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Governo Francês admite responsabilidade no genocídio de Ruanda em 1994

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Presidente francês afirma que seu país ficou ao lado do “regime genocida” e reconhece “sofrimento que provocou ao povo ruandês”. Massacre em 1994 deixou 800 mil mortos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, reconheceu nesta quinta-feira (27/05) que seu país teve grande “responsabilidade” pelo genocídio de 1994 em Ruanda, que deixou cerca de 800 mil mortos.

Em discurso feito em Kigali, capital do país africano, Macron afirmou que a França ficou ao lado do “regime genocida” de Ruanda e tinha parcela da culpa pela evolução do cenário que provocou o massacre.

“A França tem um papel, uma história e uma responsabilidade política em Ruanda. Ela tem um dever: O de olhar para história de frente e reconhecer o sofrimento que provocou no povo ruandês, ao privilegiar o silêncio em vez de examinar a verdade por tanto tempo”, disse Macron, em um memorial ao genocídio onde estão enterradas mais de 250 mil vítimas.

“Somente aqueles que sobreviveram àquela noite podem talvez perdoar, e ao fazer isso nos oferecerem o dom do perdão”, disse o presidente francês. “Por isso, de forma humilde e respeitosa, estou ao lado de vocês hoje. Vim para reconhecer a extensão de nossas responsabilidades.”

Ele frisou, no entanto, que a França não teria sido cúmplice do massacre. “Os assassinos que iam pelos pântanos, pelas montanhas, pelas igrejas, não tinham o rosto da França. A França não foi um cúmplice”, afirmou Macron, lembrando que as falhas de seu país contribuíram para “27 anos de amarga distância” com Ruanda.

“Somente aqueles que sobreviveram àquela noite podem talvez perdoar”, afirmou Macron

Relatório abriu caminho para viagem

Macron chegou a Kigali na manhã de quinta e primeiro se reuniu com o presidente Paul Kagame na residência presidencial. Em seguida, foi ao memorial ao genocídio.

A viagem faz parte de uma sequência de esforços dos franceses desde a eleição de Macron, em 2017, para reparar as relações entre os dois países.

Dois relatórios concluídos neste ano que examinaram o papel da França no genocídio ajudaram a abrir o caminho para a visita desta quinta, a primeira de um presidente francês ao país em 11 anos.

No genocídio de 1994, extremistas Hutu assassinaram integrantes da minoria Tutsi e hutus moderados que tentaram protegê-los. A derrubada do avião do então presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, que o matou, foi o gatilho para o massacre.

O governo de Ruanda e organizações que representam os sobreviventes do genocídio acusaram diversas vezes a França de ter treinado e armado milícias e tropas que lideraram o genocídio.

Futuro silenciado – Criança vê seus familiares sendo enterrados em vala comum – 1994, extremistas Hutu assassinaram integrantes da minoria Tutsi e hutus moderados que tentaram protegê-los

Papel de Mitterrand

O relatório francês, resultado de uma investigação de dois anos, indicou uma série de falhas graves, omissões e imprudências por parte do governo da França, então presidida por François Mitterrand.

O documento concluiu que a França havia “fechado os olhos” diante dos eventos que culminaram no genocídio e tinha “uma responsabilidade pesada e avassaladora” no massacre.

O relatório aponta a responsabilidade de Mitterrand, que era amigo íntimo de Habyarimana. “Essa amizade explica a extensa implicação de todos os serviços do Palácio do Eliseu” na política em relação à Ruanda, afirmou o documento.

Além da relação pessoal entre Mitterrand e Habyarimana, a investigação revelou que havia uma obsessão em fazer de Ruanda um território de defesa da Francofonia, o que justificou “a entrega de milhares de armas e munições ao regime de Habyarimana, assim como a participação de militares franceses no treinamento das Forças Armadas ruandesas”.

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ORIENTE MÉDIO – Gaza registra novos bombardeios

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As Forças de Defesa de Israel confirmaram nesta terça-feira (15) que iniciaram novos bombardeios na Faixa de Gaza.

O lado palestino diz que o ataque ocorreu próximo a um povoado no sul da Faixa de Gaza, mas não deu maiores detalhes, segundo a agência France Presse. Não há informações sobre mortos ou feridos.

Esse é o primeiro enfrentamento mais grave na região desde maio, quando palestinos e israelenses concordaram em um cessar-fogo após 11 dias de confrontos. Estima-se que 260 pessoas morreram no lado palestino e 13 em Israel.

O episódio também marca a primeira tensão em Gaza desde a posse do novo governo, do primeiro-ministro Naftali Bennett. Ele governa o país desde domingo, quando conseguiu formar uma ampla coalizão que reúne políticos de diferentes denominações unidos para tirar Benjamin Netanyahu do poder.

Enfrentamentos como o desta terça vão significar um teste para essa aliança. Isso porque o grupo é composto tanto por políticos nacionalistas e militaristas — caso do novo primeiro-ministro — e de representações árabes que tendem a apoiar o lado palestino.

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