhos. Mas o esperado baby boom não se materializou. Agora, três crianças são permitidas e até desejadas pelas autoridades.

Foi só em 2016 que Pequim relaxou sua rígida política de filho único, depois de quase 40 anos

Mas o esperado aumento da taxa de natalidade até agora não ocorreu devido a um fator decisivo: dinheiro. Conceber e dar à luz um filho é gratuito, mas depois tudo fica muito caro, ainda mais para financiar comida saudável para bebês após a série de escândalos envolvendo leite em pó que destruiu a confiança de jovens pais. Um quarto para cada filho é algo difícil nas metrópoles com aluguel e preços de imóveis nas alturas, ainda mais em bairros com boas escolas. Além disso, os gastos são altos com aulas de música e explicadores particulares. Para não falar nas despesas com férias na praia.

A China tenta otimizar seu sistema de previdência social com recursos financeiros substanciais, justamente para tentar liberar as famílias do ônus de cuidar de idosos e jovens. Mas, em muitos casos, os instrumentos do Estado têm apenas um efeito bastante limitado, de modo que, no fim das contas, as famílias acabam tendo de lidar com o problema elas mesmas. Os contribuintes acabam sendo, assim, duplamente onerados. A partir de agora devem continuar contribuindo financeiramente para a previdência social ao mesmo tempo que educam uma quantidade ainda maior de filhos.

A imagem tradicional da família no confucionismo, em que várias gerações vivem sob o mesmo teto, bate de frente com a realidade de uma classe média autoconfiante, caracterizada por uma atitude cada vez mais individualista. Ela quer mais liberdade, mais espaço próprio e mais tempo livre. Mas, como se sabe, os deveres dos pais são – independentemente do modelo social – o maior obstáculo à realização pessoal.

As autoridades na China querem reagir a isso com um pacote completo de medidas: vantagens fiscais para as famílias, melhor proteção à maternidade no trabalho, as licenças maternidade e paternidade no trabalho não devem mais representar um obstáculo à carreira, oportunidades educacionais iguais para as crianças nas cidades e nas áreas rurais. A China quer se preparar para o futuro por meio de um maior apoio às famílias.

Novo futuro – Vantagens fiscais para as famílias, melhor proteção à maternidade no trabalho, as licenças maternidade e paternidade

Como esse enorme pacote será financiado? Nesse ponto, o politburo permanece vago e aponta para as autoridades regionais. Mas elas já estão altamente endividadas. Isso parece mais uma tarefa insolúvel. O politburo executa, mais uma vez, apenas uma política simbólica. Nas camas da República Popular da China, isso não vai mudar nada.

O jornalista da DW Dang Yuan escreve sob pseudônimo para proteger a si mesmo e à sua família.

DW

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Aquecimento global ameaça cidades costeiras, alertam peritos da ONU

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A subida do nível do mar, as inundações e a intensificação das ondas de calor ameaçam as cidades costeiras em todo o mundo, diz relatório provisório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima (IPCC, na sigla em inglês).

De Bombaim a Miami, Daca ou Veneza, essas cidades e os seus milhões de habitantes que vivem na foz dos estuários ou nas linhas sinuosas da costa estão “na linha da frente” da crise climática, que corre o risco de redesenhar os mapas dos continentes, afirma o documento.

“O nível do mar continua a subir, as inundações e as ondas de calor são cada vez mais frequentes e intensas e o aquecimento aumenta a acidez do oceano”, observam os cientistas no relatório de 4 mil páginas sobre os impactos das mudanças climáticas.

De acordo com os peritos climáticos, é preciso “fazer escolhas difíceis”.

Praia da Boa Viagem em Pernambuco, avanços constantes do mar e prejuízos econômicos e sociais

Sob o efeito combinado da expansão dos oceanos e do degelo causado pelo aquecimento, a subida do nível do mar também ameaça contaminar os solos agrícolas com água salgada e engolir infraestruturas estratégicas, como portos ou aeroportos.

Um “perigo para as sociedades e para a economia mundial em geral”, alerta o IPCC, lembrando que cerca de 10% da população mundial e dos trabalhadores estão a menos de dez metros acima do nível do mar.

“Para algumas megalópoles, deltas, pequenas ilhas e comunidades árticas, as consequências podem ser sentidas muito rapidamente, durante a vida da maioria das populações atuais”.

De acordo com os peritos, o nível do oceano pode subir 60 centímetros até ao final do século.

“O destino de muitas cidades costeiras é sombrio sem uma queda drástica nas emissões de CO2”, dizem os pesquisadores, acrescentando que “qualquer que seja a taxa dessas emissões, o aumento do nível dos oceanos acelera e continuará a ocorrer durante milénios”.

“A maioria das cidades costeiras pode morrer. Muitas delas serão dizimadas por inundações de longo prazo. Em 2050, teremos uma imagem mais clara”, disse Ben Strauss, da organização Climate Central.

Mas, apesar dessas previsões sombrias, as cidades costeiras continuam a crescer, multiplicando as vítimas em potencial, especialmente na Ásia e na África.

Segundo o documento, um aquecimento global acima do limiar de 1,5 ºC (grau centígrado), fixado pelo acordo de Paris, teria “impactos irreversíveis para os sistemas humanos e ecológicos”. Os peritos afirmam que a sobrevivência da humanidade pode estar ameaçada.

Com as temperaturas médias subindo 1,1 °C desde meados do século 19, os efeitos no planeta já são graves e podem se tornar cada vez mais violentos, ainda que as emissões de dióxido de carbono (CO2) venham a ser reduzidas. 

BR 367 em orla norte de Porto Seguro, problemas constantes para maquiar uma questão bem maior no futuro

Falta de água, fome, incêndios e êxodo em massa são alguns dos perigos destacados pelos peritos da ONU.

O relatório de avaliação global dos impactos do aquecimento, criado para apoiar decisões políticas, é muito mais alarmante que o antecessor, divulgado em 2018.

O documento deverá ser publicado em fevereiro de 2022, após a aprovação pelos 195 Estados-membros da ONU e depois da conferência climática COP26, marcada para novembro em Glasgow, na Escócia.

Prevista originalmente para novembro de 2020, a 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), com líderes de 196 países, empresas e especialistas, foi adiada devido à pandemia de covid-19.

Agência Brasil

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