Conecte-se conosco

Economia

Ibovespa cai com exterior, indefinições sobre Orçamento e CPI da Covid no Senado; dólar sobe mais de 1%

Publicado

em

(Getty Images)

Indefinições sobre Orçamento e determinação pelo STF de instalação de CPI da Covid são acompanhadas de perto pelos investidores

Depois de superar os 118 mil pontos na véspera, no maior patamar desde meados de fevereiro acompanhando o movimento positivo dos mercados acionários americanos, o Ibovespa registra perdas, em uma sessão com o exterior menos positivo e com os investidores acompanhando o noticiário sobre Orçamento e CPI da Covid por aqui. Às 10h05 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa tinha queda de 0,76%, a 117.478 pontos.

Os futuros dos índices acionários dos Estados Unidos não apresentam grandes variações nesta sexta-feira uma vez que a alta nos rendimentos dos títulos pesava sobre as ações de tecnologia, um dia depois de o S&P 500 fechar em máxima recorde. Na agenda econômica americana, os preços ao produtor de março subiram 1%, versus expectativa de alta de 0,5%.

Já o dólar futuro com vencimento em maio registrava alta de 1,21%, a R$ 5,645, enquanto o dólar comercial subia 1,20%, a R$ 5,640 na compra e R$ 5,641 na venda, seguindo movimento externo enquanto operadores locais avaliavam impactos sobre a discussão orçamentária decorrentes da CPI da Covid a ser instalada pelo Senado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Uma vez instalada, a comissão deve concentrar as atenções, ampliar a pressão sobre o Palácio do Planalto e se sobrepor ao restante da agenda do Senado”, aponta a equipe de análise da XP. A decisão, revés para o Planalto, motivou o presidente Jair Bolsonaro a se queixar de interferência entre os Poderes e sugerir a análise de impeachment de ministros da corte Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, também criticou a decisão, mas disse que ela será cumprida.

Ainda no radar, Bolsonaro disse ontem que Poder Executivo e Congresso estão mais próximos de um acordo sobre o Orçamento de 2021. Autoridades do Ministério da Economia insistem na necessidade de veto do presidente, uma vez que o Orçamento é jurídica e economicamente inexequível da forma como foi aprovado no Congresso. Os congressistas, porém, afirmam que o governo estava ciente de todas as mudanças feitas durante a tramitação e, por isso, não aceitariam qualquer veto, persistindo assim o impasse.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 virou para alta de 4 pontos-base a 4,67%, DI para janeiro de 2023 tem alta de 11 pontos-base a 6,50%, DI para janeiro de 2025 avança 11 pontos-base a 8,21% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 13 pontos-base a 8,87%.

O movimento ocorre apesar dos dados da inflação oficial no País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,93% em março de 2021 na comparação com fevereiro. Apesar de ser a maior alta para o mês desde 2015, os números ficaram abaixo do esperado. A previsão, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 1,03% frente fevereiro de 2021 e de 6,20% na comparação com março de 2020.

Ainda na agenda econômica de hoje, destaque para a participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na Série Super Lives – 1 ano de Bandemia da XP e do InfoMoney (confira a programação completa clicando aqui).  Investidores acompanharão se a sinalização de alta de 0,75 pp para a próxima reunião se mantém e se o “plano de voo” à frente continua contemplando um “ajuste parcial” da política monetária.

Em relação ao cenário internacional, o Senado americano apresentou ontem um projeto que visa direcionar a Casa Branca a adotar “competição estratégica” com a China. A iniciativa busca aprovar um pacote com apoio bipartidário com medidas para enfrentar a influência chinesa na economia e geopolítica.

Além disso, incertezas sobre a vacina da AstraZeneca continuam a gerar críticas da campanha de imunização na Europa.

Secretário do Tesouro defende vetos no Orçamento

O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, afirmou na quinta-feira que, para o Ministério da Economia, o veto de ao menos parte das emendas parlamentares, que destinam recursos para congressistas gastarem em obras em seus redutos eleitorais, seria a solução mais adequada à Lei Orçamentária de 2021. A fala ocorreu durante live do Broadcast do jornal O Estado de S. Paulo.

O Orçamento foi aprovado pelo Congresso Nacional há duas semanas, mas vem sendo chamado de “fictício” por não destinar recursos o suficiente a gastos obrigatórios, ao mesmo tempo em que elevou gastos com áreas como emendas parlamentares, defesa e segurança pública.

“Em termos de posição do próprio ministério, da Secretaria de Orçamento, Tesouro, é que o mais adequado seria, justamente, um veto. Aí, também, específico, na parte das emendas de relator e, concomitante a isso, fazer justamente a recomposição e distribuição de recursos por meio de um PLN (Projeto de Lei do Congresso Nacional).” Questionado se o veto seria total ou parcial, Funchal afirmou que isso dependeria do tamanho da recomposição, afirmando que as emendas do relator totalizam R$ 29 bilhões.

Funchal, afirmou que a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2022, a ser apresentada já na próxima semana ao Congresso Nacional, terá um padrão “normal” de meta fiscal, após flexibilidade na LDO de 2021.

“Vamos fazer o padrão, projetar o que esperamos de receita. As receitas são mais simples, porque seguimos a regra do teto e é isso, a meta vai estar definida. (…) É voltar ao padrão normal e não como no ano de 2020 e 2021”, disse Funchal em videoconferência promovida pelo Broadcast.

Em 2020, o governo solicitou flexibilidade na meta fiscal no projeto de LDO de 2021, com o objetivo de que ela fosse mudada sempre que as receitas fossem recalculadas. O projeto depois foi alterado para estabelecer uma meta definida de déficit primário.

Além disso, em conferência da Consulting House o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou que ao elevar a Selic em março para 2,75% não assumiu um compromisso, mas apenas sinalizou o que considerava adequado naquele momento: dar início a uma “normalização parcial” da taxa de juros.

“Ajuste parcial não é compromisso (…) Nosso único compromisso é perseguir o centro da meta de inflação no horizonte relevante”, afirmou.

O diretor destacou que o aperto monetário maior do que o esperado pelo mercado foi importante para diminuir a probabilidade de a inflação superar a meta deste ano e para ancorar as expectativas para um horizonte mais longo.

O aperto de março surpreendeu os analistas de mercado, que apostavam, na maioria, em uma alta de 0,50 ponto da taxa de juros. Na ata da reunião, o BC sinalizou novo elevação de 0,75 ponto da Selic para maio. “O custo de o BC ser visto como leniente com a inflação de 2021 naquele momento e que está postergando a convergência para 2022 seria um custo muito elevado”, afirmou. “Acho que foi muito importante ser decisivo e começar esse ajuste mais célere do que o mercado esperava.”

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta quinta-feira a chamada Lei do Gás, que muda o marco regulatório do setor. A nova lei traz entre as inovações, a troca do regime de outorga pelo de autorização para explorar serviços de transporte dutoviário e de estocagem subterrânea, o que reduz a burocracia para expansão da malha de transporte de gás natural.

Outra novidade é a garantia de acesso não discriminatório a infraestruturas como gasodutos de escoamento da produção, instalações de tratamento ou processamento e terminais de gás natural liquefeito (GNL).

Radar corporativo

A SLC Agrícola comunicou que arrendou da Agricola Xingu S.A. uma área de 39.034 hectares para a exploração do plantio de grãos e algodão. Essa área está localizada entre os municípios de Correntina (BA) e Unaí (MG). O valor do arrendamento não foi informado.

A empresa de concessões na área de transportes CCR irá realizar no dia 30 de abril o pagamento de dividendos obrigatórios e adicionais no valor total de R$ 181,5 milhões (R$ 0,08984205744 por ação ordinária).

A empresa de locação de automóveis e gestão de frotas Localiza comunicou a conclusão da oferta de emissão de R$ 1,2 bilhão em debêntures simples e não conversíveis em ações.

A empresa especializada em armazenagem de produtos agrícolas Kepler Weber irá realizar em 16 de abril o pagamento de R$ 25,4 milhões em dividendos.

A construtora Even divulgou os dados operacionais do primeiro trimestre do ano, em que realizou o lançamento de sete empreendimentos imobiliários, sendo três em São Paulo e quatro no Rio Grande do Sul. Esses empreendimentos somam um valor geral de vendas (VGV) de R$ 902,6 milhões, sendo que a parte que cabe à Even é de R$ 715,6 milhões. O VGV é o valor potencial de venda de todas as unidades de um empreendimento.

A Aura Minerals, que opera minas de ouro, prata e cobre em Honduras, Brasil e México, anunciou  sua prévia operacional referente ao primeiro trimestre do ano. Nesse período, a companhia atingiu a produção de 66.782 onças equivalentes de ouro (GEO), uma alta de 68% na comparação com os primeiros três meses de 2020. Esse montante é o segundo maior já registrado pela companhia em um único trimestre – o maior são os 68.964 GEO reportados no quarto trimestre.

Continue lendo
Propaganda
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Economia

O Que Realmente É Liberalismo e Neoliberalismo

Publicado

em

Vivemos em uma era de deturpação de termos. Não só a palavra fascista, como também a palavra liberal têm sido utilizadas de maneira arbitrária e fundamentalmente incorreta. Nos Estados Unidos, a palavra “Liberal” tornou-se sinônimo de progressista, enquanto no Brasil, geralmente é tratada como uma filosofia da defesa dos grandes empresários e darwinista social. Enquanto isso, neoliberalismo tornou-se um termo vazio, espantalho do verdadeiro Neoliberalismo e o bicho papão de socialistas, comunistas e progressistas.

Antes de tudo, desejo deixar claro que não pretendo aqui fazer uma descrição filosófica profunda acerca dessa filosofia, pois isso demandaria mais que um pequeno texto. Por isso, farei indicações de livros ao longo da coluna para os que querem entender melhor essas filosofias.

A começar pelo liberalismo, palavra essa que tem sido atacada, demonizada e “espantalhada”, o liberalismo consiste em uma filosofia política surgida no século XVII, teorizada inicialmente por John Locke, também considerado o pai do empirismo. John Locke foi um iluminista e contratualista, acreditando no contrato social, e que a legitimidade dos governantes deriva do consentimento dos governados. Uma curiosidade que poucos sabem de John Locke, é que ele foi médico, e foi ao operar e tornar-se parte da comitiva de Lord Ashley que ele entrou em contato com a filosofia política, tornando-se um opositor ferrenho de Charles II e James II. John Locke foi também um teórico do Jusnaturalismo, tendo abordado os direitos naturais principalmente em suas obras Segundo Tratado do Governo Civil e Ensaios Sobre As Leis Da Natureza.

Em suas obras, John Locke defende que as leis devem derivar da razão e da lógica, e não da Igreja e que devemos pautar os limites do governo com base nos direitos naturais, estes derivando das mais fundamentais características humanas, não podendo ser infringidos. Para Locke, o ser humano tende à autopreservação, e por isso, não deve ser impedido de viver como quiser, desde que não fira os direitos naturais de outros indivíduos. Uma ideia essencial para a compreensão do Liberalismo (e também do Libertarianismo) é a ideia de apropriação original (homesteading) desenvolvida por Locke. Para Locke, o trabalho de um homem é indissociável dele, por isso, quando um indivíduo mistura seu trabalho a um objeto ainda não apropriado, este torna-se propriedade sua, devendo ser utilizado conforme o dono bem entender, desde que não fira a propriedade privada de ninguém. John Locke foi também um dos primeiros filósofos a tratar da autopropriedade e da propriedade privada como resultado desta. Por isso, governos para Locke só poderiam ser formados através do livre acordo entre indivíduos. Conceito esse altamente influente para o futuro do Liberalismo e também para o Libertarianismo.

O reconhecimento dos direitos individuais naturais inerentes a todos os homens foi levado adiante por vários outros pensadores liberais, mas um outro pensador levou a reflexão acerca desses direitos a outro campo, mostrando que o reconhecimento destes direitos não era apenas justo, mas também que traria prosperidade para as nações que os reconhecessem. Adam Smith na sua obra A Riqueza Das Nações criou o famoso conceito da Mão Invisível do Mercado. Para compreendermos esta metáfora, devemos antes nos debruçar sobre o funcionamento do mercado segundo Adam Smith. Para este autor, o mercado consiste em pessoas que possuem habilidades e bens diferentes e trocam entre si, a fim de maximizar suas satisfações. No mercado há a oferta e a demanda, que tendem ao equilíbrio. Quando a oferta de um item é demasiada, e a demanda é baixa, este item terá um preço baixo, influenciando comerciantes a mudarem de rumo, e no caso contrário, onde a demanda é alta e o produto é escasso, há incentivo para a entrada de mais ofertantes deste produto, diminuindo os preços. Um ponto importante em Adam Smith é que as trocas em um sistema de mercado são mutualmente benéficas, por serem voluntárias. Isso acontece porque, para que um indivíduo troque um bem ou dinheiro por outro bem, ele deve preferir ter aquele bem em questão que o dinheiro ou bem que está em sua possessão. Por isso, Adam Smith defende a não-regulamentação, a abertura comercial e o comércio internacional, pois estas práticas trariam prosperidade a ambas as nações, fundando assim o liberalismo econômico.

Já no século XIX, surge uma nova corrente do Liberalismo que viria a ser tornar a vertente dominante: o Utilitarismo. Desenvolvida Por John Stuart Mill, James Mill e Jeremy Bentham, a teoria ética do utilitarismo define a maximização da felicidade como fim último ideal de todas as ações humanas, ou seja: um indivíduo deve decidir como irá agir com base na felicidade que seu ato irá gerar. O problema maior dessa ética é que é impossível prever a ação humana e reações às nossas ações. Às vezes nossas ações causam efeitos inesperados, e efeitos ruins, por isso, a partir do utilitarismo, só é possível saber se um ação é correta ou não depois de observar suas consequências, ou seja, depois de agir. Outro problema do utilitarismo, é que crueldades passam a ser justificáveis caso isso vá trazer um aumento à felicidade geral, como por exemplo, o holocausto, que embora fosse apoiado por grande parte da população local, inquestionavelmente feriu direitos naturais de milhões de indivíduos.

Na França, também no século XIX, surge um dos maiores teóricos do jusnaturalismo, e também uma grande influência pro Libertarianismo: O Iluminista Frederic Bastiat. Bastiat trouxe novamente a questão dos direitos naturais ao debate público. Em seu livro A Lei, ele afirma que a vida, a liberdade e a propriedade de um indivíduo são direitos naturais pré-existentes ao Estado, que deve se limitar a protegê-los, e que enquanto um indivíduo não ferir estes mesmos direitos de outrem, ninguém possui a prerrogativa de agir contra esses direitos. Para Bastiat, A Lei consiste na organização coletiva do direito individual da legítima defesa. Como toda lei justa deve ser universalizável, ele afirma que o coletivo não pode se sobrepor ao indivíduo, uma vez que um coletivo é nada mais que um conjunto de indivíduos.

No Brasil, aparece também uma tradição liberal no século XIX. Com nomes como Luiz Gama(este filiado ao partido liberal radical), Joaquim Nabuco e Maria Firmina dos Reis, o Liberalismo brasileiro adotou o abolicionismo como principal pauta, já que no entendimento dos liberais, os escravos também detinham o direito à autopropriedade.

Podemos resumir o liberalismo enquanto doutrina política e jurídica como a defesa que leis devem derivar da razão e que a vida, a liberdade e a propriedade privada são direitos fundamentais e enquanto filosofia econômica, que a liberdade é a chave para a prosperidade.

E agora falaremos do Neoliberalismo. Apesar de ter se tornado um bicho papão e o culpado de tudo de ruim que acontece no mundo segundo os marxistas, a teoria neoliberal pouco tem a ver com o que acusam-na de ser. Vemos muitas pessoas acusando outras de serem neoliberais e pouquíssimas descrevendo-se como um neoliberal. No entanto, existe uma filosofia econômica dominada pelos seus desenvolvedores de Neoliberalismo. Esta filosofia foi desenvolvida por pensadores alemães no século XX e buscava uma terceira via entre o capitalismo e o socialismo, onde haveria mercado, no entanto este seria fortemente regulado por agências estatais, sendo seus principais expoentes Alexander Rüstow e Wilhelm Röpke, com livros como Freedom And Domination e A Humane Economy. No entanto, essa teoria nem de longe foi amplamente difundida e muito menos aplicada. Embora o termo tenha se tornado um xingamento nos últimos tempos, faz pouco sentido o seu uso contra liberais e libertários, uma vez que estes últimos defendem a não intervenção do governo na economia, e os neoliberais defendem esta intervenção contra eventuais falhas de mercado.

Continue lendo

Copyright © 2021 DiBahia CNPJ: 41.275.067/0001-16