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‘Levaram minha liberdade, agora atentam contra minha saúde’, escreve Jeanine Áñez em carta da prisão

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Ex-presidente da Bolívia foi presa preventivamente há duas semanas. Ela é investigada sobre a suposta derrubada de Evo Morales da presidência após as eleições de 2019.

A ex-presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, disse em uma carta escrita da prisão que o governo de Luis Arce atenta contra sua saúde. Áñez, presa há quase duas semanas, é investigada sobre a suposta derrubada do presidente Evo Morales – aliado de Arce.

O documento sem data foi divulgado nesta terça-feira (23) pelo perfil oficial de Áñez no Twitter.https://platform.twitter.com/embed/Tweet.html?dnt=false&embedId=twitter-widget-0&frame=false&hideCard=false&hideThread=false&id=1374314995165585409&lang=en&origin=https%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Fmundo%2Fnoticia%2F2021%2F03%2F23%2Flevaram-minha-liberdade-agora-atentam-contra-minha-saude-escreve-jeanine-anez-em-carta-da-prisao.ghtml&theme=light&widgetsVersion=e1ffbdb%3A1614796141937&width=550px

“Levaram minha liberdade e agora atentam contra minha saúde”, escreveu a ex-mandatária. “Decidiram não deixar que eu fosse examinada por médicos independentes. Mesmo indo contra uma ordem judicial que pede meu traslado imediato para uma clínica.”

Na carta de sete páginas escritas à mão, Áñez denuncia supostos abusos, perseguição política e nega ter cometido o crime de terrorismo pelo qual é investigada.

‘Prisão da ditadura’

Áñez começa seu texto dizendo que fala ao povo boliviano de dentro de uma “prisão da ditadura” e que enfrenta as acusações com serenidade.

“Essa é uma luta pela democracia, e vamos com ela até o fim”, escreveu. “Eu sou mais uma [vítima], mas estou serena e aguentando enquanto meu corpo deixar.”

Carta divulgada no perfil oficial de Jeanine Áñez no Twitter em 23 de março de 2021 — Foto: Reprodução/Twitter/@JeanineAnez

Carta divulgada no perfil oficial de Jeanine Áñez no Twitter em 23 de março de 2021 — Foto: Reprodução/Twitter/@JeanineAnez

Áñez e dois ex-ministros de seu governo foram presos entre os dias 12 e 13 de março. Eles são acusados de sedição e terrorismo.

“Hoje a ditadura quer me atribuir crimes que eu não cometi”, disse a ex-presidente. “Nunca fui terrorista. Assumi a presidência pela sucessão constitucional, para pacificar a Bolívia. Não houve golpe, houve fraude.”

Dúvidas sobre sua saúde

Na sexta-feira (19), a Justiça boliviana autorizou a transferência de Áñez para uma clínica, com escolta policial, mas a decisão foi anulada no sábado (20) por entender que o presídio de Miraflores tinha estrutura médica e sanitária para acompanhamento da ex-presidente.

Segundo a decisão judicial, Áñez e seus ex-ministros poderão ficar detidos de forma preventiva por até seis meses enquanto a Procuradoria realiza investigações sobre a acusação de golpe de Estado.

“Eu não confio nos médicos do governo, eles são parte desse sistema de abusos e repressão”, diz a carta. “Eles já mostraram que estão dispostos a pôr minha vida em risco.”

“Se algo acontecer com minha saúde, eu responsabilizo a: Luis Arce, Eduardo del Castillo, Jhonny Aguilera, Iván Lima, e autoridades do regime penitenciário”, escreveu Áñez.

A advogada de Áñez disse que a ex-presidente teve um desmaio dentro da prisão e que está “em estado crítico” devido ao aumento da sua pressão. As autoridades prisionais afirmam que o quadro dela é estável e que está sob supervisão médica.

Justiça, não vingança

O presidente boliviano, Luis Arce, afilhado político de Morales, negou as acusações opositoras de que a situação é movida por uma sede de vingança e ódio contra seus adversários políticos.

Durante uma reunião pública de mulheres camponesas, alinhadas ao governo, disse: “O ódio não nos move, a vingança não nos move, (…) O que nos move é o afã inquebrantável de justiça no país”.

O governo negou desde o fim de semana passado que esteja manipulando procuradores e juízes para apresentar a denúncia da ex-parlamentar Patty e insiste em que quer que os fatos ocorridos no fim de 2019 sejam esclarecidos.

E insiste em que a saída de Morales do governo fez parte de um complô da direita.

Fonte: G1

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ONU: mais de 8,5 mil crianças foram usadas como soldados em 2020

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Mais de 8,5 mil crianças foram usadas como soldados no ano passado em vários conflitos pelo mundo, e quase 2,7 mil foram mortas, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nessa segunda-feira (21). 

O relatório anual do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança da ONU sobre crianças e conflitos armados abrange assassinatos, mutilações e abuso sexual de crianças, além da abdução ou recrutamento, negação de acesso a atendimento de saúde e ataques a escolas e hospitais.

O documento mostra que violações foram cometidas contra 19,37 mil crianças em 21 conflitos. A maioria das violações em 2020 foi cometida na Somália, República Democrática do Congo, no Afeganistão, na Síria e no Iêmen.

De acordo com o relatório, 8,52 mil crianças foram utilizadas como soldados no ano passado, enquanto 2,67 mil foram assassinadas e 5,74 mil ficaram feridas em diversos conflitos. 

O documento também inclui uma lista negra que tem a intenção de constranger as partes em conflitos, com a esperança de puni-las para implementar medidas de proteção a crianças. A lista tem sido objeto de polêmica, com diplomatas afirmando que a Arábia Saudita e Israel fizeram pressão nos últimos anos para ficar de fora dela. 

Israel nunca figurou na lista, enquanto a coalizão militar liderada pelos sauditas foi removida da lista em 2020, anos após ter sido apontada e constrangida por causar mortes e ferir crianças no Iêmen.

Em uma iniciativa para atenuar as controvérsias em torno do relatório, a lista publicada em 2017 por Guterres foi dividida em duas categorias. Uma delas lista as partes que colocaram em vigor medidas para proteger crianças e a outra inclui partes que não tomaram nenhuma atitude. 

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