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Sociedade

Empatia durante a pandemia

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No início da pandemia de covid-19, a mais de um ano atrás, por causa das muitas adversidades a qual passaríamos, muito se falou sobre a oportunidade que a humanidade tinha de sermos pessoas melhores, de podermos trabalhar a compaixão e benevolência entre os mais necessitados, desenvolvendo amor ao próximo e empatia. Palavra essa que no dicionário Michaelis significa a habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa e também a compreensão dos sentimentos, desejos, ideias e ações de outrem. Porém o tempo passou e como podemos ver as pessoas de modo geral não desenvolveram tais habilidades e a humanidade sinceramente não evoluiu.

Podemos dividir o sentimento de empatia durante a pandemia em dois grupos; o primeiro, por motivos bem óbvios, focados nas pessoas que adoeceram e nas que faleceram decorrente ao covid, e também no sofrimento de seus familiares e entes queridos. O intuito é de conscientizar sobre a gravidade da doença, e toda dor que ela trouxe aos envolvidos, trazendo uma reflexão sobre os cuidados necessários para se evitar o contagio e também da importância dos profissionais de saúde nesse difícil momento. Tal vertente teve boa aceitação entre as população e fora praticada pela maioria das pessoas, sendo amplamente divulgada pela grande mídia, redes sociais, artistas, políticos e classe médica.

Os motivos claramente são nobres e é até insanidade ir contra a essas ideias de defesa a vida, porem o grande problema, é que tal pensamento acabou se tornando para alguns de seus propagadores praticamente uma seita ou uma religião, em que hashtags como #ficaemcasa, se tornaram mantras e pesquisas apocalípticas sem embasamento, como as do Imperial College, se tornaram canônicos, culminando até na defesa de ações no mínimo que questionáveis contra a propagação do vírus, mas com efeitos colaterais severos à população, mas como tudo é em prol da “ciência” e da vida humana, impossibilita muitas vezes o debate com novos pontos de vista, sendo logo taxados de negacionistas, obscurantistas e até mesmo genocidas.   

O segundo grupo se preocupou com essas as tais ações contra propagação da doença como; restrição de funcionamento do comércio, toques de recolher e lockdown, medidas essas extremas e com um poderio devastador frente a economia de nossas cidades. Para compreender melhor a gravidade da situação, analise a seguinte sequência: menos consumo e comercialização de produtos e serviços, gera menos faturamento, menos faturamento gera menos investimentos e compras de reposição e insumos, enfraquecendo assim toda a cadeia de produtiva do país, gerando demissões em massa e consequentemente menos dinheiro circulando nas mãos da população. Alimentando dessa maneira um ciclo vicioso negativo economicamente falando, levando a médio e a longo prazo a efeitos colaterais avassaladores dessas medidas restritivas, que atingem principalmente a base da cadeia produtiva, que são os trabalhadores e os profissionais autônomos, que vivem de suas vendas diárias nas ruas, como vendedores ambulantes, guias, trabalhadores informais e outros.

Porem por diversas vezes defender o direito a trabalhar e de garantir seu sustento, foi categorizado como imoral e tenebroso. Empresários receberam a pecha de seres avarentos, que só pensam em lucro e dinheiro, mesmo que isso custasse a vida de outras pessoas. Exemplo disso foi o governador da Bahia, em uma de suas recentes declarações, afirmando que não era momento do empresariado ser ambicioso, pois pessoas estavam morrendo. Tal fala é uma mesquinha tentativa de vilanizar o empresário nesse momento pandêmico, e creditar toda culpa nesses indivíduos, que como representante dessa classe, posso afirmar que estamos apenas tentando garantir que as contas sejam pagas e garantir a manutenção dos postos de trabalho de nossos colaboradores.

Talvez seja esse o grande ponto de inflexão nesse grande embate, setor público x setor privado. Um lado bastante sensível a qualquer medida restritiva de funcionamento do comércio, em que qualquer variação signifique corte de gastos, de pessoal e até mesmo “cortar na própria carne”. No meio empreendedor se utiliza muito o termo em inglês “skin the game” que significa literalmente colocar a pele em jogo ou em risco, atitude essa pouco utilizada no setor público. Pois para esse setor, não importa o que aconteça, os honorários estarão sempre caindo na conta todo final de mês. Ou seja tudo fica muito mais fácil a partir do momento que sua subsistência está garantida, pode-se defender o fechamento de todas as atividades econômicas por dias ou semanas que isso não afeta em nada na vida desses abastados indivíduos, mesmo que essas ações custem o sustento de milhares de outros cidadãos.

O ápice de tal linha de raciocínio foi semana passada com a jornalista, Maju Coutinho, que não pertence ao setor público, mas é funcionária da rede Globo, emissora essa que viu sua audiência e faturamento aumentarem durante essa pandemia. A mesma afirmou ao vivo no Jornal Hoje, “Os especialistas são unânimes em dizer que essas são medidas indispensáveis para conter a circulação do vírus. O choro é livre, não dá para a gente reclamar, é isso que tem” disse sobre restrições mais duras das atividades comercias e de lockdown realizados em diversas partes do pais. Além de conter uma Fake News, pois não existe unanimidade nenhuma sobre a efetividade lockdown sobre a pandemia e muito menos evidências cientificas, sobre o mesmo. Essa frase sintetiza a mais pura e concentrada falta de empatia pelas pessoas, que estão em situação de necessidade nesse momento, que perderam seus empregos, que estão impedidas de trabalhar, garantir o sustento diário de suas famílias e de outras que viram seus negócios com anos de esforços e investimentos, ruírem por causa de sucessivas medidas restritivas do comércio somadas com a crise econômica.

Essa jornalista no alto de sua arrogância e falta de sensibilidade expressa o pensamento de toda uma classe de indivíduos, que em muitas vezes não estão sequer passando por alguma dificuldade financeira mas que se sentem no direito de opinar como os outros devem agir e viver, em relações assuntos que envolvem até mesmo o ganha pão deles. Expressa também o tamanho do deslocamento da realidade que alguma elas vivem, que conseguem apenas enxergar a sua existência, em um mundo perfeito baseado no dia a dia de um condomínio de classe média alta, em que passar fome e necessidade são apenas coisas de novelas e filmes.

Devemos entender de uma vez por todas, que a nossa realidade não é a realidade de nosso vizinho e que a nossa verdade, as vezes não se aplica a outrem. O resultado desse exercício é a autêntica, fidedigna e genuína empatia, na qual possamos compreender que existem ações diferentes para pessoas diferentes, e que isso não faz do próximo um genocida ou um insensível a necessidade do outro. Entender que a necessidade de temos de nos cuidar dessa maldita doença é a mesma necessidade de garantir o nosso sustento, precisando assim equilíbrio e bom senso para assim nos tornarmos pessoas melhores e consequentemente um mundo melhor, onde nenhum choro será minimizado ou debochado por ninguém.

Empresário do ramo da construção civil - Presidente da Uni Líderes, união de líderes empresariais de Porto Seguro - Graduado em Administração de Empresas - Morador de Porto Seguro a 25 anos - Colunista sobre empreendedorismo, economia e política

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Flávio

    27 de Março, 2021 at 18:12

    Excelente texto!

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Sociedade

Pastora arruma segunda esposa para marido pastor após revelação

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Pastores Éden Asvolinsque e Fernanda Asvolinsque e nova esposa
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De posse dessa ‘promessa mortal’, a pastora já arrumou a sua substituta para se casar com o seu esposo pastor.

A pastora Fernanda Asvolinsque, de 43 anos, que lidera com o seu esposo, o pastor Éden Asvolinsque, a Igreja Juventude de Cristo em Barra Mansa (RJ), desta vez foi longe demais.

O casal está sendo alvo de muitas críticas desde que a pastora arrumou uma jovem para ser a segunda esposa do seu marido.

A justificativa da religiosa é que, em novembro de 2020, ela recebeu uma revelação de Deus, de que está sendo preparada para ser ‘colhida’ da terra em 2021, ou seja, vai morrer esse ano.

De posse dessa ‘promessa mortal’, a pastora já arrumou a sua substituta para se casar com o pastor, quando ela for para o plano espiritual.

Fernanda afirma que está muito doente, mas que não irá ao médico, porque a vontade de Deus é de que ela morra esse ano.

“Deus disse a mim desde novembro, que está me preparando, porque Ele vai me colher nesse ano. Eu tô com paz na minha alma, estou bem resolvida em relação a tudo isso… Agora era o momento de vocês blindarem o pastor, blindarem a minha casa, blindarem a minha família, blindarem a igreja… Eu ouvi, eu sei o que Deus falou pra mim”, disse a pastora.

As declarações da pastora geraram polêmica no meio evangélico, e muitos acreditam, inclusive, que tudo não passa de uma armação do casal que, supostamente, curte um relacionamento a três. Ou que até mesmo estão separados, mas não querem tornar público, para não perder os fiéis e seus dízimos.

Após muitas críticas e insinuações contra o casal de pastores, que agora é um trisal, a pastora Fernanda desabafou nos Stories do seu Instagram.

Veja o vídeo na integra.

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