Conecte-se conosco

[email protected]

Corpos Que Resistem – Emmer C

Publicado

em

Cria do extremo sul baiano, a multiartista Emmer C vem construindo uma importante trajetória na cena do RAP na Bahia, tendo participado de festivais e com diversos clipes e singles lançados, a artista mostra toda a sua versatilidade e o seu controlo sobre a sua obra e a sua carreira.

Emmer C trabalha relacionando moda, empoderamento e música, seja nas suas letras ou na potencia do seu corpo ela deixa muito claro para todo mundo que é uma BAD GIRL, em trechos da música ela exige

“Respeita nossa GANG ,Respeita nossa GANG Respeita as BAD GIRLS ,Se assuste com minha liderança, liderança ” “…Acha que tem o direito de brincar com a gente, mas o brinquedo são vocês e nesse jogo nós só queremos brincar”

Emmer C durante show no Festival de Verão de Música Independente do Balaio Hostel Bistrô em Trancoso – BA

BAD GIRL faz parte do Álbum “Utilidade Pública” (2018) lançado pelo duo KBSativa MCs, uma parceria entre Emmer C e Nettox MC que tem dado grandes e importantes frutos para a rapper, entre elas a participação no festival Suíça Baiana em Vitória da Conquista em 2018, e do Festival da Juventude 2015 durante a batalha de rap e da 4ª Mostra de Música em Salvador no Teatro Sesc Casa do Comércio.

Emmer como toda mulher brasileira, equilibra mais de uma função, além de artista, estudante e empreendedora, a Mc também é mãe de uma menina. Como muitas mulheres Emmer precisa de muita sabedoria e suporte familiar para gerir os dois mundos, o profissional e o familiar.

Enquanto empreendedora a rapper trouxe para a cena musical todo o seu desejo por moda, e passou a produzir as suas próprias peças e fundou a marca Arruda Ateliê, que é ateliê, garimpo e brechó. Com todo o seu estilo Emmer passa a influenciar outras mulheres para além de um empoderamento político, ela produz também roupas que valorizam desde a sensualidade até a ancestralidade feminina.

Emmer C e Nettox em show do KBSativa MCs

Nas redes a arstista segue produzindo conteúdos, desde o TIKTOK em vídeos sozinha e até com a filha, e atuando também na produção de lançamentos musicais como foi a trajetória da canção “Manda Áudio”, que teve música e clipe produzida durante a quarentena em 2020.

Manda Áudio é o segundo trabalho da artista em parceria com o produtor audiovisual Caíque Azevedo, que participou também da produção do clipe de Na Maciota lançada em 2019, o videoclipe já ultrapassa 5 mil visualizações.

Para o segundo encontro da série Corpos Que Resistem a Dibahia convida a artista e empreendedora Emmer C.

Vinicius – Como você percebe a sua formação enquanto artista?* 

Emmer C – Já são alguns anos, e dentro desses anos eu venho absorvendo muitas vertentes e aspirações, vejo que até hoje a única certeza que eu tenho é que eu sou da MÚSICA, seja no RAP, no RAGGA, no R&B, no DRILL… E todas essas buscas fazem parte de minha formação, quero sempre poder me desafiar na música, e ver até onde a arte e o amor que tenho pelo o que eu faço podem me levar! 

Vinicius- O Kbsativa Mcs foi e é parte fundamental da sua trajetória, conta um pouco sobre essa experiência?

O KBSATIVA MC’S foi o meu passo inicial pra me reconhecer e me fomentar enquanto artista, para mim é tudo muito mágico, pois quando eu mesma não acreditava em mim, conheci o Mc Nettox e Danillow em meados de 2016, e partilhamos muitas ideias em comum, foi aí que decidimos montar o grupo, e nunca deixamos de acreditar no nosso trabalho, eu lembro que a primeira vez que gravamos juntos, foi usando um aparelho de celular e 3 colchões que usamos pra fazer uma cabine a prova de ruído, ou seja por mais que existisse a dificuldade a gente tava ali fazendo o que a gente ama, um acreditando no outro, depois de tantos anos ver tudo que a gente conquistou, as pessoas que a gente conheceu e os lugares onde nosso nome chegou, me deixa muito orgulhosa, e ainda vem muito mais por aí !

Vinicius – Como tem sido para você enfrentar a pandemia, enquanto mulher, artista, mãe, estudante universitária e empreendedora?

Emmer C – Tem sido catastrófico, o corre já não era fácil, agora ficou ainda mais difícil, mas foi durante esse processo pandêmico que eu mergulhei em uma busca no meu interior enquanto artista, essa busca também foi de sanidade mental, porque querendo ou não a gente acaba se frustrando e se limitando ainda mais nesse atual momento. Busquei me mover para estar atuando nos novos palcos que são as redes sociais, tenho aproveitado o tempo para estudar mais sobre diversos processos criativos, como por exemplo : iluminação e áudio visual. Cursos esses financiados pela Lei Aldir Blanc, que se não fosse essa lei eu não sei o que seria de nós artistas (risos).

“Eu sempre fui de me reinventar “

estou estudando muitos estilos musicais e partilhando muito conhecimento com outras amigas artistas, nessas horas a gente também percebe o quanto é importante uma rede de apoio. E sigo na pandemia sonhando com dias melhores e a queda de Bolsonaro.

Vinicius – Nos seus trabalhos o nome que mais aparece é o da Emmer C, como é para você ser a maior realizadora dos seus objetivos? Atuando com moda, produção, direção e composição?

Emmer C – Eu quero por a mão em tudo (risos), eu acho isso muito importante, cada trabalho que produzo eu encaro como um filho que vou jogar pro mundo, quero fazer bem feito, me cobro demais em relação a isso, pois é a minha imagem que vai estar ali, é a minha música, quero que outras pessoas escutem, vejam e se inspirem, se motivem! 

“Nós enquanto artistas independentes e ainda por cima MULHER, temos que ser 2 vezes melhor em tudo que fazemos! “

Eu sempre gostei de estar integrada em muitas coisas, aprendi a costurar, fiz teatro, pinto, desenho, escrevo… mas isso não é porque eu não sei o que eu quero, e sim porque eu quero saber de tudo um pouco, e é nessa levada que eu acabo metendo mão em muita coisa no meu trabalho, na roupa, maquiagem, estética, roteiro. Eu amo fazer isso !!!

Vinicius – Hoje quais são os desafios que você ainda percebe que as mulheres enfrentam no mundo da música, principalmente do Rap?

Acho que o maior desafio atual fere a todas, precisamos ter mais valor e espaço para artistas mulheres independentes, são muitas e eu sei que tem espaço para todas, busquem conhecer mais sobre as mulheres do interior da Bahia, colocar o som da mana pra tocar na sua playlist, ajudar no engajamento dos trabalhos, fortalecer essa rede de apoio, de artista pra artista e de público pra artista!

Vinicius – O Seu trabalho mais recente foi o sucesso “Manda Áudio”, qual a importância desse projeto para você? E o que podemos esperar do EP “Samaritana”?

Emmer C – Esse trabalho foi um desafio, porque eu quis resgatar a Emmer com 12 anos, quando eu escrevia músicas de amor! Considero um dos trabalhos mais lindos da minha carreira, quando eu escrevi essa música eu estava passando por um relacionamento, e eu como uma verdadeira pisciana, estava no céu do puro amor, e como sempre fui de colocar meu sentimentos no papel, não foi diferente, fiz essa letra, e gravei a canção, hoje ela é uma das minhas preferidas, eu sempre gostei de falar de amor e sempre tive essa referência de meu pai que é poeta Amador! Cresci vendo ele recitar o amor de diversas formas, e se eu sou amor da cabeça aos pés me senti na necessidade de jogar isso pro mundo (a música eterniza as pessoas )
Contei com a ajuda do meu incrível e talentosíssimo amigo, Caíque Azevedo que ficou responsável pela gravação e edição e a atuação do Ruan Clinton que fez o meu par no videoclip, é assim mais um trabalho lindo e independente foi executado.

Sobre o EP Samaritana o meu primeiro EP Solo, estou trabalhando nele com muita dedicação e cautela, sem pressa porque quero que saia perfeito, e ainda esse ano! Irei contar com as produções de Digital Apparatus @lula_digitalapparatusbr_omc de Ilhéus e da Owl Records @owlrecordsoficial de Eunapolis, e muito mais.
Eu sempre acredito no poder em que a música tem em eternizar as pessoas, e é nessa perspectiva que estou trabalhando nesse EP, será um mix de flow, estilos e versos, aguardem 🙂

Vinicius – Diz pra gente outras mulheres que te inspiram e que moldam a sua forma de se posicionar no mundo:

Se eu for dizer todas, não caberá nesta coluna hahah, Mas as minhas maiores referências sempre serão as que vieram antes de mim!

“Minhas ancestrais, minha mãe, minha irmã, minha filha, minhas amigas maravilhosas, muitas artistas mulheres da música, mulheres potentes, autênticas, cíclicas e ÚNICAS.”

Professor, Artista e Bixa, nascido com o sol em Capricórnio. Pesquisador da cena, da dramaturgia, da performance. Licenciado Interdisciplinar em Artes pela UFSB e estudante de Artes do Corpo em Cena também na UFSB. Militante LGBTQIA+

Continue lendo
Propaganda
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

[email protected]

Governo do Estado lança cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?

Publicado

em

Por

O Governo do Estado disponibiliza, no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?”. A cartilha apresenta informações e instruções para pessoas LGBTQIA+ que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência LGBTfóbicas.

Segundo o coordenador LGBT da SJDHDS, Kaio Macedo, a ideia da cartilha surgiu durante o Maio da Diversidade. “Percebemos que essa parcela da população desconhece os seus direitos e não tem acesso à justiça. A cartilha traz os avanços que conquistamos, a nossa rede de proteção e promoção dos direitos, que atende as pessoas que sofreram violência LGBTfóbica, além de orientações pós violência”, explica Kaio.

Na cartilha, os cidadãos e cidadãs têm acesso a informações sobre os tipos de violências e violações de direitos sofridas pela população LGBTQIA+, assim como contatos e formas de denúncias de cada órgão da rede de proteção, a exemplo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT), Conselho LGBT da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado (OGE), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Defensoria Pública (DPE).

“Vejo essa cartilha como uma arma importantíssima na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+ e no combate à LGBTfobia, que está tão presente, infelizmente, em nosso país. Com essa cartilha, podemos criar uma rede de amparo onde as informações serão difundidas para que mais pessoas saibam como denunciar”, comemora o produtor cultural Roberto Júnior.

A LGBTfobia é um conceito que abrange diversas formas de violência contra pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras, seja verbal, física ou psicológica. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou o preconceito contra homossexuais e transexuais, equiparando crimes de LGBTfobia ao de racismo. Ou seja, atos de violências contra pessoas LGBTQIA+ devem ser enquadrados de acordo com a Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

Continue lendo

Copyright © 2021 DiBahia CNPJ: 41.275.067/0001-16