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Meios de comunicação, Política e Internet

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Vimos no último texto a evolução da comunicação e os seus meios de propagação. Do surgimento das pinturas rupestres, linguagem de sinais/gestos, o desenvolvimento da fala e da escrita, que possibilitaram os indivíduos comunicarem entre si de maneira assertiva e eficiente. Correlacionamos o desenvolvimento tecnológico com a expansão da comunicação, com níveis de alcance cada vez maiores. Como ocorreu com a criação da prensa, para impressão em série de livros e a prensa móvel que revolucionou a informação ao popularizar mundo a fora esse sistema mais prático de impressão. O surgimento de meios ativos de comunicação, que atingia grandes massas de pessoas, como jornais impressos, rádios e emissoras de televisão e o poder de controle e influência sobre os indivíduos.

                Durante os séculos 19 e 20 esse trio criou, progressivamente, a necessidade de se obter informação de maneira cada vez mais recorrente. E com o desenvolvimento de novos conteúdos e entretenimento mudaram e moldaram até os hábitos de seus consumidores. Surge assim uma legião de seguidores ávidos, potencializado com métodos utilizados pela ciência do marketing, altamente desenvolvida nesse período. Criou-se novas diretrizes, modas, tendências e até novas necessidades, para atingir objetivos de quem bancava todo esse sistema: empresas patrocinadoras.

Quanto mais esses meios de comunicação se popularizavam, mais pessoas alcançavam, mais relevantes se tornavam e mais caro era seu tempo ou espaço para propaganda. Estratégias de marketing foram aprimoradas e o poder de influência conseguiu interferir diretamente em todas as áreas a vida dos indivíduos. Tudo isso transformou os meios de comunicação numa enorme ferramenta produtora de informação consumista, com foco em vender produtos e serviços de seus clientes.

É claro que todo esse poder foi percebido pela classe política, que logo começou a utilizar dos mesmos artifícios para garantir sua popularidade, despontar em eleições e modificar a opinião pública a seu favor. Dessa maneira, a mídia adquiriu também um viés politizado com foco de “vender” um determinado político, os seus ideais, e com os mais diferentes objetivos. Esses veículos de mídia normalmente possuíam um bom relacionamento com governantes, isso quando os próprios governantes não eram seus donos. E no interior de nosso país, onde os proprietários dos meios de comunicação, estão ligados diretamente com grupos políticos.

Exemplo em Porto Seguro, onde uma das rádios mais antigas e importantes da cidade pertence a um ex-prefeito, que também já possuiu um jornal impresso, ambos com atuação política bastante intensa na região. Os políticos sabem que deter a informação é, de certa forma, deter o poder e a partir disso, se tem a comunicação em larga escala, servindo para propósitos políticos, partidários e ideológicos pessoais.

                Para estreitar mais os laços entre meios de comunicação e a política, no Brasil esse setor não é um livre mercado, que impossibilita a entrada de uma nova empresa nesse ramo a qualquer momento. É necessário concessão pública para o funcionamento de uma emissora de TV ou Radio, seria uma espécie de “autorização ou alvará” para que essa mídia utilize, de forma legal, espaço para transmissão de seus conteúdos.

Essas concessões existem porque, diferente da mídia escrita, que podem existir quase que de forma infinita, para rádio e TV existe um limite físico da quantidade de emissoras. Esse limite é de acordo com o número de frequências que existem disponíveis no ar, ligadas a forma de transmissão desses tipos de mídia. E para uma empresa ter direito a uma concessão, é necessário vencer um processo de licitação e cumprir uma série de regras em relação a sua estrutura e a sua programação. Isso para que seja garantido a produção de conteúdo que atenda às necessidades educativas, artísticas e culturais da população, tornando-a, em tese, a informação mais democrática.

Porém, é nítido que na prática nada disso acontece. Pouca fiscalização existe, principalmente no âmbito das rádios, tornando o setor uma verdadeira terra sem lei, ferindo sua própria regulação, a constituição e até os direitos humanos. Os maiores absurdos podem ser proferidos na sua programação, sem quase nenhuma sansão direta à rádio. E para piorar a situação em relação à liberação dessas concessões, desde 1988 ela é uma ação realizada em conjunto com o poder executivo (presidente) e o poder legislativo (deputados federais e senadores). O que, de novo em tese, seria para aproximar as novas rádios e TVs do povo, na verdade serviu para aproximar ainda mais dos políticos, pois agora poderiam liberar para eles mesmos as concessões. Tudo na base de conchavos e acordos entre colegas de bancada da câmara, só reforçando o quão imoral é nosso sistema político, e que o objetivo principal deles é primeiramente a perpetuação no poder.

Outra forma política de controle da informação é através da publicidade, cada vez os governos de todos os níveis gastam mais com propagandas. Segundo o TCE (Tribunal de Contas do Estado) o governo da Bahia gastou em 2019 quase 160 milhões de reais com publicidade, um aumento de mais de 16% em relação ao ano anterior. Gestões municipais também não ficam de fora. Ano passado a prefeitura fez um contrato de 4 milhões de reais com uma empresa de marketing. Não estou afirmando que a iniciativa publica não precisa desse serviço, muito pelo contrário, o considero muitíssimo importante, principalmente para conscientização da população nesse momento pandêmico. Mas estamos lidando com a prestação de um serviço que possui valores subjetivos, o que possibilita o superfaturamento do mesmo.

Sem contar a estratégia realizada fortemente por municípios e estados, com a captação de rádios, TVs e portais de notícias locais. Através de contratos de publicidade geram uma dependência financeira para com a gestão pública, gerando dificuldades para essa mídia em noticiar informações contra esse governo ou que arruínem sua imagem. Quem nunca percebeu uma mudança súbita no tom dos noticiários de mídias locais, logo após determinado político vencer ou perder uma eleição? Ou então, um determinado portal de notícias que vinha fazendo um trabalho de denúncias dentro do município ou estado, e do dia pra noite muda seu editorial, somente publicando notícias boas, quase um mundo cor-de-rosa? Em resumo, esse tipo de ação é um verdadeiro cala boca, para que se transmitam informações positivas sobre um determinado grupo político ou governo. Mas o grande problema é que isso é feito com dinheiro do contribuinte, é mais uma vez políticos utilizando a máquina pública a seu favor. 

Os tempos passaram e a tecnologia evoluiu, afetando diretamente os veículos de comunicação. A mídia impressa, como jornais e revistas, se tornou cada vez menos relevante e consumida, por conta do seu alto custo e o advento de novas mídias que surgiram junto com a internet. A década passada mudou a forma como consumimos informação, a internet e as redes sociais ampliaram os horizontes da comunicação. A televisão, que reinava soberana nesse universo, passou a dividir protagonismo e receitas com um concorrente bem mais barato, em relação a informação difundida, mais eficiente e democrática. Surge um fenômeno de migração das outras mídias para a internet, as grandes rádios, evoluíram para PodCast’s ou hibridaram seus serviços, com a gravação de seu conteúdo, sendo divulgado em seus sites ou canais do youtube, como faz a rádio Jovem Pan. Já a televisão precisou se conectar cada vez mais com as redes sociais, e expor seus conteúdos também na internet, para tentar ser mais atrativa e reter seus consumidores.

Logicamente o marketing e a forma de influenciar as pessoas evoluiu juntamente com o desenvolvimento da internet. Novas técnicas surgiram, novas possibilidades de inserir, de maneira mais imperceptível nas pessoas, desejos e opiniões, manipulando-as conforme a necessidade. O marketing digital revolucionou as vendas, tornando irreversível e definitivo o processo de E-commerce para as empresas, fazendo surgir assim dropshiping, bancos digitais, plataformas de pagamento, FinTech’s, Startup’s, streaming, aplicativos e outros. As novas mídias de comunicação e as antigas que se repaginaram, na versão atualizada 2.0, precisaram e ainda precisam entender a mudança dos tempos para continuarem atuantes e relevantes.

E o que evoluiu rapidamente junto com a internet foi a percepção política com esses novos meios de comunicação. De modo geral as práticas permaneceram as mesmas, como ser proprietário de sites de notícias, ou contatá-los para divulgação de informações oficiais do governo. Mas também aprenderam a linguagem das redes sócias, e a como influenciar a população utilizando: instagram, facebook, whatsapp, youtube e telegram. Tudo através de uma maravilha tecnológica chamada logaritmo, desenvolvida pelas Big Tech’s, inicialmente para fins comerciais, mas posteriormente utilizada por políticos para manipular campanhas políticas, criar cenários polarizados, disseminar fake news, produzir bolhas e gerar o caos. E se, sinceramente ao ler isso, veio em sua mente alguns políticos específicos, sugiro que você reveja sua opinião, pois tais estratégias são utilizadas pela esmagadora maioria de políticos. Não foi algo criado e desenvolvido por um político A ou B, ou mesmo utilizado somente pela esquerda ou direita.

Mas esse é um assunto a ser abordado no próximo artigo, aguardo vocês ate lá!

Empresário do ramo da construção civil - Presidente da Uni Líderes, união de líderes empresariais de Porto Seguro - Graduado em Administração de Empresas - Morador de Porto Seguro a 25 anos - Colunista sobre empreendedorismo, economia e política

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Policial é morto e 80 alunos são sequestrados em ataque na Nigéria

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Homens armados mataram um policial e sequestraram pelo menos 80 alunos e cinco professores em uma escola do estado nigeriano de Kebbi, informaram a polícia, moradores e um professor.

É o terceiro sequestro em massa em três meses no noroeste da Nigéria, e as autoridades culpam bandidos armados que buscam resgates.

Usman Aliyu, que leciona na escola, disse que os atiradores levaram mais de 80 alunos, a maioria meninas.

“Eles mataram um [dos policiais], entraram pelo portão e foram direto às salas de aula”, afirmou ele à Reuters.

O porta-voz da polícia de Kebbi, Nafiu Abubakar, disse que os bandidos mataram um policial durante uma troca de tiros e que também balearam um aluno, que estava recebendo tratamento médico.

A polícia ainda não havia comunicado o número de alunos desaparecidos na noite de quinta-feira (17), e um porta-voz do governador de Kebbi afirmou que a força está realizando uma contagem dos desaparecidos.

Sequestros que elevam tristeza ao povo nigeriano não é novidade. Desta vez levaram mais de 80 alunos, a maioria meninas.

O ataque ocorreu em um colégio do governo federal da cidade remota de Birnin Yauri. Segundo Abubakar, forças de segurança estão vasculhando uma floresta próxima à procura dos alunos e professores raptados.

Atiku Aboki, um morador que foi à escola pouco depois de os disparos terminarem, informou que viu uma cena de pânico e confusão enquanto pessoas procuravam os filhos.

Bandidos em busca de resgate já sequestraram mais de 800 alunos nigerianos em escolas desde dezembro. Alguns foram libertados e outros continuam desaparecidos.

* Ardo Hazzad, Garba Muhammed, Camillus Eboh e Angela Ukomadu – Repórteres da Reuters

Com Agência Brasil

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