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Mãos que plantam: a recuperação de áreas degradadas a partir de uma análise de gênero

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As mulheres tem obtido grande destaque na lida com a terra desde o último ciclo da Idade da Pedra Polida, período este conhecido como Neolítico, que decorreu de 10.000 anos a.C e 4.000 anos a.C. período onde a humanidade começou a transformar o meio ambiente, inclusive adaptando-o a sua realidade, havendo importantes avanços quanto aos as aspectos sociais, econômicos e políticos.

Através da observação das mulheres, a agricultura começou a surgir, pois ao realizar a colheita de frutas, elas notaram que ao lançar sementes em um determinado local, em seguida surgiria uma planta que daria origem aos frutos que antes haviam sido colhidos. Assim, deu-se início a um ciclo revolucionário que mudaria radicalmente e para sempre o futuro da humanidade: os primeiros passos da agricultura, invenção esta tão extraordinária que colaborou diretamente para o processo de sedentarização e autonomia dos grupos humanos.

Após esta breve e necessária retomada histórica da efetiva participação das mulheres na lida com a terra, faz-se necessário realizar uma série de questionamentos importantes. O primeiro deles é em relação ao que afirma o IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNADS), do ano de 2001 a 2015, que aponta que 25,3% das famílias da zona rural brasileira são chefiadas por mulheres, porém este número tão relevante não garantiu o acesso destas mulheres do campo a uma importante atividade socioambiental: a restauração de áreas degradadas, que de maneira ainda majoritária, é praticada por homens.

A verdade é que, em pleno século XXI, não há como se pensar em recuperação de ambientes, ecossistemas ou paisagens, sem a inclusão de mulheres nas diferentes etapas que envolvem o processo de recuperação de áreas degradadas. Se pensarmos pelos caminhos da sustentabilidade, os próprios Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, mas precisamente o “Objetivo 5” reforça a necessidade de erradicar todas as formas de discriminação contra mulheres e meninas como forma crucial para acelerar o desenvolvimento sustentável.  

Pensar na incorporação da perspectiva de gênero no planejamento e desenvolvimento de ações de restauração é crucial, sabe por quê?  Primeiro, porque de uma maneira geral, as mulheres que vivem no campo possuem conhecimentos diversos e competência para participar de tomadas de decisões, ajudando a elaborar metodologias e a exercer funções que ajudem a recuperar os recursos naturais presentes nos ambientes, como é o caso das florestas. Segundo, porque incluir a participação feminina em processos assim aumentam benefícios ambientais como o uso sustentável do solo, a coleta de sementes, a criação e manutenção de viveiros, o manejo de mudas nativas de biomas brasileiros e o reflorestamento de áreas degradadas.

Além dos efetivos ganhos ambientais visíveis com a participação das mulheres em planos de recuperação de áreas degradadas, não podemos deixar de citar o avanço socioeconômico que isto representa especialmente a aquelas que são chefes de família. Mulheres do campo que prestam serviços ambientais remunerados tornam-se protagonistas dentro das suas realidades e contribuem diretamente para o aumento da melhoria da renda familiar. Isso ajuda a construir uma estratégia de engajamento de mulheres de comunidades rurais em atividades de restauração florestal, abordando a questão de gênero e contribuindo para a inserção destas mulheres no mercado de trabalho.

Portanto, pensar em investir nas mulheres e meninas que vivem nas áreas rurais como agentes de transformação social, econômica e ambiental é de suma importância dentro da perspectiva das ações socioambientais, pois do contrário, permanecem as enormes barreiras à igualdade de gênero, inclusive no campo.

Geógrafa, especialista em Meio Ambiente e Desenvolvimento, professora da rede estadual de ensino da Bahia, ativista social com diversos projetos na área ambiental e de ensino e aprendizagem, coordenadora de projetos de emancipação e empoderamento de mulheres do campo e das periferias.

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Reunião de alinhamento da rede de proteção a mulher

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Na manhã desta sexta (18/06), reuniram-se na sede do 8° BPM, representantes dos órgãos que compõem a “Rede de Proteção a Mulher”, no município de Porto Seguro.

O evento foi marcado pelas presenças das seguintes autoridades: Dra. Michelle Menezes Quadros Patrício, Juíza de Direito; Delegada Elisabeth Salvadeu, representante da DEAM; Sr. Lucas Magalhães, representante da Coordenação Regional do DPT; Sra. Moana Fernandes Novaes de Oliveira, Coordenadora do CRAM (Porto Seguro); Sra. Kâdara Pataxó, representante do CRAM (Santa Cruz Cabrália); Subten PM Anderson dos Santos, Coordenador Adjunto do CICOM; Dra. Tatiana Câmara de Assis, Defensora Pública; e, o Delegado Marcelo Mota, representante da 1° DT, além do Comandante e Subcomandante do 8° BPM, o Ten Cel PM Alexandre e o Maj PM Lima Neto, respectivamente.

O encontro serviu para traçar um balanço acerca das atividades desenvolvidas, analisando os resultados alcançados até o momento, bem como, projetar as futuras ações de melhorias e eventuais correções.

ASCOM/8° BPM

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