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Sexy shop lança guia de vibradores para mulheres trans

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Seleção levou em consideração as particularidades do prazer experimentado por mulheres com pênis e próstata.

Existe uma máxima que diz: Quem não sabe brincar não deve descer para o play. O problema é que o “play” nem sempre está aberto a todo o mundo. É o que acontece no mercado erótico, em que corpos fora do dito “padrão” são frequentemente negligenciados pelos produtos disponíveis. Pensando nisso, a analista de marketing da sexy shop on-line Pantynova, Raphaela L. Santana, decidiu reunir um grupo de mulheres trans para testar vibradores e criar, a partir das impressões delas, um guia de produtos que dialogue com as necessidades desse público.

“Desde que a loja foi aberta, o nosso objetivo sempre foi incluir todas as mulheres, mas percebemos que não estávamos encontrando a maneira exata de chegar às transexuais. Muitas nos mandavam mensagens perguntando sobre os vibradores, e não sabíamos como responder”, explica Raphaela, que tem 32 anos e também dá voz à Beth, podcaster e narradora da Pantynova.

A própria analista de marketing é transexual e ressalta que a discussão é bastante delicada, já que nem todas as mulheres trans se sentem confortáveis com os seus corpos. Pelo zelo que o assunto demanda, a loja decidiu, então, enviar diferentes modelos de vibradores para que quatro jovens, com idades entre 20 e 30 anos, os testassem e compartilhassem suas impressões.

Vibrador rabbit foi um dos produtos testados Foto: Divulgação

Descobriu-se assim que vibradores feitos, inicialmente, para mulheres com vagina também poderiam ser usados por aquelas que não fizeram a cirurgia de redesignação, chamadas, no guia, “mulheres penianas”. Outro produto que fez sucesso, segundo Raphaela, foi um massageador de próstata, com o qual “elas foram à loucura”. Do mesmo jeito, um copo masturbador voltado ao pênis também teve o seu desempenho aprovado por parte das voluntárias.

“Percebemos, através dessa pesquisa, que a nova geração de meninas trans está mais aberta em relação ao corpo. Entendem que a feminilidade não está apenas num corpo cisgênero”, comenta Raphaela. “Agora, queremos quebrar essa história de que a próstata só diz respeito a homens e a vagina e a vulva, a mulheres. Homens trans têm vagina e vulva, assim como mulheres têm pênis.”

Um exemplo de como falar sobre isso abertamente pode ser revelador está no fato de que boa parte dos produtos dessa natureza desenvolvidos para mulheres são de massageadores clitorianos. Esses itens sempre suscitam dúvidas entre o público em questão.

“Muitas mulheres trans nos escreviam perguntando se estavam incluídas. A mulher redesignada tem, basicamente, a mesma anatomia de uma mulher cis, menos o aparelho reprodutor. Quando se opta pela inversão peniana, que é o meu caso, constrói-se uma vagina com vulva, clitóris e canal. Assim, estamos aptas a receber tanto o estímulo para o canal vaginal quanto para o clitóris”, detalha Raphaela.

A inspiração para essa pesquisa também tem a ver com a inexistência, até agora, de uma comunicação elaborada com essa finalidade, no mercado erótico. Afinal, como lembra Raphaela, os vibradores têm suas campanhas de publicidade e embalagens sempre pensadas a partir do prazer de homens ou mulheres cisgêneros, ignorando as variações que os corpos podem apresentar, conforme as diferentes identidades.

Copo masturbador também teve boa recepção Foto: Divulgação

“Entendemos, por exemplo, a necessidade de trabalhar um estimulador de próstata a partir de uma linguagem mais feminina”, ilustra. “Imagine como é ruim para uma mulher que tem disforia de gênero (quando há um forte desconforto em relação ao sexo designado no nascimento) comprar um produto voltado ao gênero com o qual se identifica e descobrir que não atende ao seu corpo? É mais um trauma.”

Ela volta à sua própria história para dimensionar como é importante que esse debate seja levado adiante. “Antes de fazer a cirurgia, achava que não era possível ser feliz com o meu corpo. Não que eu me arrependa da redesignação, mas isso abre uma brecha para que muitas mulheres trans entendam que não precisam necessariamente de uma vagina para serem felizes. Uma das participantes, por exemplo, nos relatou que pensa em fazer a cirurgia. Porém, enquanto isso não acontece, quer ser feliz com o corpo que tem hoje.”

Outra participante, acrescenta Raphaela, disse que gosta de ser uma mulher com pênis e, por isso, não tem intenção em fazer uma cirurgia, evidenciando ainda mais a pluralidade de corpos a serem atendidos. Vê-la satisfeita com os produtos deixou a analista de marketing ainda mais empolgada com a pesquisa. “Eu me senti muito feliz em ver como falar sobre isso foi empoderador para mulheres trans”, comemora.

Fonte: Jornal O Globo

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Governo do Estado lança cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?

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O Governo do Estado disponibiliza, no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?”. A cartilha apresenta informações e instruções para pessoas LGBTQIA+ que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência LGBTfóbicas.

Segundo o coordenador LGBT da SJDHDS, Kaio Macedo, a ideia da cartilha surgiu durante o Maio da Diversidade. “Percebemos que essa parcela da população desconhece os seus direitos e não tem acesso à justiça. A cartilha traz os avanços que conquistamos, a nossa rede de proteção e promoção dos direitos, que atende as pessoas que sofreram violência LGBTfóbica, além de orientações pós violência”, explica Kaio.

Na cartilha, os cidadãos e cidadãs têm acesso a informações sobre os tipos de violências e violações de direitos sofridas pela população LGBTQIA+, assim como contatos e formas de denúncias de cada órgão da rede de proteção, a exemplo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT), Conselho LGBT da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado (OGE), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Defensoria Pública (DPE).

“Vejo essa cartilha como uma arma importantíssima na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+ e no combate à LGBTfobia, que está tão presente, infelizmente, em nosso país. Com essa cartilha, podemos criar uma rede de amparo onde as informações serão difundidas para que mais pessoas saibam como denunciar”, comemora o produtor cultural Roberto Júnior.

A LGBTfobia é um conceito que abrange diversas formas de violência contra pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras, seja verbal, física ou psicológica. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou o preconceito contra homossexuais e transexuais, equiparando crimes de LGBTfobia ao de racismo. Ou seja, atos de violências contra pessoas LGBTQIA+ devem ser enquadrados de acordo com a Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

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