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Eles não querem que a gente viva, querem que a gente trabalhe

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A pandemia iniciada em Março de 2020 revela as duras desigualdades que permeiam a nossa sociedade. A possibilidade de que empresas privadas comercializem a vacina coloca uma luz sobre o triste fato de que a vida está sendo tratada como um bem também comercializável, no Brasil hoje a vida não é mais um direito, já que constantemente esse direito vem sendo banalizado num discurso em prol da continuidade do trabalho acima de tudo e todos, a vida mais do que nunca é um privilégio de poucos.

Seja pela falta de oxigênio ou pela obrigação que as classes mais pobres carregam de seguir trabalhando para sustentar as suas famílias, é visível como certos grupos sociais são extremamente mais afetados. Para alguns corpos trabalhar fora de casa não é uma escolha, é a única forma de sobrevivência contra a fome. Mas como sobreviver ao vírus? Como sobreviver às filas pelas vagas de UTI? Como sobreviver a falta de oxigênio? Como sobreviver a demora da chegada da vacina?

O Presidente que seguiu durante toda a pandemia lutando contra o isolamento, descredibilizando o Lockdown, a ciência, a vacina e por muitas vezes até o próprio vírus, hoje tenta mudar o seu discurso, mas de forma ainda vazia, sem nenhuma demonstração prática de que está comprometido com o combate ao Coronavírus. É preciso se perguntar se essa mudança discursiva pode realmente se transformar numa mudança atitudinal desse governo marcado como Genocida, ou se essa não passa de mais uma estratégia de manipulação das informações e das mídias, a cruel e já velha conhecida Fake News.

No rastro de desgoverno do presidente,  Porto Seguro segue o discurso contra o Lockdown, de promoção do kit covid com a hidroxicloroquina e o retorno a “normalidade” das atividades de comércio e turismo. Hoje seguimos no Brasil com o recorde diário de 3 mil mortos, e  Porto Seguro permanece com a taxa de  90% de ocupação dos leitos de UTI para Covid. Se torna necessário que o poder público pense alternativas para manutenção da vida dos trabalhadores do nosso município. 

Com o desmonte da política do auxílio emergencial paga pelo governo federal, é preciso que as prefeituras e governo do estado assumam a obrigação de apontar caminhos para a permanência em casa da classe trabalhadora. A  Câmara Municipal de São Paulo aprovou a medida que prorroga a Renda Básica Emergencial na capital paulista por mais três meses com o pagamento de R$ 100 por pessoa. Em Belém – PA o prefeito Edmilson Rodrigues apresentou o projeto de lei que garante uma renda mínima de 450$ para os mais pobres, apontando que existem possibilidades reais de manutenção da vida e da dignidade da classe trabalhadora.

Sim, é verdade que o turismo sofre com o Lockdown, e que o turismo segue sendo um importante setor para a empregabilidade do município, mas quem mais sofre são os funcionários que seguem desempregados e quando retornam ao trabalho ainda que seguindo as medidas indicadas estão diariamente se colocando em risco, seja servindo mesas ou se apertando nos ônibus e lotações. Talvez seja a hora de medidas como as de Belém e São Paulo sejam tomadas em Porto Seguro. Mais do que trabalhar para se manter vivo, é preciso se manter vivo para trabalhar, se torna urgente pensar novas formas de movimentar a ciranda da vida e do capital.

Professor, Artista e Bixa, nascido com o sol em Capricórnio. Pesquisador da cena, da dramaturgia, da performance. Licenciado Interdisciplinar em Artes pela UFSB e estudante de Artes do Corpo em Cena também na UFSB. Militante LGBTQIA+

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Governo do Estado lança cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?

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O Governo do Estado disponibiliza, no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a cartilha “Fui Vítima de LGBTfobia: o que fazer?”. A cartilha apresenta informações e instruções para pessoas LGBTQIA+ que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência LGBTfóbicas.

Segundo o coordenador LGBT da SJDHDS, Kaio Macedo, a ideia da cartilha surgiu durante o Maio da Diversidade. “Percebemos que essa parcela da população desconhece os seus direitos e não tem acesso à justiça. A cartilha traz os avanços que conquistamos, a nossa rede de proteção e promoção dos direitos, que atende as pessoas que sofreram violência LGBTfóbica, além de orientações pós violência”, explica Kaio.

Na cartilha, os cidadãos e cidadãs têm acesso a informações sobre os tipos de violências e violações de direitos sofridas pela população LGBTQIA+, assim como contatos e formas de denúncias de cada órgão da rede de proteção, a exemplo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT), Conselho LGBT da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado (OGE), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Defensoria Pública (DPE).

“Vejo essa cartilha como uma arma importantíssima na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+ e no combate à LGBTfobia, que está tão presente, infelizmente, em nosso país. Com essa cartilha, podemos criar uma rede de amparo onde as informações serão difundidas para que mais pessoas saibam como denunciar”, comemora o produtor cultural Roberto Júnior.

A LGBTfobia é um conceito que abrange diversas formas de violência contra pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras, seja verbal, física ou psicológica. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou o preconceito contra homossexuais e transexuais, equiparando crimes de LGBTfobia ao de racismo. Ou seja, atos de violências contra pessoas LGBTQIA+ devem ser enquadrados de acordo com a Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

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