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Desconexões do Governo da Bahia

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Para a batalha contra a pandemia de covid-19 ser vencida, pede-se esforços de todos os setores e partes da sociedade, como: população, empresas, entidades de saúde, veículos de comunicação, agentes de segurança pública e governos. Cada um com suas devidas funções exercem um grande poder sobre os direcionamentos das ações de combate a esse terrível mal que nos assola. Porém, pelo menos a nível regional uma dessas partes não está agindo da maneira que se esperava e muito menos contribuindo para menores impactos negativos dessa pandemia. O governo estadual desde o início, fez perigosas escolhas no combate dessa doença e suas consequências, agiu de maneira extremamente exigente com as outras partes da sociedade demandando atitudes que muitas vezes nem ela própria seguia e com ações desastrosas no quesito estruturação da saúde pública. Por essas e por outras situações que a população e empresariado perdeu todo o respeito e fé na sua estancia governamental do estado da Bahia, levando-os a tamanha revolta, a ponto de desrespeitar até os decretos impostos nos últimos dias. A seguir, os tais motivos para essa revolta e indignação:

Centralização das descisões: De maneira sempre muito autocrática o Governador Rui Costa, assumiu as rédeas de todas as decisões do estado, deixando de lado a participação de prefeitos e secretários municipais, tornando-o meros figurantes nessa história. Com a imposição dos decretos restritivos a todo estado de forma homogênea, prefeitos de várias cidades da Bahia como Porto Seguro, Eunápolis, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista e outros, reclamaram que não foram sequer ouvidos ou levadas suas opiniões em consideração, para a construção desses decretos, opiniões essas que certamente estavam mais próximas de suas realidades locais e de suas peculiaridades. O mesmo fato aconteceu com as entidades representativas do comércio e hotelaria, que tiveram seus nomes várias vezes citados, como que elas estivessem sendo consultadas para a tomada de decisão e concordassem plenamente com as medidas restritivas de funcionamento do comércio, o que na maioria das vezes não ocorreu realmente. 

Lockdown e toques de recolher: Apostar quase todas as fichas que somente medidas radicais de isolamento social, duras restrições de funcionamento do comércio e lockdown iriam resolver todos os problemas referentes ao novo corona vírus, mesmo não havendo evidencias cientificas sobre sua eficácia. Esse foi um grande erro dessa gestão estadual e o que visivelmente não surtiu os efeitos esperados, exemplo dessa ineficiência é Salvador, umas das cidades baianas que mais tempo ficou em regime de lockdown, mas que mesmo assim até o momento da postagem desse artigo, possuía 5.240 mortes por covid, sendo responsável por quase 1/3 de todas as mortes por covid no estado e se adicionarmos as outras cidades da região metropolitana de salvador, os números ficam ainda piores. Mesmo na contramão de outras localidades bem sucedidas no combate ao vírus, como Inglagterra e Suécia, que ao invés de restringir o funcionamento do comércio, apenas limitou sua capacidade de atendimento e ampliou o horário de funcionamento, com a ideia de não gerar aglomerações, diluindo seu público em um tempo estendido e afetando o mínimo possível o lado econômico dessas regiões. Porem essa possibilidade nem se tornou uma hipótese ou possibilidade, o que acarretou em recorde de desempregos na Bahia, empresas fechando suas portas e grande desequilíbrio econômico. Mas mesmo assim o nosso estado nunca deixou de estar nas primeiras posições do macabro ranking dos estados brasileiros com mais casos e mais mortes de covid-19.

Demonização do tratamento precoce: Não estou aqui nesse momento defendendo ou não a eficácia desse tratamento frente a covid19, estou apenas elucidando que não cabe a uma gestão pública determinar o que pode-se ou não utilizado no meio médico, exemplo disso é o SUS de longa data, reconhecer e utilizar tratamentos tidos como alternativos, exemplos a aromaterapia, constelação familiar, hipnoterapia, ozonioterapia, terapia de florais e muitos. Cabe a autoridade médica decidir o que deve ou não prescrever ao seu paciente e nesse processo ele é soberano, o estado deve conceder toda a estrutura e necessária para os mais diversos tratamentos, inclusive o precoce. Porem ao contrário disso o governo estadual baiano, não disponibilizou para as cidades os medicamentos desse tratamento, dificultou o acesso a eles, perseguiu profissionais de saúde que o utilizavam (caso da Dra. Raissa Soares em Porto Seguro, que foi demitida), ameaçou publicamente prefeitos e secretários municipais de saúde que utilizassem tal tratamento e por último recentemente proibiu o seu uso. É o estado mais uma vez de maneira impositiva decidindo o que pode-se ou não fazer.

Compra de respiradores: Desde o início da pandemia que o governo estadual se envolveu nos mais diversos escândalos envolvendo compra de respiradores, foi assim com a compra com a Hempcare, empresa essa que fornece produtos feitos com base de maconha. Tal negociação por 300 unidades de respiradores, foram realizadas via whatsapp e de maneira amadora o valor integral 49 milhões de reais foi pago de forma antecipada, porem os produtos nunca chegaram e muito menos o dinheiro devolvido. Outra compra desastrosa foi com a empresa Ocean 26 Inc. que custaram aos cofres públicos cerca de R$ 44 milhões, mais uma vez sendo pagos integral de maneira antecipada e com os respiradores nunca chegando. No entanto nem só de respiradores nunca entregues vive o governo da Bahia, que se envolveu em uma serie de compras de respiradores que não eram específicos pra necessidades de paciente acometidos de covid e de respiradores de baixa qualidade. Exemplo, em Porto Seguro, foi que a inauguração dos leitos de UTI feitos em parceria com o hospital particular Neurocor, foi atrasado em quase 20 dias por causa da SESAB ter enviados respiradores inadequados para o uso de pacientes de covid e os que foram enviados depois não duraram 6 meses de uso, por apresentarem vários problemas e quebrarem. Nesse ano de 2021 a população da região da costa do descobrimento chegou a ficar vários dias com leitos inoperantes na unidade Neurocor, por causa desses respiradores de baixíssima qualidade, tal problema só foi solucionado quando no início de março, o ministério da saúde enviou ao município, 15 respiradores.

Leitos de UTI: A falta de leito de UTI específicos pra covid, foi algo recorrente nesse último ano, uma demora colossal na implementação deles e uma péssima divisão dessas unidades pelo estado. A região de Porto Seguro, que compreende 9 municípios, totalizando mais de 400 mil habitantes, passou 04 longos meses apenas com os leitos do HDLEM, somente no final de julho foram criados mais 20 leitos na cidade de Eunápolis e em meados de agosto mais 10 leitos no hospital Neurocor em Porto Seguro. O grande problema iniciou a partir de outubro de 2020 que começou um processo de desativação de leitos por causa da diminuição de casos e internações em todo estado, porem já era de consciência de todos a aproximação da segunda onda que assolava a europa. Até janeiro de 2021, foram fechadas segundo o Ministério Publico quase 900 leitos no estado, inclusivo o hospital de campanha do estádio Fonte Nova, mas nenhum plano de contingencia foi preparado, para a reativação desses leitos, o que levou a Bahia em fevereiro, a um estrangulamento do sistema de saúde por atento de casos de internação e falta de leitos que a poucas semanas atrás tinham sido fechados. Trouxe também muita indignação uma resposta de Rui Costa em uma de suas lives auto denominada “papo correria”, a qual afirmou que abertura de novos leitos de UTI incentivava as pessoas a aglomerarem, resinificando de maneira torpe a função dos leitos de tratamento intensivo.

Falta de pagamento de salários: É inegável que os profissionais mais importantes nesse momento pandêmico são os profissionais de saúde, contudo o governo estadual falhou imensamente com esses profissionais, deixando que seus salários fossem atrasados. Pense bem, os profissionais que mais estão trabalhando e estão colocando até suas vidas em risco, para no final do mês não receberem seus honorários para o seu sustento e de sua família, é uma situação no mínimo que degradante. Esse problema ocorreu a ainda ocorre em todo estado como: HRDLEM em Porto Seguro, Hospital de Referência Covid19 em Eunápolis, UPA do Cabula, Maternidade Albert Sabin, Unidade Menandro de Faria, todas em Salvador e muitos outros que estão em atraso dos salários ou com boa frequência recebendo com atraso. A SESAB alega que pelo menos a maioria dos profissionais que estão passando por esse tipo de situação, não são funcionários do estado e sim funcionários de unidades privadas que prestam trabalhos ao estado. Porem terceirizar serviços não retira a responsabilidade do estado, cabe a ele garantir que as empresas terceirizadas estejam recebendo de maneira justa os seus proventos e arcando com o pagamento de seus funcionários.

Demissão de médicos: Na última semana cerca de 800 médicos vinculados a SESAB, de vários hospitais do estado receberam aviso prévio de demissão. Trata-se do cancelamento de vagas de trabalho médico por contrato de CLT por meio das organizações sociais (como previsto por lei) sem nenhuma justificativa plausível para tal ação a não ser redução de gastos, mas o problema é isso tudo está sendo feito em pleno auge máximo da pandemia, quando por diversas vezes o Governador disse que estava com dificuldade na contratação, pois estava faltando mão de obra qualificada na área da saúde. Inclusive o secretário estadual de saúde Fabio Villas Boas, postou em suas redes sociais no último dia 5, ainda existia 23 vagas de médicos para fechar a escala e poder abrir mais 50 leitos de UTI no Hospital Metropolitano, então fica a dúvida, se está faltando mão de obra e o estado está à procura de mais profissionais de saúde, porque simplesmente demitir 800 desses profissionais?

Politização: É só observar as postagens, entrevistas e lives do Governador Rui Costa e do Secretário estadual de Saúde da Bahia, Fabio Villas Boas, para perceber rapidamente que sempre elas possuem um teor de rivalidade política com o governo federal. Poucas vezes se discute o que o estado está fazendo ou poderia fazer, na maioria das vezes a pauta principal é apontar o governo federal como culpado de absolutamente tudo. O auge dessa compulsão patológica foi no vídeo postagem do governador sobre o ocorrido com o soldado Wesley Soares, quando afirmou “o Brasil vive em um ambiente de difusão do ódio e da mentira desde 2018” em uma clara referência ao presidente Bolsonaro, que logicamente nada haver tem com o desastroso caso que culminou com a morte brutal do soldado baiano. Essa foi uma das diversas vezes que Rui se exime de qualquer responsabilidade e a transfere para a esfera federal.

Falta de apoio ao empresariado e população: Somente depois de mais de um anos de pandemia que o governo da Bahia, realizou algumas poucas medidas de apoio ao empresariado e a população que tanto sofreu com as medidas restritivas do comercio, que culminou em demissões em massa em todo estado e em um déficit econômico enorme. Essas medidas foram prorrogação por quatro meses e parcelamento em duas vezes, o prazo para recolhimento do ICMS apurado no âmbito do Simples Nacional, para micro e pequenas empresas e também uma disponibilização de uma linha de crédito para micro empreendedores. Já para a população, foi anunciado um auxílio de 150,00 reais para famílias de baixa renda com filhos matriculados na rede estadual de ensino. Medidas com certeza importantes, porém muito pequenas frente aos estragos criados próprio governo com a instituição do decretos restritivos.

Eleições municipais: Esse tema é praticamente unanime, no que se refere a hipocrisia do governo estadual, que incentivava, exigia e as vezes até obrigava as pessoas a ficarem em casa, para não se aglomerarem e consequentemente não se contaminarem. Todavia durante as campanhas municipais nem eles mesmo respeitaram essas regras, parecendo até que para garantir os seus desejos políticos, valia absolutamente tudo, inclusive passar por regras de distanciamento e saúde. Sejamos verdadeiros, grande maioria dos políticos de todas as regiões da Bahia fizeram aglomerações e ignoraram as boas práticas da pandemia, o que alardeou a todos foi o Governo do estado não intervindo em momento algum nesse processo e muito pelo contrário, participando de tudo isso com a figura do seu representante máximo, o Governador, envolvido de corpo e alma nas campanhas de seus colegas partidários, e me lembro daquela celebre frase “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Futebol: De pouco conhecimento de grande parte da população baiana, é o fato que o governo estadual em meados de fevereiro de 2021 ter pago a quantia de 8 milhões de reais pelos direitos de transmissão do Campeonato baiano de 2021 e 2020 atraves do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), a TV Educativa da Bahia (TVE), emissora ligada ao governo baiano, que está fazendo a transmissão do torneio. Mesmo estando no ápice de casos e mortes por covid 19, quando até mesmo se reclama de falta de verba para implementação de novos leitos de UTI, questionando o governo federal o envio de mais recursos financeiro. Demonstrando assim as principais bandeiras para essa gestão e o que realmente importa para ela, o futebol antes das vidas humanas.

Por esses fatos e muitos outros, que boa parte da população e empresariado baiano não confia mais no estado, não cumpre mais seus decretos, se manifesta de forma contrária os pensamentos estatais e já não caminha mais junto a eles, até mesmo porque esse relacionamento não foi desenvolvido ou estimulado, então nesse momento reflete a sua inexistência. Torcemos que o vírus tome o rumo de minoração por conta própria, pois se dependermos das ações do Governo do Estado da Bahia para o seu combate, estaremos fadados ao fracasso, como podemos observar nesse período passado de mais de um ano.

Empresário do ramo da construção civil - Presidente da Uni Líderes, união de líderes empresariais de Porto Seguro - Graduado em Administração de Empresas - Morador de Porto Seguro a 25 anos - Colunista sobre empreendedorismo, economia e política

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Governo do Estado suspende transporte intermunicipal durante o São João

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O transporte coletivo intermunicipal rodoviário e hidroviário será suspenso, em toda a Bahia, no período junino. A medida, que tem o objetivo de evitar a disseminação da covid-19, será publicada em decreto no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (15).

O decreto prevê que ficam suspensas, a partir da meia-noite do dia 21 de junho, a circulação e a saída, e, a partir das 9h de 21 de junho, a chegada de qualquer transporte coletivo intermunicipal rodoviário, público e privado, nas modalidades regular, fretamento, complementar, alternativo e de vans. A restrição vale até as 5h de 28 de junho.

A circulação, a saída e a chegada de ferry boats, catamarãs, lanchinhas e balsas também ficam proibidas das 20h do dia 21 de junho até as 5h de 28 de junho, em todo território baiano.

Já desta terça-feira (15) até domingo (20) e de 28 de junho a 4 de julho, a circulação, a saída e a chegada dos transportes serão permitidas desde que a ocupação seja limitada a 70% da capacidade. Não haverá disponibilização de transportes extras.

A fiscalização do decreto é de responsabilidade da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações (Agerba).

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