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Boy imune: vacina da covid vira isca de paquera em perfis de apps de namoro

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A bio de um aplicativo de paquera pode ser determinante para você conseguir um match. Para quem chegou a 2021 sem nunca ter usado um app de paquera, aqui vai uma curta explicação: além de fotos, da distância e da orientação sexual, no perfil dos usuários também tem espaço para uma pequena descrição sobre quem você é – e um cortejador experiente sabe que uma bio de qualidade garante um deslize de aprovação para a direita.

Mas em meio a uma pandemia, além do desejo por um match, os usuários também estão interessados em saber se o possível parceiro está cuida da sua saúde. Uma pesquisa feita pelo aplicativo Inner com 3 mil solteiros brasileiros mostrou que 69,2% dos usuários disseram que querem que as pessoas confirmem em seu perfil que já foram vacinadas. 69,6% responderam que adicionariam essa info à própria biografia. E assim a #vacinado começa a virar tendência nos textos de apresentação dos apps.

Durante uma semana, a reportagem monitorou quatro aplicativos de relacionamento – Inner Circle, Tinder, Bumble e Happn – para descobrir se os brasileiros estão adicionando ao perfil que foram #vacinados. Na busca, foram selecionadas as preferências de paquera por homens héteros, de 20 a 40 anos, próximos a Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Foi no Tinder que encontramos o maior número de “contatinhos vacinados” – ainda que as taxas de vacinação estejam baixas no país (cerca de 5% da população vacinada) – a foto de um deles, inclusive, era segurando o certificado de vacinação contra a covid. Nos outros aplicativos, porém, as pessoas também estão transformando agulha em flecha.

“Tomei vacina e não virei jacaré”

Thiago Bhering é psicólogo e tem 30 anos. Ele foi vacinado em Cotia, município que já disponibilizou o imunizante para a maior parte dos funcionários da saúde e onde Thiago atende presencialmente. “Vacina é a nova ostentação”, ele brinca no começo da entrevista.

O psicólogo Thiago Bhering escreveu na bio de um aplicativo de namoro que está vacinado contra a Covid. Para ele, imunizante é “ostentação”. Imagem: Reportagem

Ele contou que adicionou o #vacinado ao perfil por dois fatores: “Daqui a um tempo estar vacinado vai ser um grande diferencial. Na balada as pessoas vão estar pedindo RG e a carteirinha de vacinação. Além disso, também quero incentivar a vacinação. Tipo, eu tomei e estou vivo, é só uma vacina. Ninguém vai virar jacaré, está de boa”.

Na opinião do psicólogo, a vacina não aumenta “em muito” a chances dos crushs aceitarem o convite para encontro, mas é um assunto que rende conversa. “Algumas pessoas vêm pedir qual vacina eu tomei, metade das que eu converso pedem informações sobre o imunizante, se eu tive efeito colateral. Sai do ‘onde você mora, com o que você trabalha’, para ‘que vacina tomou?'”, conta.

#Vacinado é o novo #EleNão?

Para a psicanalista Marcia Tolotti, a vacina é um fator competitivo na hora de dar match com alguém. “A bio serve para mostrar o que você tem de mais valioso. É a hora de passar uma boa impressão. Informar que você já tomou vacina, ou que você acredita na imunização, pode ser um divisor de águas na hora da escolha”, diz.

Se a bio serve para impressionar, é comum encontrar descrições com posicionamentos políticos nos perfis dos usuários. Seria o “#Vacinado” o novo “#EleNão” ou “#ForaPT” do momento? A psicanalista acredita que sim. “Na bio, a pessoa está mostrando quais são as próprias crenças e valores. Como agora alguns duvidam da ciência, ao colocar essa informação eu já exponho um valor meu para saber se a pessoa está de acordo com ele”, completou.

“Covid vaccinated”: prints de usuários de aplicativos que colocaram “vacinados” na bio do perfil.

Vacina não te dá “cartão de liberdade” para ver o crush

A infectologista Rosana Ritchmann alerta, entretanto, que estar vacinado não garante a imunização completa e não elimina as chances de você contaminar o seu possível parceiro. “Estamos vendo pessoas que tomaram a vacina se contaminando por covid, felizmente nenhum caso grave. Mesmo vacinadas, as pessoas podem continuar transmitindo o vírus. Enquanto o vírus estiver circulando nesse nível igual o de agora melhor evitar contatos desnecessários”, explica a médica pesquisadora do Instituto Emílio Ribas.

Mas a médica traz uma mensagem de conforto para os solteiros da pandemia: “Mas, puxa, eu nunca mais vou poder namorar tranquilo? Não é bem isso. A hora que tivermos uma parcela grande da população vacinada e o vírus parar de circular nessa velocidade, daí seguramente ele vai infectar menos gente e aí sim vai chegar o momento de encontrar outras pessoas”.

Fonte: Redação DiBahia com reportagem do UOL

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Empate trava caso sobre permissão para Dado e Bonfá usarem nome Legião Urbana

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A definição sobre a validade da sentença que permitiu a Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá usarem o nome de sua ex-banda, a Legião Urbana, sem autorização do filho do fundador e já falecido vocalista, Renato Russo, sofreu um impasse na 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça: um empate.

Nesta terça-feira (22/6), o julgamento foi retomado com voto-vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que abriu a divergência em relação ao posicionamento da relatora, ministra Isabel Gallotti.

Após os votos de Luis Felipe Salomão e Raul Araújo, registrou-se empate por 2 a 2, que não pode ser definido porque o ministro Marco Buzzi não participou da primeira sessão de julgamento do caso, em 6 de abril.

Como houve sustentação oral de ambas as partes do processo, as manifestações dos advogados terão de ser renovadas para que o ministro Buzzi possa assisti-las e fazer o desempate. A 4ª Turma só tem mais uma sessão de julgamento antes do recesso judiciário de julho, na próxima terça-feira, extraordinária e com pauta já divulgada.

O recurso especial se insurge contra decisão em ação rescisória que ataca uma decisão da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. Essa sentença fixou que, apesar de Dado e Bonfá não serem os donos da marca Legião Urbana, eles têm o direito de usar o nome sem autorização do titular quando se apresentarem profissionalmente.

Para a relatora, a ministra Isabel Gallotti, essa sentença deve ser rescindida porque acabou por limitar o direito de propriedade titularizado e por afastar o atributo da exclusividade, inerente ao direito de propriedade da marca. Ela entendeu que houve ofensa direta à Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996). Votou com ela o ministro Luis Felipe Salomão.

Para a divergência do ministro Antonio Carlos Ferreira, a decisão não deve ser rescindida porque não tem qualquer repercussão sobre o registro da marca. Para ele, a sentença razoavelmente ponderou a discussão e não foi além de permitir uso limitado e excepcional da marca por aqueles que foram responsáveis por sua popularização e valorização, observando o princípio constitucional da função social da propriedade e em prol da disseminação da cultura. Votou com ele o ministro Raul Araújo.

Com Conjur

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