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Cancelamento para quem? OU Por que homens como Rodolffo sempre se salvam?

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Desde a primeira infância sempre encontramos meninos como ele, meninos que estão sempre aprendendo, e nunca são devidamente responsabilizados, meninos que tem constantemente os erros apagados ou diminuídos, e aí sem muito esforço percebemos que esses meninos crescem e se tornam Rodolffos. Que cultura é essa que perpetua a noção de que corpos pretos como o de Karol Conka, Lumena, Nego Di, Projota, não merecem o perdão ou qualquer indício de salvação, enquanto os homens brancos, cis, héteros como Rodolffo continuam se safando de toda e qualquer possibilidade de responsabilização? 

O discurso interiorano, de homem da roça e de pouca instrução parece ser a salvação, aquele amuleto que constantemente o salvará do perigo de qualquer responsabilidade. A narrativa constante de estar em aprendizagem, deixa uma porta escancarada para a perpetuação dos erros, afinal de contas, ele ainda está aprendendo. E se não é a própria noção de cultura/conhecimento que o salva, é sempre o machismo e o racismo, que permite que outros corpos sejam continuamente priorizados para as possíveis punições. 

Uso a palavra punição porque esta também é um sintoma, já que homens brancos podem ser no máximo responsabilizados, já mulheres e pessoas pretas constantemente são punidas. O efeito cancelamento que vem acompanhando essa edição do BBB revela exatamente os diferentes pesos e medidas que atuam sobre os corpos dos participantes, o que nos deixa a pergunta: será que pessoas brancas podem realmente ser canceladas? mesmo com toda essa estrutura social de proteção, solidariedade e porque não, de esquecimento?

Para além do cancelamento, será que pessoas negras podem ser perdoadas? Mesmo com a movimentação da rede globo e de outros famosos, Karol Conka segue distante dos holofotes, e Rodolffo permanece se salvando de cada paredão e cada vez mais ganhando seguidores.  No último paredão a eliminada foi Carla Dias, e as redes sociais demonstraram que a participante deixou a casa por ter se envolvido com o Arthur e ter sido enganada e permitido se apaixonar por ele.

Essa mesma narrativa que coloca a Carla como vítima da situação gerada por Arthur também legitima os ataques e a eliminação da atriz, e revela o machismo que segue estruturado em nossa sociedade. Porque preferimos punir as mulheres a responsabilizar os homens? A comoção pela eliminação do Rodolffo parece mais uma vez ofuscada pelo desejo de punir outra mulher, dessa vez Sarah.

Sarah acumulou diversos erros ao longo do programa, entre eles estão comentários que parecem minimizar o peso da pandemia, por esses e outras atitudes na casa, é mais do que aceitável que ela seja responsabilizada e deixe a casa, como um lembrete de que não podemos banalizar a morte de milhares pessoas. No entanto, nos cabe refletir sobre a mensagem deixada para os participantes da casa se por mais uma semana o Rodolffo permanecer no BBB, no paredão em que foi indicado por Gil pelos seus comentários homofóbicos, ele retornou fazendo pouco caso do movimento e de todo o “Mimimi” gerado em torno dos seus comentários. 

Esse artigo não tem a intenção de pedir a absolvição da Sarah, uma vez que ela errou e realmente deve estar na lista dos próximos eliminados do reality, mas sim levantar o questionamento para se talvez essa não é uma boa oportunidade para lembrar aos homens brancos e héteros como o Rodolffo, de que pessoas como ele também devem ser responsabilizadas por suas falas e escolhas, e mais do que ferir a um único indivíduo, a sua postura colabora para a manutenção de um estado de violência que mata corpos LGBTQIA+, e que colabora também para a constante sensação de impunidade que permeia a vida de homens como Rodolffo. 

Professor, Artista e Bixa, nascido com o sol em Capricórnio. Pesquisador da cena, da dramaturgia, da performance. Licenciado Interdisciplinar em Artes pela UFSB e estudante de Artes do Corpo em Cena também na UFSB. Militante LGBTQIA+

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Governo do Estado lança cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?

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O Governo do Estado disponibiliza, no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?”. A cartilha apresenta informações e instruções para pessoas LGBTQIA+ que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência LGBTfóbicas.

Segundo o coordenador LGBT da SJDHDS, Kaio Macedo, a ideia da cartilha surgiu durante o Maio da Diversidade. “Percebemos que essa parcela da população desconhece os seus direitos e não tem acesso à justiça. A cartilha traz os avanços que conquistamos, a nossa rede de proteção e promoção dos direitos, que atende as pessoas que sofreram violência LGBTfóbica, além de orientações pós violência”, explica Kaio.

Na cartilha, os cidadãos e cidadãs têm acesso a informações sobre os tipos de violências e violações de direitos sofridas pela população LGBTQIA+, assim como contatos e formas de denúncias de cada órgão da rede de proteção, a exemplo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT), Conselho LGBT da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado (OGE), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Defensoria Pública (DPE).

“Vejo essa cartilha como uma arma importantíssima na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+ e no combate à LGBTfobia, que está tão presente, infelizmente, em nosso país. Com essa cartilha, podemos criar uma rede de amparo onde as informações serão difundidas para que mais pessoas saibam como denunciar”, comemora o produtor cultural Roberto Júnior.

A LGBTfobia é um conceito que abrange diversas formas de violência contra pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras, seja verbal, física ou psicológica. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou o preconceito contra homossexuais e transexuais, equiparando crimes de LGBTfobia ao de racismo. Ou seja, atos de violências contra pessoas LGBTQIA+ devem ser enquadrados de acordo com a Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

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