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Sociedade

A Tradição do Samba de Roda

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Fotografia de Júnior Mascarenhas
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Dorival Caymmi já cantava “Quem não gosta do samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé”. O samba é uma das expressões culturais mais belas que a humanidade já criou. É também, sem dúvidas, um patrimônio histórico criado pelo povo negro.

Em minha primeira publicação como colunista do jornal DiBahia eu gostaria de publicar um texto de introdução a questão da cultura, já que semanalmente escreverei sobre expressões culturais e artísticas diversas. Mas pela gênese dessa coluna coincidir com a véspera do 13 de maio, resolvi escrever sobre um marcante aspecto cultural de origem negra, que por vez me proporciona demasiado prazer. O SAMBA.
O 13 de maio não é uma data para se comemorar a abolição da escravidão, como muitos ainda fazem, e sim para refletir sobre a farsa criada e perpetuada no imaginário do brasileiro e na “história” do Brasil. Representa a negação da luta e do constante histórico de violência sofrido por guerreiros e guerreiras durante quase quinhentos anos aqui em pindorama. O documento assinado pela Princesa no final do século XIX representa o início de uma nova estrutura escravagista no Brasil “(…) uma estrutura que é muito mais extensa, mais ampla, do que a estrutura legal” (DAVIS, 2018, p. 31).

Porém, mesmo com a questão da falsa abolição que deve ser amplamente debatida, creio que o 13 de maio ainda reserva um espaço de comemoração no coração do movimento negro e de todos que cultivam a fé nas matrizes africanas. Não para comemorar a abolição! Mas para comemorar o dia do PRETO VELHO.

E é com Preto Velho que começo a falar de samba! O Preto Velho é uma linha de entidades, de negros que viveram e foram escravizados nas senzalas, local onde o samba se manteve durante muitos anos. Hoje se apresenta como um dos gêneros musicais mais escutados. A influência dos povos africanos na cultura brasileira é considerável, tanto as de origem da África ocidental como muitas vertentes do candomblé, como as de origem central-africano, como o Samba e a capoeira.

O samba que atualmente é marca da música brasileira em todo o mundo, antes de ganhar sua forma atual lá no Rio de Janeiro no início do século XX , surgiu no Recôncavo da Bahia, lugar de forte presença da cultura negra no pais. Depois de anos sendo utilizado como festejo tradicional desse povo foi expandido para todo o Brasil.

Mesmo com um longo histórico de presença desta expressão em nosso território, apenas no início do século passado o primeiro samba foi gravado no país, “pelo telefone” de Ernesto dos Santos popularmente conhecido como Donga entrou para a história da música brasileira como primeira gravação do gênero musical.

Além de ter um ritmo contagiante e único, o samba não é apenas um estilo musical marcado pelo batuque, é a memória viva dos ancestrais de um povo oprimido, perseguido e guerreiro até os dias de hoje. Por isso mesmo e por ter um espaço de adoração na cultura popular, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional considerou o samba patrimônio cultural imaterial do Brasil, tendo o dia 2 de dezembro como o dia nacional de sua comemoração.

Na Bahia, a Associação dos Sambadores e Sambadoras do Estado da Bahia -ASSEBA realizou uma incrível pesquisa que possibilitou o mapeamento dos movimentos de samba de roda do estado, consagrando seus precursores como Mestres e Mestras do samba.

A iniciativa apoiada pelo IPHAN e pelo fundo de Cultura da Bahia permitiu a criação de um catálogo com 57 resumos biográficos de importantes MESTRES DO SAMBA DE RODA de quatro territórios de identidade do Estado (Região Metropolitana de Salvador, Recôncavo, Baixo Sul e Portal do Sertão)
Desses Sambadores e Sambadeiras podemos destacar o MESTRE SENHOR DEODATO, nascido na comunidade do Vapor em Cruz das Almas no dia 8 de novembro de 1930, importante agente cultural do samba de enxada que surgiu nas senzalas antes da existência do pandeiro.

Podemos citar também a MESTRE SAMBADEIRA DONA ZÉLIA, uma das mais tradicionais agente cultural do samba de Saubara, importante figura do samba das raparigas, que utiliza o pandeiro, o prato e a faca para originar o ritmo contagiante deixado pelos antigos. “Antes de me despedir deixo ao sambista mais novo o meu pedido final: não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba de Samba, pra gente sambar”.

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Sociedade

Empate trava caso sobre permissão para Dado e Bonfá usarem nome Legião Urbana

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A definição sobre a validade da sentença que permitiu a Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá usarem o nome de sua ex-banda, a Legião Urbana, sem autorização do filho do fundador e já falecido vocalista, Renato Russo, sofreu um impasse na 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça: um empate.

Nesta terça-feira (22/6), o julgamento foi retomado com voto-vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que abriu a divergência em relação ao posicionamento da relatora, ministra Isabel Gallotti.

Após os votos de Luis Felipe Salomão e Raul Araújo, registrou-se empate por 2 a 2, que não pode ser definido porque o ministro Marco Buzzi não participou da primeira sessão de julgamento do caso, em 6 de abril.

Como houve sustentação oral de ambas as partes do processo, as manifestações dos advogados terão de ser renovadas para que o ministro Buzzi possa assisti-las e fazer o desempate. A 4ª Turma só tem mais uma sessão de julgamento antes do recesso judiciário de julho, na próxima terça-feira, extraordinária e com pauta já divulgada.

O recurso especial se insurge contra decisão em ação rescisória que ataca uma decisão da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. Essa sentença fixou que, apesar de Dado e Bonfá não serem os donos da marca Legião Urbana, eles têm o direito de usar o nome sem autorização do titular quando se apresentarem profissionalmente.

Para a relatora, a ministra Isabel Gallotti, essa sentença deve ser rescindida porque acabou por limitar o direito de propriedade titularizado e por afastar o atributo da exclusividade, inerente ao direito de propriedade da marca. Ela entendeu que houve ofensa direta à Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996). Votou com ela o ministro Luis Felipe Salomão.

Para a divergência do ministro Antonio Carlos Ferreira, a decisão não deve ser rescindida porque não tem qualquer repercussão sobre o registro da marca. Para ele, a sentença razoavelmente ponderou a discussão e não foi além de permitir uso limitado e excepcional da marca por aqueles que foram responsáveis por sua popularização e valorização, observando o princípio constitucional da função social da propriedade e em prol da disseminação da cultura. Votou com ele o ministro Raul Araújo.

Com Conjur

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