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Mais Que Esquerda e Direita: Individualismo x Coletivismo

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Por um longo tempo desde o invento da democracia moderna, a humanidade tem dividido a política em dois lados: a esquerda e a direita. A princípio, as características de cada espectro eram claras e precisas, sendo facilmente discernível quem é quem. No entanto, com o passar dos anos, especialmente nos últimos tempos, fica cada vez mais difícil entender quem compõe qual lado e, mais que isso, o que é determinante para entender quem está de que lado. A verdade é que a divisão esquerda e direita está cada vez mais defasada e confusa, dificultando análises políticas ao invés de auxiliar. Em contrapartida, há um modo muito mais coerente, sensato e consistente de compreender as visões políticas: a divisão entre Individualismo e Coletivismo.

A princípio, é necessário entender que estas duas visões, embora acabem resultando em posicionamentos políticos, vão além disso, são cosmovisões. Essas ideias vão além da política e afetam diretamente a maneira que um indivíduo vê outros indivíduos, suas ações e seus direitos.

Primeiro iremos falar sobre o Coletivismo. Trata-se de uma visão de mundo onde enxerga-se os indivíduos como elementos de um grupo, sendo os coletivos os principais objetos de interesse. As teorias coletivistas dividem sempre a sociedade em classes, raças, etnias, sexualidade, religiões, entre outros grupos e defende necessariamente que o coletivo deve sempre se sobrepor ao indivíduo. Chegando ao mais alto nível de coletivismo, o indivíduo é irrelevante e não pode ser detentor de direitos, os direitos são da classe, da raça, da religião, do coletivo, e os direitos de um indivíduo dependerá do seu pertencimento a determinado grupo.

Os méritos e a culpa de um indivíduo também estarão sujeitos a essa visão. Quando um indivíduo que pertence a um grupo comete um crime, os coletivistas não encaram isso como um crime cometido por um indivíduo, e sim um crime cometido por aquele grupo ao qual ele pertence. Em todo coletivismo, há um grupo inimigo causador de todos os problemas, e características ruins de alguns indivíduos são motivo para culpar todos os outros que àquele grupo pertencem.

Não é preciso dizer que qualquer tipo de ideologia preconceituosa existente é uma forma de coletivismo. O racismo, o antissemitismo, o fascismo e o nazismo são todas ideologias coletivistas, que veem grupos, e não indivíduos. O marxismo também é uma expressão extrema do coletivismo, já que encara os indivíduos como grupos, dividindo-os em classes, declarando que os proletários e os burgueses são inimigos, não importando a relação pessoal entre indivíduos destes grupos.

Além disso, uma característica marcante do coletivismo é a transferência de responsabilidades e a culpa coletiva. Quando alguns brancos escravizam negros, a culpa não é dos indivíduos que escravizaram, e sim da raça branca (sim, a “dívida histórica”). Quando alguns indivíduos judeus cometem crimes, o fracasso da nação se deve ao judaísmo.

Antagonizando completamente o coletivismo, há o individualismo. Marcado por pensadores como Locke, Lysander Spooner, Ayn Rand e Murray Rothbard, é uma cosmovisão que enxerga essencialmente os indivíduos como indivíduos, atribuindo a eles a titularidade de direitos que não podem ser violados por outros indivíduos. Em nossa sociedade moderna, o termo individualismo tem sido tratado como sinônimo de egoísmo, quando na verdade, apenas remete ao reconhecimento dos indivíduos e seus direitos individuais.

A crença central do individualismo é que indivíduos são detentores de direitos, que não podem se sobrepor a outros indivíduos e que são responsáveis exclusivamente pelos seus atos. A transferência de responsabilidade, a coletivização da culpa e a atribuição de características (que não são inerentes a eles) a determinados grupos vai na total contramão do individualismo, por isso, toda ideologia racista, homofóbica, xenofóbica e etc. é necessariamente anti-individualista, pois são ódios baseados em grupos.

Uma das maiores expressões individualistas da história da humanidade foi o discurso de Martin Luther King “I Have A Dream”, onde ele diz ter o sonho de que as crianças dele sejam julgadas não pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter, e isso é a síntese da cosmovisão individualista: as pessoas devem ser julgadas pelo indivíduo que são, e não pelo coletivo ao qual pertencem.

Como citado anteriormente, ambas cosmovisões resultam em posições políticas, e quando as comparamos, faz muito mais sentido esta análise que não tão criteriosa e comumente usada nos dias atuais em que divide-se esquerda e direita de forma confusa e contraditória. Comparando regimes coletivistas como nazismo e comunismo, vemos que eles têm muito mais em comum (planificação da economia, estatização total, divisão da sociedade em grupos, política do “nós contra eles”) entre si, que quando comparados com modos de governo individualistas, como o liberalismo laissez-faire, o minarquismo(não confundir com monarquismo) e o anarco-capitalismo. Acredito que esta divisão seja a a melhor possível se desejamos analisar as divisões da política a sério.

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Disputa pela marca Legião Urbana acontece nesta terça 22

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 O STJ Superior Tribunal de Justiça retoma nesta terça 22 o julgamento do uso da marca Legião Urbana. o imbróglio judicial envolve Marcelo bonfá é dado villa-lobos integrantes da banda contra a empresa Legião Urbana Produções administrada por Giuliano Manfredini filho de Renato Russo.

Na manhã de hoje o cantor André Frateschi fez um post em seu Instagram em solidariedade aos integrantes e fãs da banda.é ” hoje tem o fechamento desse julgamento que vai decidir se Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá são eles mesmos; não há outra possibilidade estamos juntos escrever Frateschi que ocupou os vocais na banda nas recentes turnês com os integrantes da legião originais. Dado Villa-Lobos republicou em seu perfil tanto no perfil de Frateschi; fãs da banda deixaram mensagens de apoio ao grupo.

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