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Sociedade

A manobra do assistencialismo para a manipulação da massa

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Nesta última semana, no município de Eunápolis, vimos um episódio que deixou a todos espantados: A atual prefeita do município não entregou os peixes da semana santa para aquelas famílias mais necessitadas, algo que era tradição nas gestões anteriores. Um fato que pode ser interessante para ser trazido aqui é que no ano de 2020, ainda na gestão antiga o ex-prefeito gastou na compra desses peixes um valor de R$ 107.000 (Cento e sete mil reais), valor esse que é simbólico e que serviu para afirmar seu populismo e mantar sua base aliada que já era grande à época. Agora imaginem que se ao invés de distribuir peixes, esse dinheiro fosse destinado à compra de cestas básicas e ai teríamos um cálculo simples. Uma cesta básica em média custa R$ 429,00. Se pegarmos 107.000 e dividir por esse valor daria para se comprar 250 cestas básicas e alimentar um total de mil pessoas, considerando que cada família possui em média 04 pessoas. Seria muito melhor fazer isso do que doar um peixe que só vai durar no máximo um dia e não mata a fome dessas pessoas.

 Neste ano a distribuição não foi realizada e a justificativa para isso foi que em tempos de pandemia e distanciamento social, a prefeitura alegou que seria perigoso para a população a questão da aglomeração e a falta do distanciamento social caso ocorresse a entrega dos peixes e isso deixou a população revoltada. Um fato muito importante deve ser levado em consideração, não existe uma lei municipal que obrigue a entrega desses peixes, por mais que seja uma ação assistencial do município, isso não é lei, é uma tradição. Uma tradição que se olharmos com carinho para ela, pode acabar se tornando algo maléfico, pois sabemos que o intuito dessa distribuição não é pensar somente no social, na fome e na pobreza, mas na quantidade de votos que isso traria para os gestores que fizeram essa distribuição e o quanto de população estaria do lado deles, os apoiando incondicionalmente fazendo com que esse gestor fosse lembrado pela sua boa ação social, quando, na verdade, de boa ação não tem nada.

No meu último artigo eu falei sobre a dominação psicológica do estado e um dos tipos de dominação psicológica que existe é essa. Gera-se uma dependência assistencialista para que a população ou uma parcela dela fique a mercê do gestor e então esse gestor no papel de bom moço, ajuda sua parcela de aliados com esses “benefícios” assistencialistas e com isso ele ajuda a afirmar a base já existente ao mesmo tempo, em que cria um cabresto eleitoral muito maior.

Fato é que existem sim, pessoas que passam fome, sede, frio e que muitas vezes não tem o que comer e depende dessa alimentação, mas se pararmos para pensar não seria melhor que o município incentivasse essa população através de cursos profissionalizantes, oficinas de cultura, teatro, cinema, poesia e música para que essas pessoas pudessem aprender uma arte, uma profissão para que não mais dependessem desses benefícios, mas sim esse individuo ter o seu próprio peixe em casa, sem depender de distribuição ou doações? Essa é uma pergunta que se deve sim, fazer e a resposta é bem simples. Sim, deve – se criar incentivos para que a população seja independente e livre de assistencialismos que geram dependência e geram também uma sensação de que o individuo depende daquilo por ele não ser capaz, visto que todos nós somos capazes de termos um excelente futuro em nossas mãos. Uma ideia  que eu deixo aqui. Porque ao invés de distribuir peixes, não se faz uma oficina ensinando a população a fazer ovos de páscoa para que tenham o próprio peixe? É muito mais interessante e gera independência e liberdade.

Quando a atual gestão fica aqui uma crítica: vocês foram eleitos pelo povo, para trabalhar para o povo, poderiam pensar em um meio alternativo nesse tempo de pandemia e isolamento para levar alento a essas pessoas mais carentes, pensem no sentimento de gratidão dessas pessoas, que elas teriam por vocês estarem atuando nesse tempo. Mas quando vocês se afastam da população, isso gera revolta, raiva, insatisfação e então você acaba perdendo quem te elegeu. E uma segunda crítica e, ao mesmo tempo, um conselho. Em uma segunda oportunidade, não dê peixe, dê uma cesta básica, é muito melhor, e o sentimento de gratidão será eterno.

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Abará – Do tabuleiro da Baiana para o mundo

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É um dos pratos da culinária baiana e como o acarajé também faz parte da comida ritual do candomblé.

O abará tem a mesma massa que o acarajé: a única diferença é que o abará é cozido, enquanto o acarajé é frito.

O preparo da massa é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirada toda a casca, passa-se novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescentam-se cebola ralada, um pouco de sal, duas colheres de dendê.

Quando for comida de ritual, coloca-se um pouco de pó de camarão, e, quando fizer parte da culinária baiana, colocam-se camarões secos previamente escaldados para tirar o sal, que podem ser moídos junto com o feijão, além de alguns inteiros.

Essa massa deve ser envolvida em pequenos pedaços de folha de bananeira, semelhante ao processo usado para fazer o acaçá, e deve ser cozido no vapor em banho-maria. É servido na própria folha.

Abalá

Ingredientes

  • 1 kilo de feijão fradinho demolhado por 1 noite
  • 100 gramas de camarão seco moído
  • 100 gramas de cebola ralada
  • 100 gramas de amendoim e castanha de caju torrados e moídos (fundo misto)]
  • 250 mililitros de azeite de dendê
  • ½ colher de chá de gengibre ralado
  • folhas de bananeira
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Modo de preparo

Para fazer esta receita de abará passo a passo comece por lavar bem o feijão: coloque-o em uma vasilha grande com água, remexa e tire com uma peneira as cascas que se soltarem. Escorra o feijão e repita até a água sair limpa.

De seguida bata o feijão no moinho, para transformar em purê, e depois bata com uma colher de pau, para ficar leve e volumosa.

Dica: Também pode bater no liquidificador, adicionando um pouco de água. Acrescente o camarão moído, a cebola, o fundo misto e o gengibre. Misture, adicione azeite de dendê e envolva tudo para obter uma massa homogênea e amarela.

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O passo seguinte do abará é passar as folhas de banana no fogo, para que fiquem mais flexíveis. Depois enrole porções da massa anterior nas folhas, como se fosse uma pamonha, e
coloque a cozinhe no vapor ou em banho-maria, por 40 minutos.

Dica: Se cozinhar o abará no vapor, cubra com aparas da folha da bananeira, que ajuda a reter o vapor e a deixar o abará mais úmido.

Após o passo anterior, seu abará está pronto! Sirva quente ou frio, puro ou acompanhado de molho de pimenta , camarão seco, caruru, vatapá, caruru e salada de tomate verde simples.

Bom apetite!

Fonte http://m.nossas-raizes.com/a-comida-dos-orixas/

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