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Colômbia tem até centenas de desaparecidos em meio à repressão

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Os protestos na Colômbia ocorrem há mais de um mês, mas, até agora, o governo do presidente Iván Duque não conseguiu estabelecer uma ponte de entendimento, nem com os representantes das manifestações, nem com a sociedade civil, nem com a comunidade internacional. As diferenças se refletem até no número de pessoas desaparecidas, uma das maiores preocupações dentro e fora do país.

A Procuradoria-Geral da Colômbia diz que “as autoridades ainda estão procurando 129 pessoas que foram dadas como desaparecidas durante os protestos das últimas semanas”. A ONG Indepaz afirma ter conseguido consolidar “uma lista de 346 nomes de pessoas que foram dadas como desaparecidas diretamente à entidade”.

Em 26 de maio, a vice-presidente e ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, disse em Washington que apenas uma pessoa na Colômbia havia sido formalmente dada como desaparecida nos confrontos, e que não estava claro se as outras deveriam ser classificadas como desaparecidas.

Autoridades ainda estão procurando 129 pessoas que foram dadas como desaparecidas durante os protestos. Imagem BBC

Apuração lenta

“O problema entre as figuras oficiais e as coletadas por outras entidades pode estar, entre outros, na demora da Ouvidoria em agir sobre o assunto, já que os mecanismos de fiscalização e controle têm sido lentos em começar a verificar os vários casos de violência”, diz o antropólogo Sebastian Lanz, codiretor da Temblores, uma ONG que, através de litígios legais perante altos tribunais, procura “estabelecer um diálogo entre o Estado e as comunidades violadas”.

A Temblores registrou 3.155 atos de violência nos protestos desde 28 de abril. “Estamos muito preocupados que as agências estatais não estejam mantendo um registro atualizado desses eventos”, completa Lanz. “A inatividade das autoridades levou várias organizações humanitárias a assumirem a tarefa de registrar e observar como a polícia está se comportando”.

Segundo Gimena Sánchez-Garzoli, diretora para os Andes do centro de defesa dos direitos humanos Wola, o governo colombiano colocou pessoas à frente da Controladoria, da Ouvidoria e da Procuradoria-Geral da República que não estão interessadas em cumprir a missão das entidades que comandam.

Sánchez-Garzoli diz estar impressionada com “a falta de empatia do partido governista Centro Democrático com os manifestantes, a falta de interesse em atender às necessidades básicas que eles exigem e o país irreal em que aparentemente vivem”.

A impressão foi confirmada pela diretora da Wola para os Andes em Washington, em 26 de maio, quando ela aceitou um convite do Ministério das Relações Exteriores colombiano para uma conversa pessoal com o vice-presidente colombiano, “porque é importante construir pontes de diálogo”.

Protesto contra o governo em Bogotá – REUTERS/Luisa Gonzalez

Um país à espera da CIDH

Na mesma reunião, a vice-presidente da Colômbia e nova ministra das Relações Exteriores, Marta Lucía Ramírez, negou que o governo Duque tenha rejeitado a entrada em uma missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Ramirez pediu, em vez disso, que fossem aguardadas as investigações dos órgãos de controle antes de autorizar as visitas solicitadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e a CIDH sobre os protestos. Mas os órgãos de controle, como a Ouvidoria e a Procuradoria-Geral da República, não mostram nenhum progresso real nas investigações.

Nos Estados Unidos, há um crescente nervosismo e preocupação com a conduta de seu outrora “aluno modelo” na América do Sul. O congressista republicano Jim McGovern disse estar “alarmado” com as denúncias de pessoas desaparecidas e apelou a Duque que “cumpra suas obrigações de direitos humanos e preste contas das denúncias de assassinatos, desaparecimentos e violência sexual durante os protestos”.

Em carta aberta, 55 membros do Congresso dos EUA exortaram o Departamento de Estado a “denunciar clara e inequivocamente a brutalidade policial na Colômbia”. Os parlamentares pediram até mesmo “a suspensão da ajuda direta à polícia colombiana na esteira das violações dos direitos humanos”.

Ministra das Relações Exteriores, Marta Lucía Ramírez, negou que o governo Duque tenha rejeitado a entrada em uma missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos – REUTERS/Luisa Gonzalez

A UNI Global Union, que reúne 20 milhões de trabalhadores em vários países, pressionou no Twitter o governo Joe Biden a “defender os direitos humanos e a democracia na Colômbia”.

Enquanto isso, o porta-voz da Casa Branca Jen Psaki instou as autoridades colombianas em uma entrevista coletiva “a localizar as pessoas desaparecidas o mais rápido possível” e acolheu “o envio de cerca de 35 equipes formadas por um promotor, investigadores, policiais e defensores”.

O governo de Iván Duque nega que haja um uso excessivo da força policial, mas em 11 de maio anunciou o início de “65 ações disciplinares, incluindo oito por homicídio contra policiais”.

Redação com DW / Reuters / BBC Internacional

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Policial é morto e 80 alunos são sequestrados em ataque na Nigéria

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Homens armados mataram um policial e sequestraram pelo menos 80 alunos e cinco professores em uma escola do estado nigeriano de Kebbi, informaram a polícia, moradores e um professor.

É o terceiro sequestro em massa em três meses no noroeste da Nigéria, e as autoridades culpam bandidos armados que buscam resgates.

Usman Aliyu, que leciona na escola, disse que os atiradores levaram mais de 80 alunos, a maioria meninas.

“Eles mataram um [dos policiais], entraram pelo portão e foram direto às salas de aula”, afirmou ele à Reuters.

O porta-voz da polícia de Kebbi, Nafiu Abubakar, disse que os bandidos mataram um policial durante uma troca de tiros e que também balearam um aluno, que estava recebendo tratamento médico.

A polícia ainda não havia comunicado o número de alunos desaparecidos na noite de quinta-feira (17), e um porta-voz do governador de Kebbi afirmou que a força está realizando uma contagem dos desaparecidos.

Sequestros que elevam tristeza ao povo nigeriano não é novidade. Desta vez levaram mais de 80 alunos, a maioria meninas.

O ataque ocorreu em um colégio do governo federal da cidade remota de Birnin Yauri. Segundo Abubakar, forças de segurança estão vasculhando uma floresta próxima à procura dos alunos e professores raptados.

Atiku Aboki, um morador que foi à escola pouco depois de os disparos terminarem, informou que viu uma cena de pânico e confusão enquanto pessoas procuravam os filhos.

Bandidos em busca de resgate já sequestraram mais de 800 alunos nigerianos em escolas desde dezembro. Alguns foram libertados e outros continuam desaparecidos.

* Ardo Hazzad, Garba Muhammed, Camillus Eboh e Angela Ukomadu – Repórteres da Reuters

Com Agência Brasil

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